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| O senador Cid foi reeleito com votação superior a do governador Elmano (Foto: Reprodução/Instagram) |
Cid Gomes (PSB) foi um dos maiores vitoriosos destas eleições no Ceará, não apenas pelo resultado individual. Ele alcançou 3.033.562 votos, 157.989 a mais do que o governador reeleito Elmano de Freitas (PT). Na disputa familiar, levou a melhor sobre os irmãos Ciro, Lúcio e Ivo. Um graduado governista disse reservadamente: “Ciro não quer ganhar a eleição, quer derrotar o Cid. E o irmão quer a mesma coisa”. O PSB, partido comandado na prática pelo senador, elegeu a maior bancada estadual e empatou com o PL no posto de maior representação federal.
Ouvi a frase-título da coluna de um membro graduado da aliança de Ciro, quando Cid confirmou a candidatura ao Senado, depois de muito relutar.
O interlocutor apontava como o grupo de Elmano e do senador Camilo Santana (PT) caminhava para isolar e enfraquecer Cid. Numa eleição sem competitividade, os candidatos a senador teriam sido certamente outros. Quem sabe Júnior Mano (PSB) e Eunício Oliveira (MDB) — este último afetado também por questões de saúde. Eventualmente, José Guimarães (PT) e Chagas Vieira (PDT). Chiquinho Feitosa (Republicanos) teria mais chances.
O governismo no Ceará é sempre muito forte. Ciro conseguiu um feito ao se tornar uma ameaça real. Ele tem prestígio próprio e formou uma ampla aliança. Qualquer outro candidato teria provavelmente enfrentado uma derrota contundente.
Caciques querem eleições fáceis. Para as bases, porém, é interessante haver adversários difíceis. Os apoiadores são valorizados. A ajuda de Ciro a Cid ocorreu nesse sentido.
Enquanto Camilo foi governador, agiu como espécie de agregado ao grupo Ferreira Gomes. Cid seguia a comandar as operações políticas. A partir da candidatura de Elmano, a mesa de comando passou para Camilo.
Desde 2023, quando Evandro Leitão deixou o PDT e não seguiu Cid, mas se filiou ao PT, o senador protestou contra a centralização em torno do partido de Lula. No fim de 2024, chegou a deixar a base do governo. A operação na tentativa de segurá-lo envolveu a presidência da Assembleia Legislativa.
Com uma candidatura de oposição com chances reais de vitória, ainda mais do irmão, a relevância de Cid cresceu muito. O pleito não foi fácil. Se o senador estivesse do lado contrário, ou ao menos ficasse neutro, o desfecho poderia ser diferente. Dessa maneira, foi intensamente cortejado para se candidatar. Lula entrou pessoalmente na conversa.
Em 2022, Cid se afastou da campanha, segundo disse, para não afrontar Ciro. Não satisfez o irmão, longe disso, e ainda perdeu bastante prestígio entre os aliados, por se sentirem abandonados e por considerá-lo omisso.
Uma campanha inesperadamente acirrada pela reeleição de Elmano o recolocou no jogo.
Força
política
Em 2024, ouvi de Ciro a avaliação sobre a estratégia de Cid, considerada errada pelo irmão mais velho. Apontou, com razão, as pequenas prefeituras como alicerce da influência do senador. Conforme entendia, são prefeitos dependentes demais do governo. Em caso de enfrentamento do líder político com o Palácio da Abolição, a tendência deles seria ficar com a máquina.
De
fato, a força de Cid funciona enquanto ele é aliado do governo. Como oposição,
ele tenderia a minguar.
Por outro lado, na condição de apoiador de uma administração cuja oposição é competitiva, ele ganha prestígio.
Polo
alternativo
Já
há algum tempo, a relação entre Cid e Camilo enfrenta estremecimentos. O
senador reeleito teve voz na composição de toda a chapa, desde assegurar o
próprio Elmano como candidato até emplacar Luizianne Lins (Rede) como candidata
a senadora. Os movimentos de Cid representam a construção de um contraponto ao
camilismo dentro da base. Afinal, Luizianne também não tem boa relação com o
senador petista.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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