30 de abril de 2010

"Tasso cada vez mais longe da reeleição" por Antonio Carlos de Freitas


Considero totalmente equivocada a pretensa relação que alguns setores da mídia vêm tentando demonstrar entre a decisão do PSB de não lançar candidatura própria à Presidência e uma possível alteração na composição política no bloco progressista anti-neoliberal (PT, PSB, PCdoB, PMDB e demais partidos) no Ceará.

Os últimos acontecimentos envolvendo decisões do PSB Nacional não mudam nem alteram coisa alguma no âmbito local. Ou melhor, altera sim: faz crescer o isolamento do senador tucano Tasso Jereissati.

A decisão do PSB só corrobora com a tese de que a base progressista de sustentação do governo Lula deve ter, sim, dois candidatos viáveis ao Senado Federal. Não sei em que ponto isso facilita a reeleição de Tasso/PSDB ou, ainda, uma aliança das forças progressistas e de esquerda com o PSDB no Ceará.

Sem Ciro Gomes (PSB) candidato, o que ocorre é o inverso. As possibilidades de derrota para Tasso aumentam. Sem a força de um palanque nacional que crie confusão sobre sua relação histórica com o PSDB e o neoliberalismo, o senador tucano-neoliberal terá ainda mais dificuldades de reeleição, pois terá que se contentar com o palanque do Serra, candidato de Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente que “quebrou” por duas vezes o País e que tem baixíssima aceitação do povo cearense.

Outra leitura equivocada dos fatos é de que o PT, por conta da questão nacional aprofundada com o fato do PSB não ter candidato ao Planalto, estaria agora condicionado a “aceitar’ apenas uma das posições na chapa majoritária. Como afirmei anteriormente, o palanque nacional que poderia ligar a candidatura da base progressista do governador Cid Gomes/PSB ao senador tucano (contradição sem precedentes e que acredito não passar pela cabeça do PSB) foi desfeito. Em minha opinião, Tasso acaba de perder mais uma batalha. Paciência é sempre uma boa conselheira nesses momentos.

Os motivos são muito simples. Primeiro: é o PT que está, pela segunda vez, abrindo mão de ter uma candidatura majoritária ao governo do Estado. Algo correto no objetivo nacional de consolidar o projeto democrático e popular aliado a superação do neoliberalismo e o fim da “era Tasso” nas terras patativenses.

O PT tem o presidente da República e terá a primeira presidenta desse País. Não será tarefa fácil, a elite brasileira jogará baixo para retomar o espaço perdido, mas não terá êxito em sua empreitada. Além disso, o PT governa 15 importantes cidades no Ceará. Dentre elas, a capital Fortaleza, Juazeiro, Barbalha, Cascavel e Acaraú. O partido está enraizado nos movimentos sociais, sindicais e populares. É, portanto, decisivo em qualquer processo político e, mais ainda, em uma eleição como a que vivenciaremos no outubro vindouro. Não é razoável para uma força com esse peso não ter a legitimidade de lançar um candidato ao senado e reivindicar a vaga de vice.

Outra questão: se não tivermos no bloco já citado dois candidatos para o senado (pra valer, não apenas por demarcação) só elegeremos um, facilitando a reeleição do anti-Lula e neoliberal Tasso Jereissati. Essa não é uma conta difícil de ser feita. E além de matemática, ela é política. Não acredito que Lula, PT, PSB, PCdoB, PMDB e as forças políticas e sociais que estão mudando o Brasil verdadeiramente irão cometer um erro histórico desses. Venho percebendo que algumas matérias na nossa mídia estão, reiteradas vezes, levantando essa tese sem que ninguém tenha defendido tamanho equívoco.

O PT Já ratificou o seu nome viável para o Senado e com amplas chances de vitória, o do ex-ministro José Pimentel, para colaborar com o governo Dilma. Além disso, ratificou também o compromisso de eleger um outro (Eunício-PMDB) aliado do governo Lula nesse bloco anti-neoliberalismo.

Um “laranja” nesse caso, sem força e sem viabilidade para compor a chapa ou lançar apenas um nome, entregando a eleição para o maior inimigo do governo Lula do PT/PSB e PCdoB seria, volto a repetir, um erro histórico. Não acredito que tem gente se iludindo com essa possibilidade, pois significa acreditar que a esquerda cearense jogaria sua história no ralo.

Do Blog do Eliomar.

Lula é eleito um dos líderes mais influentes do mundo pela "Time"



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito nesta quinta-feira (29) pela revista americana “Time” um dos líderes mais influentes do mundo. Lula aparece na lista com 25 nomes ao lado de J.T Wang, presidente da empresa de computadores pessoais Acer, o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, o presidente americano Barack Obama e Ron Bloom, assessor sênior do secretário do Tesouro dos Estados Unidos. Essa é a segunda vez que o brasileiro aparece em uma lista da publicação. A primeira foi em 2004.

No perfil escrito pelo cineasta Michael Moore, o programa Fome Zero (praticamente substituído pelo Bolsa Família) é citado como destaque no governo do PT como uma das conquistas para levar o Brasil ao “primeiro mundo”. A história de vida de Lula também é ressaltada por Moore, que chama o presidente brasileiro de “verdadeiro filho da classe trabalhadora da América Latina”.

A revista relembra que Lula decidiu entrar para a política quando, aos 25 anos, perdeu sua primeira esposa Maria, grávida de oito meses, pelo fato de os dois não terem acesso a um plano de saúde decente. Ironizando, Moore dá um recado aos bilionários do mundo: “Deixem os povos terem bons cuidados com a saúde, e eles causarão muito menos problemas para vocês”.

Moore afirma que quando os brasileiros elegeram Lula pela primeira vez em 2002, os "barões do roubo", que transformaram o país em um dos locais mais desiguais do planeta, nervosamente verificaram os medidores de combustível de seus jatos particulares.

Entre os líderes em destaque também estão a ex- governadora do Alasca e ex-candidata republicana à Vice-Presidência dos EUA, Sarah Palin; o diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn; os primeiros-ministros japonês e palestino, respectivamente Yukio Hatoyama e Salam Fayyad, e o chefe do Governo da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

A lista mostra os 100 nomes de pessoas mais influentes do mundo em diversas áreas –líderes da esfera pública e privada, heróis, artistas, pensadores, entre outros.

Outras posições de destaque

Lula apareceu no ranking da "Time" pela primeira vez em 2004, dois anos depois de ser eleito pela primeira vez à Presidência. Na ocasião, Lula ganhou destaque pela posição na reunião da OMC (Organização Mundial do Comércio) no México, em setembro passado, quando liderou uma coalizão de nações em desenvolvimento que se recusaram a negociar novas regras de investimento estrangeiro até que os EUA e a União Europeia prometessem o fim dos subsídios agrícolas à exportação.

O perfil do presidente em 2004 afirmava que "ao contrário dos radicais contra a globalização, Lula, 58, insiste que não quer destruir a nova ordem mundial. Ele só quer que funcione de forma mais justa." O texto lembrava também os escândalos de corrupção que caíram sob seu governo, mas ressaltava que, apesar de alegações, ele havia se tornado porta-voz do novo mundo em desenvolvimento.

Ano passado, Lula ganhou destaque internacional quando foi eleito personagem do ano pelo jornal espanhol El País e pelo francês Le Monde.

Do UOL Notícias

Biblioteca Comunitária da Arca ganha Premio Estadual

Estudantes do Projeto ARCA em visita a biblioteca - foto arquivo da ARCA
A Biblioteca Arca da Leitura mantida pela Fundação ARCA foi contemplada com um prêmio no valor de R$ 3.000,00 (três mil Reais), por ter alcançado o 1º. lugar no concurso “Mediação de leitura e formação do leitor na biblioteca Comunitária” promovido pela Secretária de Cultura do Estado.

A Biblioteca Arca da leitura é um espaço educativo que oferece, a partir, de um acervo de mais de três e mil e quinhentos livros, conhecimento e entretenimento. São Jovens, adultos e principalmente crianças que freqüentam nosso espaço educativo, participam de pesquisa escolar, grupos de leitura e de roda de contação de histórias.

O professor Carlos Tolovi Presidente da Fundação ARCA informa que a premiação será destinada ao fortalecimento do Projeto.

Visitem o Blog da Arca.

29 de abril de 2010

"Simplesmente Lula" por Pedro R. Lima


FHC, o farol, o sociólogo, entende tanto de sociologia quanto o governador de São Paulo, José Serra, entende de economia.
Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores; que não entende de economia pagou as contas de FHC, zerou a dívida com o FMI e ainda empresta algum aos ricos.
Lula, o “analfabeto”, que não entende de educação, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos, e ainda criou o PRÓ-UNI, que leva o filho do pobre à universidade.
Lula, que não entende de finanças nem de contas públicas, elevou o salário mínimo de 64 para mais de 200 dólares, e não quebrou a previdência como queria FHC.
Lula, que não entende de psicologia, levantou o moral da nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo. Embora o PIG - Partido da Imprensa Golpista, que entende de tudo, diga que não.
Lula, que não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de nada, reabilitou o Proálcool, acreditou no biodiesel e levou o país à liderança mundial de combustíveis renováveis.
Lula, que não entende de política, mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser respeitado e enterrou o G-8.
Lula, que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi sindicalista brucutu, mandou às favas a ALCA, olhou para os parceiros do sul, especialmente para os vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista. Tem fácil trânsito junto a Chaves, Fidel, Obama, Evo etc. Bobo que é, cedeu a tudo e a todos.
Lula, que não entende de mulher nem de negro, colocou o primeiro negro no Supremo (desmoralizado por brancos), uma mulher no cargo de primeira ministra, e pode fazê-la sua sucessora.
Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.
Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de Keynes, criou o PAC, antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora de o Estado investir, e hoje o PAC é um amortecedor da crise.
Lula, que não entende de crise, mandou baixar o IPI e levou a indústria automobilística a bater recorde no trimestre.
Lula, que não entende de português nem de outra língua, tem fluência entre os líderes mundiais, é respeitado e citado entre as pessoas mais poderosa s e influentes no mundo atual.
Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um brucutu, já tinha empatia e relação direta com Bush - notada até pela imprensa americana e agora tem a mesma empatia com Obama.
Lula, que não entende nada de sindicato, pois era apenas um agitador, é amigo do tal John Sweeny e entra na Casa Branca com credencial de negociador, lá, nos "States".
Lula, que não entende de geografia, pois não sabe interpretar um mapa, é ator da mudança geopolítica das Américas.
Lula, que não entende nada de diplomacia internacional, pois nunca estará preparado, age com sabedoria em todas as frentes e se torna interlocutor universal.
Lula, que não entende nada de história, pois é apenas um locutor de bravatas, faz história e será lembrado por um grande legado, dentro e fora do Brasil.
Lula, que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, pois é um pacifista ingênuo, já é cotado pelos palestinos para dialogar com Israel.
Lula, que não entende nada de nada, é melhor que todos os outros.
E ainda falam que o Lula não fez nada pelo nosso país. Só mesmo os ricos não têm o que comemorar. E quando digo ricos, são os 5% que detêm 80% das riquezas do nosso Brasil.

Pedro R. Lima, professor UFRJ, economista  e redator da revista Veja

28 de abril de 2010

20 diretórios do PSB decidiram por alianças e 7 votaram pela candidatura própria

O vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, o  presidente, Eduardo Campos, o primeiro secretário,  Carlos Siqueira, e a governadora Wilma de Faria  (RN), nesta tarde  - Foto: Wilson Pedrosa

Os diretórios estaduais do PSB decidiram por 20 votos contra 7, por uma política de alianças em vez da candidatura própria, defendida por Ciro Gomes e pelos diretórios dos estados: MA, RS, RO, PA, MS, CE e MG.

Esse encontro nacional não teve como pauta formalizar alianças com o PT para apoiar Dilma Roussseff, mas na prática, a decisão encaminha para este rumo. Os petistas também deverão apoiar diversos candidatos do PSB nos estados.

Ciro escolheu apostar todas as fichas apenas na candidatura presidencial, mas não conseguiu construir nos últimos 4 anos uma maioria dentro do PSB, que apoie esta sua tese de candidatura própria.

Assim como o PDT, o PCdoB, a maioria do PSB acredita que a continuidade do governo Lula é importante, e considera a melhor forma de vencer esse desafio é concentrar todas as forças em uma candidatura, em vez de dividir em várias.

Ciro não deve se sentir preterido. Ser voto vencido não é nenhum demérito. Nesse quadro de concentrar todas as forças em uma candidatura, grandes nomes de políticos históricos do próprio PT também abriram mão de disputar a indicação do partido, em favor da candidatura de Dilma, que uniu as diversas correntes do PT, e foi um nome bem aceito por todos os partidos da base aliada.

Encerrado esse debate da candidatura própria, às vezes acalorado e acima do tom, Ciro continua sendo uma liderança política importantíssima e, mesmo não sendo candidato, pode continuar protagonista no processo eleitoral, se quiser, e participando da vida nacional em um governo Dilma. Outros grandes vultos da vida nacional, tem e terão papel importante nestas eleições, mesmo sem se candidatarem, como o vice-presidente José Alencar.

Foto do Dia: Cobras descendo a rua


Cobras de Altaneira na Rua Dep. Furtado Leite - Foto de Alan Cirino

Em nota, Ciro diz que decisão do PSB é 'erro tático'

O deputado Ciro Gomes divulgou nota na noite desta terça-feira, 27, para criticar a decisão da Executiva Nacional do PSB. Reunida em Brasília, a direção do partido oficializou a desistência de disputar a Presidência com candidatura própria.

Numa nota intitulada "Ao rei tudo, menos a honra", Ciro chamou a decisão do PSB de "erro tático". "Acho um erro tático em relação ao melhor interesse do partido e uma deserção de nossos deveres para com o País", escreveu.

Porém, Ciro promete obedecer a decisão do partido. "Não é hora mais, entretanto, de repetir os argumentos claros e já tão repetidos e até óbvios. É hora de aceitar a decisão da direção partidária. É hora de controlar a tristeza de ver assim interrompida uma vida pública de mais de 30 anos dedicada ao Brasil e aos brasileiros e concentrar-me no que importa: o futuro de nosso País!"

No texto, o deputado diz que seu engajamento com o partido dependerá dos rumos do projeto que o PSB apresentará para o País. "Meu entusiasmo, e o nível de meu modesto engajamento, entretanto, compreendam-me, por favor, meus companheiros, irão depender do encaminhamento, pelo partido, de minhas preocupações com o Brasil, com nossa falta de um projeto estratégico de futuro, com a deterioração ética generalizada de nossa prática política, com a potencial e precoce esclerose de nossa democracia."

Leia a íntegra da nota divulgada por Ciro.

27 de abril de 2010

Altaneira não aparece no Google Earth


Foto atual de Altaneira no Google Earth
O Google Earth é um programa de computador desenvolvido e distribuído pela empresa americana Google cuja função é apresentar um modelo tridimensional do globo terrestre, construído a partir de fotografias de satélite obtidas de fontes diversas, imagens aéreas (fotografadas de aeronaves) e GIS 3D.

Desta forma, o programa pode ser usado simplesmente como um gerador de mapas bidimensionais e fotos de satélite ou como um simulador das diversas paisagens presentes no Planeta Terra. Com isso, é possível identificar lugares, construções, cidades, paisagens, entre outros elementos. O programa é similar, embora mais complexo, ao serviço também oferecido pelo Google conhecido como Google Maps.

Anteriormente conhecido como Earth Viewer, o Google Earth foi desenvolvido pela Keyhole, Inc, uma companhia adquirida peloGoogle em 2004. O produto, renomeado de Google Earth em 2005, está disponível para uso em computadores pessoais rodando Microsoft Windows 2000, XP, Vista, 7, Mac OS X 10.3.9 e superiores, e Linux (lançado em 12 de Junho de 2006) e FreeBSD.

O programa está disponível em duas diferentes licenças: Google Earth, a versão grátis mas com funções limitadas; e o Google Earth Pro ($400 por ano), que se destina a uso comercial. O Google Earth Plus ($20 por ano), que dispunha de recursos adicionais foi cancelado em 2008 por motivos comerciais.

Para comparar veja a foto da vizinha cidade de Farias Brito no Google Earth

26 de abril de 2010

Cantor Luciano é condenado a indenizar homem por agressão


“A 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul condenou o cantor Luciano, da dupla Zezé di Camargo e Luciano, a pagar R$ 30 mil a um homem agredido fisicamente em Porto Alegre, em outubro de 2004. A dupla de cantores participou naquele dia de show em um comício promovido durante uma campanha eleitoral. O cantor bateu em um homem que o “agrediu verbalmente”.

Segundo o desembargador Jorge Luiz Lopes do Canto. “restou devidamente comprovada a agressão sofrida pelo autor, perpetrada pelo demandado, que lhe desferiu uma “voadora” pelas costas, bem como um golpe no rosto e um chute no escroto, ocasionando as lesões corporais descritas no auto de exame do corpo de delito”. Testemunhas reconheceram o cantor como o autor das agressões.

O juiz ainda afirmou que “inobstante não seja crível que o demandado tenha perpetrado tais agressões a um desconhecido sem sequer ser incitado, não há prova segura de que o postulante tenha sido o autor de tais provocações”. Mesmo havendo a possibilidade de ter havido a agressão verbal ao cantor da parte de manifestantes da coligação política contrária, afirmou o desembargador, “é manifestamente desproporcional a reação do réu que, minutos depois do ocorrido, atacou o autor, pessoa de idade, pelas costas, lhe desferindo golpes inclusive quando este estava caído no chão”.

O cantor alegou que desembarcou em frente ao hotel Sheraton onde mais de 30 pessoas iniciaram um tumulto e que qualquer dessas pessoas poderia ter feito a agressão e que por isso nega a autoria das lesões no autor. Na época, o cantor contava com 31 anos e o autor da ação, com 55 anos.

Segundo o juiz da Eduardo Kothe Werlang, da 11ª Vara Cível de Porto Alegre, que o condenou em primeira instância, o dano moral sofrido pelo autor, afirmou o juiz, foi comprovado por documentos que diagnosticaram o trauma vivenciado, “transtorno depressivo maior, acompanhado de trauma físico”. Houve tratamento médico e o homem ficou impossibilitado de trabalhar. “O cantor dirigiu-se à capital gaúcha como participante de “showmício” para campanha eleitoral, por óbvio sabia que durante pleitos eleitorais não encontraria apenas fãs, o público em geral é bem diferente daquele encontrado em “shows” daquela dupla sertaneja”, considerou o juiz.

Para o desembargador Gelson Rolim Stocker, “as agressões físicas perpetradas pelo réu contra o autor restaram cabalmente comprovadas, tanto pela prova documental acostada – peças do inquérito policial (…) – como pelo teor dos depoimentos prestados pelas testemunhas ouvidas em juízo”.

Do blog do Eliomar

As pesquisas, segundo Marcos Coimbra



Marcos Coimbra é Presidente do Instituto Vox Populi

Estamos vivendo uma fase de pesquisas discrepantes, após meses de convergência das que foram publicadas a respeito das próximas eleições presidenciais
Se as diferenças entre as pesquisas surpreendem até quem as faz, imaginem-se as pessoas que não estão familiarizadas com elas. Desde o jornalista especializado ao cidadão comum, a surpresa pode se tornar perplexidade.

Estamos vivendo uma fase de pesquisas discrepantes, após meses de convergência das que foram publicadas a respeito das próximas eleições presidenciais. O que parecia um consenso entre institutos e levantamentos tornou-se uma polêmica.

É curioso notar que quem é hoje demonizado era, até ontem, tratado com consideração. Os institutos, seus responsáveis e métodos de trabalho não eram questionados por ninguém nem no meio político, pelos partidários de Dilma ou Serra, nem pela imprensa, que informava os resultados de cada um com a imparcialidade possível. Agora, parece que todo mundo virou culpado de alguma coisa.

De fato, para quem tem o hábito de acompanhar as pesquisas brasileiras, as diferenças recentes podem soar estranhas. Estamos acostumados, depois de muitas eleições, a não ver maiores variações entre elas. Os institutos tendem a acertar (quase sempre) e a errar (de vez em quando) juntos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, variações como as dos últimos dias, de até 10 pontos percentuais entre um e outro instituto, são consideradas normais. Seria até ridículo o Partido Republicano entrar na Justiça contra alguém que fez uma pesquisa mostrando Obama na frente. Já na Argentina, todos diriam que são modestas, pois a regra, por lá, é de as pesquisas apresentarem diferenças abissais. Em poucos países do mundo se daria atenção a que estamos vendo por aqui e, certamente, não se especularia sobre se essas pesquisas provêm de algo escuso.

Todos sabem que há diferenças de metodologia entre os institutos brasileiros, que decorrem de suas opções técnicas e operacionais. Nenhuma é melhor que a outra, pois todas apresentam prós e contras. Não existe, em nenhum lugar do mundo, o manual da pesquisa perfeita, a ser obedecido por todos. É um sonho autoritário (e inviável) imaginar o dia em que só haverá uma metodologia, aplicada por um só instituto. Se chegasse, nenhum democrata teria o que comemorar.

Uma das melhores coisas das pesquisas é que elas são inteiramente francas sobre algo que as outras informações que o eleitorado recebe costumam não explicitar: que são falíveis. Quem lê uma pesquisa foi avisado de que ela pode errar e é alertado sobre quanto. É como fumar conhecendo o que está escrito no maço.

Ao avaliar as pesquisas, as margens de erro não são coisas para registrar e esquecer, mas para lembrar. Não é o mais provável, mas é perfeitamente possível, que 10 pontos de diferença entre Serra e Dilma (consideradas as margens) sejam 5 pontos, o mesmo que diz uma pesquisa cujo resultado é uma diferença de um ponto entre os dois. Politicamente, 10 pontos ou 1 fazem uma enorme diferença, mas podem não ser nada (ou quase nada) em termos estatísticos.

Quem analisar com mais cuidado as pesquisas de agora, vai perceber que são unânimes na caracterização das intenções espontâneas de voto. Na mais recente do Ibope, Dilma tem 15% e Serra 14%. Na Vox, Dilma 15%, Serra 12%. No Datafolha, Dilma 13%, Serra 12%. Na Sensus, Dilma 16%, Serra 14%. Em qualquer lugar do mundo, quem olhasse esses números diria que os institutos brasileiros estão inteiramente de acordo sobre o que pensam os eleitores mais definidos, os que tendem a ser mais politizados e interessados nas eleições.

Mas o mesmo consenso não acontece na caracterização das intenções de voto dos que só respondem em quem votariam depois de estimulados. As diferenças de metodologia explicam parte da discrepância (mesmo que, do ponto de vista estatístico, sequer se possa afirmar que ela existe).

O mais provável, contudo, é que elas variem apenas por não haver, ainda, suficiente cristalização das intenções de voto no universo do eleitorado. É o fenômeno que se quer retratar que é volátil, não que alguma pesquisa esteja certa e as outras erradas.

Aliás, pesquisa certa ninguém sabe qual é. Só no dia 3 de outubro, teremos certeza sobre o que os eleitores, de fato, querem. Até lá, o máximo que podemos fazer são pesquisas bem feitas e isso todos tentam.

Do Estado de Minas

Cid Gomes lança Pró-Cidadania no Cariri

Agentes da cidadania de Altaneira - Foto de João Alves
Para desenvolver o setor de segurança pública no Interior do Estado, o Governador Cid Gomes lançou nesta sábado (24), em Missão Velha, o Programa de Proteção à Cidadania (Pró-Cidadania). A ação tem o objetivo de prevenir atos e ações que possam por em risco o patrimônio e os bens públicos, orientado pela filosofia e estratégia organizacional de segurança com cidadania, atuando no sistema de segurança pública e defesa social em todos os municípios conveniados. “A Organização das Nações Unidas (ONU), estabelece parâmetros de um agente para cada 500 habitantes.”, relatou Cid Gomes. De acordo com o Governador, a nova força policial vai permitir que os moradores dos municípios “se sintam mais seguros”.

O primeiro Município onde o programa foi implantado foi Tauá e, por isso, representou um modelo que foi seguido pelos demais municípios cearenses com número de habitantes menos que 50 mil, o onde o programa Ronda do Quarteirão não foi implantado. “A meta para 2010 é de 100 municípios conveniados e a formação de 2 mil agentes de cidadania. O Governo do Estado tem o papel de repassar recursos financeiros e equipamentos, mediante à celebração de convênios”, confirmou o governador.

O Pró-Cidadania foi desenvolvido a partir da Lei Estadual nº. 14.318/2009, que tem como objetivo estimular a criação de guardas municipais. Em Altaneira foram formados pela Secretaria de Segurança Pública e Desenvolvimento Social (SSPDS), um total de 14 agentes. Os recrutas passaram por um criterioso processo de capacitação de 200 horas/aula com ênfase na valorização da cidadania, na segurança comunitária e na prevenção ao uso das drogas.

Todos os agentes receberam fardamento completo, equipamentos de radio comunicação, armamento não letal e cada Município uma viatura tipo caminhonete Hylux.

25 de abril de 2010

O Profeta Maomé

Profeta Maomé recitando o Alcorão em Meca (gravura do século XIV)

Abul Alcacim Maomé ibne Abedalá ibne Abedal Motalibe ibne Haxime (Abū al-Qāsim Muḥammad ibn ʿAbd Allāh ibn ʿAbd al-Muṭṭalib ibn Hāshim), mais conhecido somente como Maomé, nasceu em Meca, em 25 de abril de 571 e faleceu em Medina no dia 8 de junho de 632, foi um líder religioso, político e militar árabe. Segundo a religião islâmica, Maomé é o mais recente e último profeta do Deus de Abraão. Para os muçulmanos, Maomé foi precedido em seu papel de profeta por Jesus, Moisés, Davi, Jacó, Isaac, Ismael e Abraão. Como figura política, ele unificou várias tribos árabes, o que permitiu as conquistas árabes daquilo que viria a ser um califado que se estendeu da Pérsia até à Península Ibérica.

Não é considerado pelos muçulmanos como um ser divino, mas sim, um ser humano; contudo, entre os fiéis, ele é visto como um dos mais perfeitos seres humanos, e o próprio Alcorão o estabelece. Nascido em Meca, Maomé foi durante a primeira parte da sua vida um mercador que realizou extensas viagens a trabalho. Tinha por hábito retirar-se para orar e meditar nos montes perto de Meca. Os muçulmanos acreditam que em 610, quando Maomé tinha quarenta anos, enquanto realizava um desses retiros espirituais numa das cavernas do Monte Hira, foi visitado pelo anjo Gabriel que lhe ordenou que recitasse os versos enviados por Deus, e comunicou que Deus o havia escolhido como o último profeta enviado à humanidade. Maomé deu ouvidos à mensagem do anjo e, após sua morte, estes versos foram reunidos e integrados no Alcorão, durante o califado de Abacar.

Maomé não rejeitou completamente o judaísmo e o cristianismo, duas religiões monoteístas já conhecidas pelos árabes. Em vez disso, teria declarado que é necessária proteção a estas religiões e informou que tinha sido enviado por Deus para restaurar os ensinamentos originais destas religiões, que tinham sido corrompidos e esquecidos. Porém, isto de acordo com a Enciclopédia Judaica, Maomé tornou-se cada vez mais hostil aos judeus ao longo do tempo quando "percebeu que havia diferenças irreconciliáveis entre a religião deles e a sua, especialmente quando a crença em sua missão profética se tornou o critério de um verdadeiro muçulmano".

Muitos habitantes de Meca rejeitaram a sua mensagem e começaram a persegui-lo, bem como aos seus seguidores. Em 622 Maomé foi obrigado a abandonar Meca, numa migração conhecida como a Hégira (Hijra), tendo se mudado para Iatrebe (atual Medina). Nesta cidade, Maomé tornou-se o chefe da primeira comunidade muçulmana. Seguiram-se anos de batalhas entre os habitantes de Meca e Medina, que resultaram em geral na vitória de Maomé e de seus seguidores. A organização militar criada durante estas batalhas foi usada para derrotar as tribos da Arábia. Por altura da sua morte, Maomé tinha unificado praticamente todo o território sob o signo de uma nova religião, o islão.

Fonte: Wikipedia, a enciclopédia livre

Merece Registro

Auto Retrato de Alan Cirino

Alan é membro efetivo do Cobras Moto Clube, viajou de Altaneira à Tauá no carro de apoio. Fez todas as fotos desse trecho da viagem, dentre elas esta, que na nossa opinião, pela criativa e qualidade da foto, merece registro aqui no Blog.

A Primeira Eleição Marketizada no Brasil


Turma do Curso de Marketing Político e Eleitoral realizado em São Paulo/SP em 2008

Este texto é uma transcrição da conferência de João Moacir de Medeiros no I Seminário "Voto é Marketing?" da UFRJ, 1992 repassada no Curso de Marketing Político e Eleitoral por Carlos Manhanelli nos dias 30 e 31 de maio de 2008 no Hotel Bourbon em São Paulo, do qual este blogueiro teve a honra de participar.

Vale dizer que João Moacir de Medeiros tem trajetória marcante na história da propaganda brasileira. Fundou em 1950 - e dirigiu por 40 anos a JMM Publicidade, uma das mais importantes agências nacionais.

"Vou contar uma história que se tornou a primeira campanha de Marketing Político no Brasil. Em 1954, dois candidatos polarizavam a disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte: Amintas de Barros, pelo PSD e Celso Azevedo, pela UDN. Foi o ano do suicídio de Getúlio Vargas, que estava em plena glória, mas também em pleno combate, um ano marcado por grande comoção política. Juscelino Kubitschek, na época governador de Minas, também estava em plena glória. Amintas de Barros era tido como imbatível por ser o candidato de Juscelino e de Getúlio.

A UDN resolveu lançar outro candidato. Então, fui chamado pelo Magalhães Pinto, que me fez um pedido com ceticismo: "Veja que propaganda você pode fazer para o Celso não perder muito feio... Celso Azevedo tinha também o apoio de um pequeno partido, o PDC, Partido Democrático Cristão. A eleição ia acontecer em um prazo de cinco semanas.

Restou-me a improvisação. Eu nunca dispensei a pesquisa porque sempre fui um repórter. Procurei alinhar as informações a respeito do Celso Azevedo. Ele era um jovem engenheiro de 40 anos, nunca havia ocupado cargos públicos e era muito tímido. Sabia fazer as coisas, mas não sabia falar em público. Era um homem de bem, o currículo dele podia ser resumido nisto. Amintas de Barros era um político populista do velho estilo, gostava de tomar uma "cachacinha" como o povo, uma pinga mineira; orador inflamado; brilhante criminalista e uma figura muito conhecida em Belo Horizonte, principalmente por suas participações nos júris populares. Dizia-se, então que Amintas não podia perder. Tinha o apoio de JK e de Getúlio, num ano marcado pelas campanhas contra o golpe. E tinha o apoio do PSD mineiro, talvez um dos partidos mais fortes da história brasileira e do PTB de Vargas. O que podia fazer Celso Azevedo?

Eu perguntava às pessoas um pouco "mineiramente": "Escuta aqui, eu sou de fora, estou de passagem, sou um caixeiro viajante. Estou ouvindo falar da eleição, da campanha ... Me fala aí, quem você acha que vai ganhar?" Diziam: "Tem o Amintas de Barros, esse é o certo. Tem também um outro para fazer páreo." Depois apareceu um outro candidato, mas não teve importância. Conseguimos polarizar a eleição entre Amintas de Barros e Celso Azevedo.

Descobrimos, numa pesquisa, que Belo Horizonte nunca havia tido um prefeito natural da cidade. Portanto, seria o primeiro filho de Belo Horizonte a governar sua cidade natal. Era o lado que poderia ser explorado do ponto de vista emocional. Nós procuramos tirar partido daí. Uma pesquisa entre o povo - com os motoristas de táxi e os barbeiros, que eram fontes de informação - me levou à seguinte conclusão: a única qualidade de Celso Azevedo que podia ser explorada, era o fato de ele ser um engenheiro.

Eu perguntava às pessoas: "Esquecendo o nome, esquecendo o candidato, você escolheria entre um político, que é um advogado brilhante, ou um engenheiro? Quem você acha que pode resolver os problemas da sua rua, do seu bairro, da sua cidade?" A maioria das pessoas respondia que preferia o engenheiro. Nós chegamos à conclusão que, numa eleição, as pessoas estão interessadas sobretudo na sua rua, no seu bairro, na sua cidade. O aspecto partidário, as ligações ideológicas, nada disso tem importância. Então eu imaginei que as pessoas tinham que decidir entre um engenheiro, que podia resolver os problemas da cidade, os problemas do bairro, e um político. Posso dizer que essa foi a primeira campanha de posicionamento: o engenheiro de um lado, o político de outro.

A campanha ocorreu em três semanas. Fizemos uma série de anúncios. O primeiro deles dizia: "Os problemas de Belo Horizonte são problemas seus, mas são problemas técnicos. Confie sua solução a um técnico, a um engenheiro, a um homem capas: Celso Azevedo". Esse era o termo fundamental da campanha. Descobriu-se também que o povo tinha aspirações muito concretas. Então, a nossa proposta ao Celso foi que ele não fizesse promessas muito grandes, que a campanha girasse em torno de algumas propostas aceitáveis: o povo não gostava de grandes promessas, porque elas perdem credibilidade.

Ele concentrou sua plataforma em torno de dois itens: o problema de transporte coletivo para os bairros mais distantes e o problema de calçamento de algumas ruas. Com calçamento, o transporte poderia chegar mais longe. Mas não era calçamento de asfalto! Ele ia para os bairros, fazia pequenas reuniões e explicava como calçar aquela rua com pé-de-moleque - um sistema anterior ao paralelepípedo, que os escravos mineiros adotavam no calçamento das velhas cidades. Se o transporte não chegava porque não havia uma ponte, ele fazia uma exposição simples de quantos sacos de cimento, quilos de ferro, vergalhões, e de quanto tempo de trabalho seriam necessários para construir aquela ponte. Ele ganhava credibilidade do eleitor mostrando que sabia fazer as coisas, que sabia resolver os problemas.

O resultado dessa campanha foi realmente inesperado. Ela teve apoio no rádio com um jingle que se tornou extremamente popular. Ele tinha uma letra criada por mim e musicada pelo Sinval Neto. Dizia assim: "O povo reclama com razão / minha casa falta água / minha rua não tem pavimentação / Mas não basta reclama, meu senhor / é preciso votar no prefeito de valor". Era uma letra simples, mas abordava exatamente uma coisa: que não bastava reclamar, era preciso votar, era preciso fazer uma escolha. Foi feito um programa de informação no rádio, convidamos o povo, não para os grandes comícios, mas para reuniões em que Celso mostrava como resolver os problemas sem discursos. Sem grandes discursos e sem grandes promessas; só aquelas em que o povo pudesse acreditar.

De propósito, nós esquecemos o outro candidato. Achamos que devíamos fazer campanha a favor do Celso Azevedo e não contra o Amintas de Barros. Eu nunca ocupei o nosso tempo e a atenção do nosso ouvinte, do nosso eleitor, com histórias sobre o adversário. As histórias sobre o adversário sempre colaboram contra nós. Foi o esquema que deu certo.

Diziam que Amintas não podia perder porque tinha o apoio de Getúlio Vargas no ano do seu suicídio. A eleição foi em outubro. Em julho, três meses antes da eleição, Vargas foi a Belo Horizonte e foi fotografado abraçado com Amintas de Barros. Em agosto, o presidente se suicidaria. O PSD mineiro e o PTB exploraram esse fato, lançando um folheto que mostrava a foto com a seguinte legenda: "Um voto no Amintas é uma pétala de rosa no túmulo de Getúlio". Isso era uma exploração sentimental enorme. E nós não podíamos combater Getúlio; ele estava morto!

Para concluir, em três semanas de campanha, Celso Azevedo foi eleito por maioria absoluta. Quando Amintas se deu conta e quis reagir, já era tarde. Esta, em resumo, é a primeira de uma campanha de Marketing eleitoral.

Na minha opinião, o voto é Marketing na medida em que você leva a mensagem do candidato ao conhecimento de muitos. Muitas vezes, o candidato é desconhecido de muitos; outras, uma de suas faces ou idéias é desconhecida. Então, é preciso projetar o candidato e tentar fazer com que suas idéias sejam focalizadas. O Marketing tem esse valor.

24 de abril de 2010

Colírio do Blog: Leila Magnolia




















Leila Magnolia é estudante de Publicidade.

Lula x FHC por Artur Bruno


Este ano, milhões de brasileiros vão às urnas para escolher presidente da República, governadores, deputados federais e estaduais. Em toda eleição, a melhor arma dos eleitores é, sem dúvida, a informação. É preciso conhecer a história de cada candidato, saber suas propostas, analisar sua ficha, verificar como foi sua atuação em mandatos anteriores. Ou seja, quando cada vez mais se questiona a credibilidade de alguns políticos, o eleitor deve incluir como prioridade para sua escolha a informação.

No caso da eleição para presidente da República, penso que outra boa forma de escolher em quem votar é fazer uma comparação desapaixonada, com base em números, de quem mais contribuiu para a redução da pobreza, para o avanço da economia, redução da inflação, valorização do salário mínimo, geração de emprego e ampliação dos programas sociais. Análise desse tipo foi feita pelo sociólogo José Prata Araújo, que esteve no Ceará recentemente e lançou livro sobre “O Brasil de Lula e o de FHC”.

Nesse aspecto, o resultado da análise entre os números do Governo Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso não nos deixa dúvidas. Entre os anos de 1994 e 2002, durante o Governo FHC, foram gerados, incluindo-se os setores público e privado, cerca de 28 milhões de empregos. Enquanto isso, até ano passado, faltando um ano ainda para o fim do Governo Lula, já foram gerados mais de 39 milhões de postos de trabalho. A taxa de desemprego no Governo Lula foi em média de 7%, enquanto durante o Governo FHC foi de 11,7%.

Ainda com relação à questões ligadas à economia, o Governo Lula conseguiu elevar o salário-mínimo de R$ 200,00, com comprometimento de 64% com a cesta básica, valor do final da gestão de FHC, para R$ 510,00, com comprometimento de 45% com a cesta básica.

Mas é mesmo nas questões sociais que a comparação torna-se ainda mais claramente vantajosa para o Governo do presidente Lula. Em programas de transferência de renda, Fernando Henrique aplicou, durante todo o seu Governo, um total de R$ 134,7 bilhões, o equivalente a 9,16% do Produto Interno Bruno (PIB). Já o Governo Lula investiu, até o final do ano passado, R$ 305,2 bilhões em programas como o Bolsa-Família.

Com isso, aliado ao aumento do salário-mínimo e do nível de emprego, milhões de cidadãs e cidadãos conseguiram sair da linha da pobreza. Em 2002, 28,12% da população brasileira estava abaixo da linha da pobreza, esse número caiu para 16,02% da população, no ano passado.

Em áreas como habitação, saúde e agricultura familiar o Governo Lula também dá um banho. R$ 33,7 bilhões foram investidos na saúde em 2008, contra R$ 11,8 bilhões em 2002. Na habitação, o crédito habitacional foi ampliado de R$ 24 bilhões para R$ 79,8 bilhões no Governo Lula, o que permitiu a muitos brasileiros a concretização do sonho da casa própria.

Publicado originalmente no portal O Povo Online

22 de abril de 2010

Dia do Planeta Terra


O Brasil tem dado uma grande contribuição no combate ao aquecimento global, um desafio do nosso tempo. Superá-lo exige um esforço compartilhado, coerente com as responsabilidades e possibilidades de cada país.Na Conferência do Clima, em Copenhagen, em 2009, assumimos voluntariamente a meta de reduzir, até 2020, entre 36% e 39%, as emissões de gases que provocam o efeito estufa, e também em 80% o desmatamento na Amazônia e em 40% no cerrado.

É uma das metas mais ambiciosas assumidas por um país. Vamos cumpri-la.Nenhum outro país avançou tanto na utilização de fontes de energia renováveis, limpas, como o nosso. Mais de 46% de toda a energia consumida no Brasil provem de usinas hidrelétricas e da utilização de biomassa.Estamos vencendo a luta contra o desmatamento da Amazônia. No governo do presidente Lula, o tamanho da área deflorestada vem caindo ano após ano, até alcançarmos o recorde de 75 % no ano passado.Estamos provando que é possível fazer o país crescer e desenvolver-se, social e economicamente, respeitando o meio ambiente. Nessa matéria ninguém pode nos dar lições. No Brasil, sabemos amar e respeitar a natureza em que vivemos. Thiago de MelloO animal da floresta De madeira lilás (ninguém me crê) se fez meu coração. Espécie escassa de cedro, pela cor e porque abriga em seu âmago a morte que o ameaça. Madeira dói?, pergunta quem me vê os braços verdes, os olhos cheios de asas.

Por mim responde a luz do amanhecer que recobre de escamas esmaltadas as águas densas que me deram raça e cantam nas raízes do meu ser. No crepúsculo estou da ribanceira entre as estrelas e o chão que me abençoa as nervuras. Já não faz mal que doa meu bravo coração de água e madeira.

Hoje é o Dia da Terra. No mundo inteiro pessoas e organizações se mobilizam em torno de uma questão que se tornou fundamental para o presente e o futuro: a conservação do planeta, de nosso meio ambiente, da biodiversidade.

O Brasil tem dado uma grande contribuição no combate ao aquecimento global, um desafio do nosso tempo. Superá-lo exige um esforço compartilhado, coerente com as responsabilidades e possibilidades de cada país.

Na Conferência do Clima, em Copenhague, em 2009, assumimos voluntariamente a meta de reduzir, até 2020, entre 36% e 39%, as emissões de gases que provocam o efeito estufa, e também em 80% o desmatamento na Amazônia e em 40% no cerrado. É uma das metas mais ambiciosas assumidas por um país. Vamos cumpri-la.

Nenhum outro país avançou tanto na utilização de fontes de energia renováveis, limpas, como o nosso. Mais de 46% de toda a energia consumida no Brasil provem de usinas hidrelétricas e da utilização de biomassa.

Estamos vencendo a luta contra o desmatamento da Amazônia. No governo do presidente Lula, o tamanho da área deflorestada vem caindo ano após ano, até alcançarmos o recorde de 75 % no ano passado.

Estamos provando que é possível fazer o país crescer e desenvolver-se, social e economicamente, respeitando o meio ambiente. Nessa matéria ninguém pode nos dar lições.

No Brasil, sabemos amar e respeitar a natureza em que vivemos.

Neste dia compartilho com vocês o poema "O Animal da Floresta" de Thiago de Mello:

De madeira lilás (ninguém me crê)

se fez meu coração. Espécie escassa

de cedro, pela cor e porque abriga

em seu âmago a morte que o ameaça.

Madeira dói?, pergunta quem me vê

os braços verdes, os olhos cheios de asas.

Por mim responde a luz do amanhecer

que recobre de escamas esmaltadas

as águas densas que me deram raça

e cantam nas raízes do meu ser.

No crepúsculo estou da ribanceira

entre as estrelas e o chão que me abençoa

as nervuras.

Já não faz mal que doa

meu bravo coração de água e madeira.

Por Dilma Roussef

Visite a pagina da Dilma.

21 de abril de 2010

Brasília 50 anos


Brasília completa hoje (21/04) 50 anos da sua inauguração oficial. São cinco décadas de realizações e polêmicas. O BA faz uma singela homenagem a Capital Federal e compartilha três matérias especiais sobre os 50 nos de Brasília. A primeira é o infográfico do blog do Planalto, a segunda uma reportagem reportagem especial do Portal Uol e a terceira um especial do jornal Correio Braziliense.

A Guerrilha do Araguaia

Militantes desaparecidos durante a campanha militar no Araguaia em 1974 - Foto de arquivo O Globo

Guerrilha do Araguaia foi um movimento guerrilheiro existente na região amazônica brasileira, ao longo do rio Araguaia, entre fins da década de 1960 e a primeira metade da década de 1970. Criada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), tinha por objetivo fomentar uma revolução socialista, a ser iniciada no campo, baseada nas experiências vitoriosas da Revolução Cubana e da Revolução Chinesa.

Combatida pelas Forças Armadas a partir de 1972, quando vários de seus integrantes já haviam se estabelecido na região há pelo menos seis anos, o palco das operações de combate entre a guerrilha e os militares se deu onde os estados de Tocantins, Pará e Maranhão faziam divisa. Seu nome vem do fato de se localizar às margens do rio Araguaia, próximo às cidades de São Geraldo do Araguaia e Marabá no Pará e de Xambioá, no norte de Goiás (região onde atualmente é o norte do estado de Tocantins, também denominada como Bico do Papagaio).

Estima-se que o movimento era composto por cerca de oitenta guerrilheiros sendo que, destes, menos de vinte sobreviveram, entre eles, o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), José Genoíno, que foi detido pelo Exército em 1972, ainda na primeira fase das operações militares. A maioria dos combatentes, formada principalmente por ex-estudantes universitários e profissionais liberais, foi morta em combate na selva ou executada após sua prisão pelos militares, durante as operações finais, em 1973 e 1974. Mais de cinquenta deles são considerados ainda hoje como desaparecidos políticos.

Desconhecida do restante do país à época em que ocorreu, protegida por uma cortina de silêncio e censura a que o movimento e as operações militares contra ela foram submetidos, os detalhes sobre a guerrilha só começaram a aparecer cerca de vinte anos após sua extinção pelas Forças Armadas, já no período de redemocratização.

No início de 1972 o governo descobriu a existência da guerrilha e soube disso por informantes diferentes, sem que se possa precisar qual foi o primeiro. Em novembro de 1971, dois guerrilheiros, Pedro Albuquerque e sua mulher, fugiram da área, desistindo da campanha. Em janeiro de 1972 ele foi preso em Fortaleza, no Ceará, e o CIE conseguiu o fio da meada que levava à guerrilha. (Pedro, porém, sustentou ao longo dos anos que seus torturadores já conheciam a estrutura no Araguaia).

A outra informação veio de São Paulo. A mulher do guerrilheiro Lúcio Petit da Silva, um dos irmãos Petit, contraiu hepatite e tuberculose na selva. Saiu do Araguaia em fins de 1971 grávida e com um problema por curetagem mal feita, sendo levada até Goiânia para tratamento. Deveria voltar mas fugiu do hospital e desembarcou em São Paulo atrás da família.

Juntando as informações recebidas, cruzando os dados e mapeando a região, o governo localizou a área e estimou o efetivo da guerrilha. Em março de 1972, agentes da polícia federal passaram por Xambioá perguntando por forasteiros. Como havia outros pequenos focos subversivos por toda a Amazônia, apesar de avisada a guerrilha achou que aquilo não lhe dizia respeito. Em abril, sob o comando do general-de-divisão Viana Moog e do comandante e general paraquedista Hugo Abreu, tropas do Exército Brasileiro entravam no Araguaia.

Operação Papagaio

Em 21 de abril de 1972, os militares começaram a entrar na região, entre Marabá e Xambioá, primeiro com uma pequena equipe de cinco homens, um grupo de batedores do CIEx chefiado pelo major Lício Maciel - que trazia consigo como prisioneiro Pedro Albuquerque e logo em seguida com um batalhão de 400 homens acantonado em cada cidade. Bases foram sendo instaladas no interior e em agosto o total chegava a 1500 homens. Mascarando suas intenções reais, a notícia espalhada era que se tratava de uma manobra do IV Exército, cuja sede ficava em Recife, a 1600 km dali. Dentro dessa massa de soldados da infantaria regular, estavam homens do CIEx e paraquedistas, cuja missão era destruir a guerrilha. Era o início da primeira das três fases da campanha militar, a Operação Papagaio, com três pequenas operações de coleta de informação e levantamento da área em seu bojo antes da chegada do grosso da tropa: "Peixe", "Ouriço" e "Olho Vivo".

Postos de controle foram montados na Transamazônica e na Belém-Brasília e uma base aérea aberta em Xambioá. O posto de comando foi instalado numa casa de telhado azul, às margens do rio Itacaiúnas. Os primeiros ataques a bases da guerrilha não conseguiram capturar ninguém, foram achados apenas materiais usados pelos guerrilheiros. Com a presença do exército, a guerrilha sumiu na floresta. Para muitos deles, o sentimento era de que "havia chegado a hora".

A "hora", no entanto, pegou o PCdoB de surpresa, destruindo o capital inicial de qualquer força de combate de guerrilha, que é pegar seu adversário de surpresa. Contando com 71 homens e mulheres, espalhados em três destacamentos na mata (A, B e C), a unidade era mal armada. Cada um deles possuía um revólver com quarenta balas e o total do armamento se limitava a 25 fuzis, quatro submetralhadoras - duas de fabricação artesanal - trinta espingardas e quatro carabinas de caça, num total de 63 armas longas para 71 guerrilheiros. Contra isso havia quase dois mil homens com fuzis FAL e submetralhadoras. Além disso, o arsenal da guerrilha não era de boa qualidade e muitas armas emperravam. Uma das guerrilheiras, depois de capturada, testemunharia que para acertar um alvo com seu fuzil numa árvore, precisava mirar três árvores adiante.

Apesar da vantagem, a Operação Papagaio começou mal para os militares. Na tarde de 5 de maio houve o primeiro confronto entre as duas forças. Uma pequena patrulha em busca de informações foi emboscada próxima a um riacho. A guerrilha atacou dispersando a tropa, ferindo um tenente, um sargento e matando o cabo Odílio Cruz Rosa, da 5ª Companhia de Guardas de Belém. Seu corpo ficou uma semana no mato, sendo recolhido já em estado de decomposição, porque a guerrilha — destacamento C, comandado por Osvaldão — impedia o pequeno efetivo militar disponível na área de chegar ao local. Em 1973-74, na terceira e última campanha, por esse motivo os militares passariam a adotar a mesma prática, deixando insepultos na mata os corpos de guerrilheiros abatidos.[5]:114 Num novo choque, mais um soldado morto e um sargento ferido. Vendo o que acontecia, o guia "China", caboclo da região arregimentado pelo Exército, temendo a represália posterior entrou no mato, se escondeu por dois dias e desapareceu do Araguaia: "Resolvi cair fora daquela guerra. Se eu não morresse ali iam me matar depois. Os soldados não entendiam nadinha de mato".

Mateiros e guias locais não-simpatizantes dos guerrilheiros eram citados em relatórios da Aeronáutica explicando o porque das dificuldades das tropas regulares na floresta: "fazem muito barulho, deixam muitas pistas, só se deslocam em estradas e picadas e usam muito helicóptero, fazendo com que a guerrilha saiba de antemão de sua aproximação".

A maior vitória inicial, entretanto, não foi notada. Com o ataque e o cerco do exército, ele manteve fora do Araguaia o comandante-em-chefe João Amazonas ("Cid") e Elza Monnerat ("Dona Maria"), organizadora geral da estrutura da guerrilha, que chegando de São Paulo com novas instruções e novos militantes — uma delas, Rioko Kayano, presa em Marabá, conheceria na cadeia e viria a ser a mulher de José Genoíno — foram obrigados a retornar da rodoviária pela vigilância e pressão do exército em toda área, sem conseguir entrar na mata.

Nesta primeira operação, o exército conseguiu localizar e infligir danos a apenas um dos destacamentos, o C, 25% do total de combatentes. A soma de mil cruzeiros era oferecida aos caboclos por informação sobre os "paulistas" na época, dinheiro suficiente para comprar um bom terreno. Vários foram assim localizados, presos ou mortos. O primeiro a cair foi "Jorge", denunciado por um mateiro. Bergson Gurjão Farias era um ex-estudante de química na Universidade Federal do Ceará e viria a ser o primeiro desaparecido no Araguaia. Emboscado por uma patrulha de paraquedistas, foi metralhado. Seu corpo foi pendurado numa árvore de cabeça para baixo e sua cabeça chutada pelos soldados. Mais dois seguiram o mesmo caminho, Kleber Lemos da Silva, o economista "Carlito" e "Maria", a única mulher entre os irmãos Petit, Maria Lúcia Petit da Silva, ex-professora de 22 anos, morta em tocaia com um tiro no peito pelo camponês a serviço dos militares, João Coioió. Foi enterrada em Xambioá em sepultura anônima, envolta num paraquedas e com a cabeça coberta com um plástico (Sua ossada, descoberta em 1991, foi identificada por peritos da Unicamp em 1996. É um dos dois únicos guerrilheiros mortos cujo corpo foi encontrado e identificado.)

A colaboração dos caboclos da região não veio, porém, apenas do oferecimento de dinheiro. As Forças Armadas entraram na área como uma força de ocupação. Comerciantes, mascates e vendeiros acusados de comercializar com a guerrilha foram presos, junto com um padre que incomodava o prefeito e um lutador de circo, este porque tinha cabelos grandes. Um fazendeiro capixaba que chegava no Araguaia para tomar posse de uma terra recém-comprada foi preso e jogado por três dias num buraco na terra coberto com uma tampa de madeira, dentro de um acampamento cercado com arame farpado onde já encontravam vários moradores do lugar. Um barqueiro da região, Lourival Paulino, 55 anos, que costumava transportar os guerrilheiros pelo rio, foi preso no fim de maio, enfiado na cadeia de Xambioá de onde saiu morto, com um atestado de óbito de suicídio por enforcamento. Um lavrador que havia dado comida a Osvaldão teve a roça incendiada e nunca mais foi visto.

Entre junho e agosto a ofensiva militar estancou e retraiu-se. Em quatro meses o exército tinha apenas conseguido prender ou matar menos de uma dúzia de militantes, localizar e isolar a área do Destacamento C sem chegar a nenhum de seus refúgios, ter informações desconexas sobre o B, e nunca teve conhecimento do A. Diante disso, retomou a ofensiva em setembro com um efetivo de 3.000 homens e de maneira diferente, tentando conquistar o povo da região e dissociando-se da atitude policialesca da primeira investida. Desembarcaram 2,5 toneladas de medicamentos, médicos e dentistas em Marabá, panfletaram toda a região com mensagens de guerrilheiros já capturados e obrigaram fazendeiros a reconhecerem direitos trabalhistas de seus empregados. Duas vitórias importantes foram conseguidas neste mês, com a morte de João Carlos Haas Sobrinho, o "Dr. Juca", comandante-médico da guerrilha, morto em combate, e Helenira Resende, integrante do destacamento C, procurada em todo país e jurada de morte em São Paulo pelo delegado Sérgio Fleury, executada após captura.

A segunda investida, entretanto, teve resultados gerais ainda piores que a primeira. Programada para durar vinte dias durou apenas dez. No período, a guerrilha atacou uma base do 2º Batalhão de Infantaria da Selva e matou o sargento Mário Abrahim da Silva. A ajuda dos mateiros pagos não produziu nenhuma emboscada de vulto. A FAB jogou bombas incendiárias numa serra careca onde jamais os guerrilheiros tinham pisado. Três áreas da mata sofreram bombardeio com napalm. Uma guerrilheira começava a criar fama no campo. Dinalva Oliveira Teixeira, a "Dina", ex-geóloga baiana que tinha virado parteira na região, sobrevivera a três combates, enfrentara sozinha um grupo de soldados, escapara ferida no pescoço e acertara no ombro o capitão paraquedista Álvaro Pinheiro, filho do comandante da Escola Nacional de Informações, general Ênio Pinheiro. Os militares tinham especial determinação em achá-la, considerando-a uma ameaça à ação militar na região, no intuito de destruir o mito criado entre o povo do Araguaia para desmoralizar a guerrilha.

O disfarce da operação em manobra militar de rotina prejudicou mais do que ajudou. O governo impedia a publicação de manifestos do PCdoB mas o partido distribuía panfletos por todo o Araguaia, que chegaram até o sul. Em 24 de setembro, o jornal O Estado de S. Paulo publicava longa matéria - driblando a censura para notícias de movimentação de tropas - sobre as manobras militares. Dois dias depois a guerrilha brasileira era noticiada no New York Times.

Em outubro de 1972, as tropas retiraram-se. Para a guerrilha, mesmo que ainda operativa, as baixas foram significativas. Entre abril e outubro ela perdeu dezenove combatentes, oito mortos em combate, quatro assassinados depois da captura e sete presos e transferidos para Brasília.O Exército nunca declarou seu número oficial de mortos e feridos. O general Viana Moog deixou a região falando em vitória e declarando que "o êxito da manobra excedeu as expectativas deste comandante". Porém, o estrategista da campanha militar, general Antônio Bandeira, foi transferido da tropa para a direção da Polícia Federal, em Brasília. O capitão Pinheiro, ferido por "Dina", 23 anos depois já como coronel da reserva, listou as deficiências da operação: Uma concepção equivocada nos níveis operacional e tático, falta de unidade de comando, informações deficientes sobre o terreno e o inimigo, falta de continuidade nas operações, e uma grande diversidade de unidades empregadas e deficiências no treinamento.

Com relação ao último tópico assinalado pelo militar, a grande maioria dos soldados empregados no combate à guerrilha nesta operação, foi, na verdade, de recrutas cumprindo o serviço militar obrigatório, garotos de 18-19 anos sem nenhuma experiência. Dona Domingas, uma moradora de São Geraldo do Araguaia, resumiu o quadro: "Eles passaram tudo por aqui chorando, tudo recruta na boléia do caminhão cheio, chorando".

A Operação Papagaio havia terminado. O Exército havia feito a maior mobilização de tropas da sua história desde a campanha da FEB na Itália, maior que três das quatro expedições contra Canudos, usara um efetivo humano na proporção de 50 para 1, e a guerrilha do Araguaia continuava onde sempre esteve. Mas o governo do general Emílio Garrastazu Médici estava determinado a extingui-la. Em 1973, entrariam em cena os soldados profissionais da elite das Forças Armadas. Ia começar a Operação Sucuri.

Operação Sucuri

A retirada das tropas deu nos caboclos e camponeses a impressão de que os "paulistas" tinham vencido a guerra. Um bate-pau que ajudou os militares, encontrado casualmente na mata por três guerrilheiros, foi assassinado a tiros. João Coioió, o matador de Lúcia Petit, juntou a família e desapareceu da região. Outros fingiram-se de ineptos. Com o fim do segredo entre a população do Araguaia sobre quem eram os "paulistas", a guerrilha lançou-se à propaganda, distribuindo folhetos com mensagens socialistas e até fazendo chegar cartas a jornais. Segundo um caboclo, "eles falavam em comunismo, mas ninguém sabia o que era aquilo".

No primeiro semestre de 1973, a guerrilha reorganizou-se. Depósitos de mantimentos e munições foram espalhados em refúgios pela floresta. Recrutaram mais dois combatentes entre os moradores da região e formaram treze grupos clandestinos de apoio, num total de 39 pessoas. Mataram três colaboradores dos militares, um deles um jagunço da região e atacaram um posto da PM na estrada Transamazônica. Cercaram a base, atearam fogo no telhado de palha, renderam os cinco soldados da guarnição e fugiram levando as fardas, seis fuzis e um revólver. Em agosto, a direção da guerrilha "justiçou" (fuzilou), após julgamento na selva, um dos militantes por fraqueza ideológica e adultério. Eram até então um total de 56 homens e mulheres, dos quais seis camponeses. Faltavam roupas, calçados e munição e não houve mais reforços porque o PCdoB já havia sido desbaratado em seis estados. As armas continuavam insuficientes, mas o moral estava alto. A proximidade do período chuvoso no Araguaia, que impedia a movimentação de grandes veículos, lhes dava a suposição de que o exército só voltaria no começo de 1974.

Em abril de 1973 começou a segunda investida, denominada Operação Sucuri. Diferente da anterior, esta foi uma operação de Inteligência. O fracasso em derrotar a guerrilha em 1972 tinha tirado da estrutura convencional do exército o planejamento das operações, agora feito pelo CIE, sob o comando do general Milton Tavares de Souza. Em maio, oficiais, sargentos e cabos do DOI de Brasília e da 3ª Brigada de Infantaria Motorizada, em número reduzido, começaram a se infiltrar na região. Ao invés da ostentação da Operação Papagaio, os militares chegavam disfarçados, a maioria sem documentos ou documentos falsos, vestidos como civis. Um pseudo-agrônomo do INCRA estabeleceu-se em Xambioá com o nome de "Dr. Luchini". Era o capitão Sebastião Rodrigues de Moura, vulgo Curió. Além da guerrilha, agora o exército também tinha codinomes.

Homens com aparência de caboclos abriam bodegas na estrada, tornavam-se comerciantes de alho, compravam roças, abriam padarias, madeireiras de pequeno porte, e um chegou a vender munição para os guerrilheiros para não levantar suspeitas. Tinham sido todos ambientados à vida rural passando um tempo em chácaras ao redor de Brasília. Os novos moradores anotavam as informações do que viam, conseguiam pistas da movimentação pela área, identificavam os guerrilheiros e os camponeses que tinham contato com eles e "Curió" passava de lancha voadora pelo rio no fim de semana recolhendo os relatórios. Entre abril e outubro a guerrilha foi mapeada, nomes catalogados, caboclos e mateiros ligados aos guerrilheiros identificados. Em abril, um fichário sigiloso continha 51 nomes de moradores da região. Em setembro, passou para 400 nomes.

O sigilo de tudo relacionado à guerrilha era justificado pelos militares como "um propósito para negar aos guerrilheiros o reconhecimento de que as Forças Armadas estavam sendo empregadas num problema de defesa interna desta natureza." O general Médici temia que a propagação de notícias de combates desse notoriedade à guerrilha e transformasse o Araguaia numa "zona liberada", como o que ocorria em regiões do Sudeste Asiático.

Terminado o levantamento de Inteligência - Plano de Informações Sucuri Nº 1 - em que até quadros com fotografias e biografias de guerrilheiros e moradores foram montados no centro de operações em Marabá, em outubro de 1973 os soldados voltaram. Diferente da primeira investida com soldados e recrutas conscritos, agora a tropa, sem uniformes, cabeludos e barbudos como os locais, era composta por homens da Brigada Paraquedista, Batalhão da Selva, Batalhão de Forças Especiais e helicópteros da FAB descaracterizados, a elite das Forças Armadas. Em quantidade menor e sem identificação. O segredo de Estado na luta no Araguaia produziu a clandestinidade das ações. Diferente do combate à luta armada nas cidades, não houve inquéritos policiais-militares, nem denúncias formais, nem sentenças judiciais. A ordem era não fazer prisioneiros, e prisioneiros não seriam feitos. Tinha início a terceira e última investida militar no Araguaia, a Operação Marajoara.

Operação Marajoara

Em 7 de outubro de 1973 a tropa voltou ao Araguaia. Um efetivo menor, cerca de 400 homens, disfarçados e sem uniforme mas com grande quantidade de armamento, que eram deixados em vários povoados da área ocupada pelos guerrilheiros. Alguns deles chegavam escondidos em caixotes ocos dentro de caminhões de transporte de madeira. Para os locais, eram funcionários da "Agropecuária Araguaia" e da "Mineração Aripuanã".

Chegaram prendendo moradores. Lavradores e pequenos comerciantes foram levados para prisões em Xambioá e Marabá. Alguns colocados em buracos abertos em clareiras com grade em cima. Em Tabocão, onde havia dezessete homens, foram todos presos e relatos de tortura começavam a aparecer: "Moço, tinha nego lá que tava azul que nem carne roxa." Antes das refeições os presos eram colocados em fila, nus, e obrigados a cantar "É um tal de soca soca, é um tal de pula pula"; quem errasse a letra, apanhava. Um camponês, de quem se suspeitava saber informações dos guerrilheiros, foi colocado num pau de arara em cima de um formigueiro, com o corpo lambuzado de açúcar e comido pelas formigas até confessar o que sabia.

Nas duas primeiras campanhas os caboclos eram convencidos muitas vezes a colaborar com os militares em troca de prêmios em dinheiro. Na Operação Marajoara a escolha era outra. Mais de 20 se tornaram guias do exército. "Zé Catingueiro", um caboclo local, nos meses anteriores colaborava com os guerrilheiros levando mensagens deles aos locais convidando-os a se juntarem ao grupo. Com a chegada da tropa, meses depois matou a guerrilheira "Cristina", Jana Moroni. O matuto Ângelo Lopes de Souza, 40 anos, conhecia bem a guerrilha e os lugares por onde andavam. Levado para o campo de arame farpado montado na base de Bacaba, passou um mês preso. Recebeu proposta de guiar os militares e aderiu: "Tinha certeza que se não aceitasse seria morto". Um lugarejo, o sítio Água Boa, em São Domingos do Araguaia, foi totalmente incendiado.

A chegada do CIEx e das tropas de elite na região decretou um toque de recolher voluntário entre os moradores. Ninguém saía de casa à noite. A estratégia militar de intimidação provocou adesões aos dois lados; a eles, pelo medo, e aos guerrilheiros, para fugir dos militares, incluindo meninos alunos das aulas de alfabetização de Jana Moroni e Maria Célia Correa, a "Rosa", ex-bancária carioca e estudante de Filosofia na UFRJ.

Entre outubro de 1973 e outubro de 1974 a guerrilha foi sistematicamente exterminada. Pequenos grupos de combate adentravam a selva com mais poder de fogo cada um deles que todos os guerrilheiros juntos. Os oficiais e sargentos carregavam um relatório, chamado de "Normas Gerais de Ação - Plano de Captura e Destruição", que trazia a identificação de guerrilheiros a serem abatidos por prioridade. Os integrantes da chamada Comissão Militar da Guerrilha deveriam ser os primeiros a ser eliminados. No dia de natal de 1973, houve a primeira grande vitória dos militares, com a morte, numa emboscada, do comando militar guerrilheiro. Maurício Grabois, o chefe combatente do PCdoB foi morto junto com seu genro, Gilberto Olímpio Maria, o "Pedro", e mais três combatentes.

A partir daí a guerrilha perdeu a condição de força militar organizada, dividindo-se em colunas dizimadas aos poucos, num período de seis meses. De um lado, tornou-se uma caçada humana; de outro, uma fuga pela vida. Helicópteros sobrevoavam a floresta com alto-falantes oferecendo rendição aos guerrilheiros; quem aceitava era assassinado. Osvaldão foi morto pelo mateiro "Piauí", liderando uma patrulha. Foi degolado e seu corpo transportado pela floresta, pendurado pelas pernas numa corda amarrada a um helicóptero. "Piauí" ganhou uma gleba de terra de presente do exército e viveu da fama. Morreu na miséria em 1993 e seu sepultamento foi pago pelo governo. "Sônia" morreu em confronto com uma patrulha, emboscada na beira de um rio, e antes de ser metralhada feriu os dois comandantes da patrulha, o major Licínio e o capitão Curió. Pedro Alexandrino, o "Peri", encontrado sozinho na mata apenas com um garrucha e um quilo de sal, levou um tiro a cabeça e, transportado para a base de Xambioá, teve seu corpo chutado pelos soldados até a intervenção de um oficial exigindo respeito pelo inimigo morto. Dinaelza Coqueiro, a "Mariadina", presa depois de denunciada por camponeses, levada à Curió na casa de telhado azul, cuspiu-lhe na cara e morreu fuzilada sentada numa clareira.

Vários outros, através do depoimento de testemunhas, foram presos e executados. A temida "Dina" foi presa em agosto de 1974 junto com Luiza Garlippe, enfermeira paulista e comandante médica do que restava da guerrilha; as duas foram assassinadas. Os dois irmãos Petit até então sobreviventes desapareceram. Antônio de Pádua Costa, o "Piauí", ex-estudante de astronomia no Departamento de Física da UFRJ que havia assumido o comando do principal destacamento da guerrilha após a morte de Grabois, foi preso depois de um luta corporal na mata com o sargento José Vargas Jiménez - codinome na selva "Chico Dólar" - entregue vivo ao CIEx e hoje é um desaparecido político.

Com o exército calculando que o número total de guerrilheiros restantes não fosse maior do que vinte, as tropas começaram a ser retiradas nos primeiros meses de 1974, deixando apenas alguns homens do CIE e do Batalhão de Operações Especiais. Em seu lugar, foram formadas pequenas patrulhas de caçadores chamadas de Grupos Zebra. Compostas de mateiros e militares, especialmente sargentos e cabos, adentraram a selva por meses caçando os guerrilheiros sobreviventes desgarrados. Vários foram mortos assim e recompensas financeiras pagas. Para identificação de guerrilheiros mortos, os militares os fotografavam antes de enterrá-los na mata. Mais de 40 foram fotografados. Quando não havia uma câmera disponível, cortava-se o polegar direito, a mão inteira do cadáver ou mesmo a cabeça. Em outubro de 1974, a última sobrevivente foi encontrada, descalça e mancando no mato. Era Walkíria Afonso Costa, a "Walk", ex-estudante de Pedagogia da UFMG. Levada à Xambioá, foi executada em 25 de outubro de 1974.

Documentos encontrados anos depois, constantes no arquivo da Câmara dos Deputados e liberados para consulta pública, mostram ordens detalhadas de oficiais da Marinha, um deles o comandante-geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Edmundo Drummond Bittencourt, ainda em setembro de 1972, para a eliminação dos guerrilheiros capturados. Em 2009, o Major Curió revelou que as Forças Armadas executaram 41 guerrilheiros no Araguaia depois de serem presos vivos.

De todos os integrantes da guerrilha que atuavam no Araguaia no início da Operação Marajoara, apenas dois escaparam: Ângelo Arroyo, morto dois anos depois em São Paulo, no episódio conhecido como Chacina da Lapa e Micheas Gomes de Almeida, o "Zezinho do Araguaia", que, acompanhando Arroyo na travessia do Maranhão e do Ceará para escapar da área de conflito, desapareceu por mais de vinte anos, sendo encontrado em Goiânia em 1996 depois de viver em São Paulo com outra identidade, e ainda hoje vivo.Do lado dos militares, o número estimado de mortos é de dezesseis.

Operação Limpeza

No início de 1975, com a guerrilha já exterminada, as Forças Armadas deram início a uma operação de ocultação de todos os fatos acontecidos no Araguaia, diante da política de sigilo absoluto determinada pelo governo, agora do general Ernesto Geisel. Chamada de Operação Limpeza, o objetivo era apagar os rastros da luta e dos corpos deixados para trás, enterrados pela selva. Aproximadamente 60 guerrilheiros haviam sido mortos, cerca de ⅔ deles assassinados após captura e tortura.

Documentos foram queimados, acampamentos desmontados e os corpos retirados de suas covas, muitas delas rasas, e queimados. Suely Kanayama, a "Chica", morta em fins de 1974 num confronto com militares em que levou mais de cem tiros, tinha sido enterrada na base da Bacaba (hoje Vila Santana). Seu corpo foi desenterrado, enfiado num saco plástico, embarcado num helicóptero junto com outros e levado até o alto da Serra das Andorinhas – que passou a ser conhecida também como Serra dos Martírios após o episódio – onde foi queimado entre pneus velhos encharcados de gasolina. A operação durou cerca de dez dias, com corpos sendo desenterrados e transportados nos helicópteros. Por causa do cheiro da decomposição, os pilotos usavam máscaras contra gases e lenços encharcados de perfume. Relatos também indicam o transporte em barcos de sacos contendo restos para a região conhecida como "inflamável", a parte mais funda do rio Tocantins, perto de Marabá.

Nos anos seguintes, vieram à tona registros de sucessivas operações de encobrimento na região, atingindo inclusive os vivos, caboclos que conheciam os guerrilheiros e tinham o hábito de falar muito. Mesmo muitos anos depois, no período inicial da redemocratização no país, há registros dessas atividades, feitas por militares disfarçados de parentes, ainda retirando ossos de locais determinados e dissolvendo-os em ácido, com os fragmentos enterrados em outros lugares ou jogados nos rios da região.

De parte do governo brasileiro, Ernesto Geisel foi o único presidente a falar, superficialmente, sobre o assunto, numa mensagem enviada ao Congresso, em 15 de março de 1975, onde dizia que houve tentativas de se organizar "bases de guerrilheiros no interior desprotegido e distante", em "Xambioá-Marabá, ao norte de Goiás e sudeste do Pará" e que todas tinham sido "completamente reduzidas". Depois disso houve apenas a instalação de uma comissão no Congresso que não chegou a nenhum resultado e os militares, oficialmente, nunca quebraram o silêncio sobre a luta no Araguaia.

Legado

Assunto tabu mesmo entre os militares, os fatos relativos à guerrilha foram envoltos num véu de silêncio por muitos anos e mesmo hoje, quando vários livros foram escritos sobre o episódio, inclusive por militares, mas nenhum deles endossado por fontes governamentais, a versão oficial do conflito pelas Forças Armadas e pelo extinto regime militar é desconhecida. Alguns livros e reportagens tiveram acesso a documentos oficiais descobertos, mas as Forças Armadas nunca se pronunciaram oficialmente sobre eles. 

Nos anos posteriores, mesmo ainda durante a ditadura militar, parentes e organizações de direitos humanos começaram a busca pelos desaparecidos. Já em 1980, familiares dos mortos percorriam a região do Araguaia em busca de informações. Em 1982, no governo João Figueiredo, 22 parentes de guerrilheiros instauraram um processo contra a União, pedindo que a Justiça exigisse do Exército documentos comprobatórios das mortes para que fossem providenciados atestados de óbito. Em 1991, por conta própria, parentes começaram escavações no Cemitério de Xambioá, o que resultou no encontro e posterior identificação - em 1996 - dos ossos da guerrilheira Lúcia Petit, a primeira ossada de guerrilheiro identificada por DNA. No mesmo ano da identificação dos restos de Lúcia, uma nova ossada foi achada em Xambioá. Em 2009, foi identificada com sendo do guerrilheiro Bergson Gurjão Farias, morto em 1972 durante a primeira fase de operações, a Operação Papagaio. São os dois únicos casos de recuperação de ossos e identificação positiva até hoje.

Após a redemocratização, entidades de parentes das vítimas e de direitos humanos passaram a pressionar os sucessivos governos e a Justiça por informações sobre os guerrilheiros desaparecidos e a localização de seus restos. Em 1995, depois de duas décadas de silêncio oficial, familiares, através da organização internacional Human Rights Watch e do Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL) enviaram petição à Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), pela intervenção junto ao governo brasileiro pelo direito à informação.

Em julho de 2003, a 1ª Vara Federal do Distrito Federal ordenou a quebra de sigilo das informações militares sobre a Guerrilha do Araguaia, dando um prazo de 120 dias à União para que fosse informado onde se encontram sepultados os restos mortais dos familiares dos autores do processo, assim como rigorosa investigação no âmbito das Forças Armadas brasileiras. Em agosto, a Advocacia-Geral da União apelou da sentença que determinava de abertura dos arquivos, embora reconhecesse o direito dos autores de tentar localizar os restos mortais de seus familiares desaparecidos. O governo de Luís Inácio Lula da Silva criou em 3 de outubro uma comissão interministerial para localizar restos mortais. Esta comissão solicitou os documentos, sendo informada de que os mesmos não existiam. Depois disto, após passar pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal, o processo voltou à Justiça de primeira instância para a fase de cumprimento de sentença. O processo está sob apreciação da Juíza Federal Solange Salgado.

Em abril de 2009, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA) que cuida da observância dos direitos humanos nos países pertencentes à organização, abriu uma ação contra o governo brasileiro por detenção arbitrária, tortura e desaparecimento de 70 pessoas - entre guerrilheiros, moradores da região e camponeses ligados à Guerrilha do Araguaia durante a ditadura militar brasileira.

Advogado chama de “farsa” eleição da OAB/CE para vaga de desembargador


Com artigo intitulado “A farsa da eleição direta na OAB para o quinto constitucional”, o advogado Deodato Ramalho faz uma série de provocações à cúpula estadual da entidade.

Na elaboração das propostas que seriam apresentadas à categoria dos advogados, que de fato o foram, para a eleição de 2003, propus mudança nas regras de eleição do quinto constitucional em nossa OAB/CE. Pela proposta, faríamos eleição direta para a escolha dos 6 (seis) nomes que seriam encaminhados ao TJCE para fins de elaboração da lista tríplice, a ser submetida ao governador, como manda a Constituição Federal. No meu entender, enquanto a CF não for modificada para escoimar essa escolha das nefastos interferências do poderpolítico e econômico. A proposta foi integralmente acolhida por todos os integrantes da chapa.

Ganhamos a eleição. Coerente com o compromisso assumido com a categoria, apresentei no Conselho (como vice-presidente) a proposta de resolução estabelecendo os novos critérios, pelo qual cada advogado(a) votaria em 6 (seis) nomes, cabendo ao Conselho tão somente homologar a vontade soberana das urnas. Contudo, a maioria do Conselho resolveu acolher o voto-vista do então Conselheiro Dr. Juvêncio Vasconcelos Viana, que, modificando a proposta original, estabeleceu uma eleição mista, ou seja, a categoria passou a eleger 12 (doze) nomes, cabendo a cada advogado(a) votar em apenas um nome. Dos 12 (doze) mais votados o Conselho elimina 6 (seis), formando-se, então, a lista sêxtupla. A decisão foi um erro. No processo eleitoral da OAB/CE de 2009 o tema voltou a ser debatido. Sempre insisti nisso.

Tanto a nossa chapa, encabeçada pelo colega Erinaldo Dantas, quanto a chapa liderada pelo advogado Valdetário Monteiro, assumiram o compromisso de deixar o meio-termo, de abandonar a farsa de democracia direta anteriormente adotada, ou seja, cada eleitor(a) votaria em 6 (seis) nomes, cabendo ao Conselho homologar os 6 (seis) mais votados.

A atual direção da OAB, cuja eleição ainda se encontra pendente de julgamento do recurso apresentado por conta da manifesta fraude no pleito na subseção do Crato, traiu o compromisso. Para “dourar a pílula” e esconder a traição, a direção alterou pela metade a resolução, permitindo que cada eleitor(a) vote em 3 (três) nomes, permanecendo a artimanha da escolha de 12 (doze) nomes pela categoria, delegando-se ao Conselho a atribuição de escolher os 6 (seis) que comporão a lista sêxtupla. Simulacro de democracia. Farsa anunciada. Manutenção do compadrio e dos esquemas, que desmoralizam a escolha do quinto constitucional. Não por acaso, a experiência tem demonstrado, para o quinto não chega advogado de efetiva militância nos fóruns, que sente as dores da categoria e dos jurisdicionados. Mui de reverso, se tem fortalecido as posições de estado.

Hoje, após muito refletir, cheguei à conclusão que essa simulação de democracia não nos serve. Mais ainda: não podemos compactuar com isso. Não podemos legitimar esse sofisma. As cartas já estão e estarão sempre marcadas, caso os advogados e advogadas cearenses não tenham o direito de realmente decidir quem irá compor a lista sêxtupla.

Por essa razão, submeto aos colegas que partilham dessa militância, dessas lutas, que tem como objetivo primordial a democratização plena do poder judiciário, cujo começo, evidentemente, passa pela democratização da nossa própria entidade, a OAB, a proposta de participarmos desse processo sem apresentação de nenhum candidato, ou seja, vamos participar do processo, porém para denunciá-lo como fraudulento, enganador e consagrador de uma farsa.

Por Deodato Ramalho, Advogado licenciado – OAB/CE nº. 3645