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Entre os participantes do encontro estavam Ana Elisa, deputada federal eleita por Minas Gerais, de 21 anos e com mais de 2 milhões de seguidores no Instagram (Foto: Ricardo Stuckert) |
Em um dos vídeos, Lula convoca eleitores para comparecerem às urnas no dia 25: "Temos 33 milhões de pessoas que não compareceram para votar. É importante, nesse segundo turno, você comparecer para votar. Porque você tem família, porque você tem filho, porque você tem neto, porque você tem o Brasil para você tomar conta", ressaltou.
"É muito importante você levantar e votar, porque você vai decidir o destino do seu país. Por isso eu quero lhe pedir, me acompanhe nessa votação. Se eu tenho 80 anos e vou levantar para votar, ainda sou candidato, por que você não pode levantar? Você, sua mulher, seu pai, sua mãe, levante e vá votar, para que a gente possa ganhar essas eleições."
Também nessa quarta-feira, Lula se reuniu, em Brasília, com parlamentares jovens e nomes com forte atuação nas plataformas digitais. Entre os participantes do encontro estavam Ana Elisa (PT), deputada federal eleita por Minas Gerais com mais de 500 mil votos.
Ana Elisa, de 21 anos e com mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, participou das conversas para ajudar na estratégia de divulgação e engajamento dos conteúdos petistas nas redes.
Após o evento, Ana Elisa comentou que tanto Lula quanto o vice-presidente Geraldo Alckmin concordaram com as recomendações para "viralizar" nas redes. "A gente acabou de fazer um vídeo, então ele (Lula) está muito esforçado. Ele quer ganhar a eleição e sabe que agora nossa batalha é nas redes sociais", afirmou ao Correio a deputada eleita.
Questionada sobre o que mudaria na comunicação do chefe do Executivo, Ana Elisa afirmou que alterações devem focar no formato dos vídeos. "A comunicação do presidente não fazia esse formato de vídeo (selfie) que ele fez hoje (nessa quarta-feira). E é um formato de vídeo que dá certo nas redes sociais. Então, a partir de agora, o presidente vai fazer vídeo para nós, para as redes sociais, formato de rede, formato de TikTok", ressaltou.
Mais cedo, Lula se reuniu, no Palácio da Alvorada, com o marqueteiro da campanha e ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira; o secretário-geral da Presidência, Oswaldo Malatesta; e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT). A ideia de Lula gravar um vídeo no formato selfie partiu de Fonteles.
Lula, porém, admitiu resistência ao formato. Segundo ele, a mulher, Janja da Silva, e integrantes de sua equipe o cobram para produzir mais conteúdo para as redes. "Eu tenho que falar nas redes, no celular. Eu não uso celular porque tenho a mão para fazer outras coisas", argumentou. O presidente disse ainda que prefere falar apenas o essencial e que não gosta de fazer selfies. "Mas o pessoal enche o saco. Faz uma selfie, eu não gosto. Hoje (nessa quarta-feira), eu resolvi fazer", declarou.
Em um dos vídeos que postou nessa quarta-feira, em formato de selfie, Lula convocou eleitores a irem às ruas conversar sobre propostas e evitar o que chamou de "retrocesso".
Durante o encontro, o presidente também criticou a maneira como conteúdos negativos circulam nas redes sociais. Para Lula, integrantes de seu grupo político precisam reagir ao que consideram informações falsas, em vez de permitir que o conteúdo se espalhe.
"O importante é a gente dizer a que veio. E quando vir a notícia ruim, não é passar para a frente, é detonar. Porque a facilidade que eles têm de contar mentiras é muito grande", afirmou.
Desabafo
No evento com influenciadores, Lula fez um desabafo. Afirmou que a campanha deste ano foi a "menos organizada" de que participou desde sua primeira candidatura à Presidência, em 1989.
"Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade; poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989", declarou Lula, referindo-se ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, que também coordena a campanha.
A transmissão do ato foi disponibilizada pelo PT para os jornalistas, que não puderam entrar na reunião, mas acabou sendo retirada do ar enquanto o presidente fazia as críticas. Parte das declarações foi divulgada posteriormente.
A cobrança pela reorganização ocorreu depois de Lula admitir que esperava um desempenho diferente no primeiro turno. Durante o discurso, o presidente afirmou ter estranhado não apenas o fato de não ter vencido a eleição na primeira etapa, mas também de não ter terminado à frente do adversário.
Parte da expectativa, segundo Lula, estava relacionada à comparação entre seu terceiro mandato e os dois primeiros governos. O presidente afirmou que uma parcela do eleitorado esperava que a atual gestão repetisse o desempenho registrado entre 2007 e 2010, período que classificou como marcado por crescimento econômico e aumento do consumo.
Lula também afirmou que o Brasil não voltou a crescer acima de 3% depois que deixou a Presidência, em 2010. A avaliação sobre a campanha, porém, foi direta: na visão do próprio presidente, a estrutura eleitoral poderia ter aproveitado melhor sua capacidade de comunicação e mobilização.
A declaração colocou Edinho Silva no centro da cobrança feita por Lula. Ao mesmo tempo, a campanha passou a incorporar outros nomes às discussões sobre os próximos passos da candidatura, entre eles a líder do governo no Senado, Tereza Leitão (PT-PE), e os ex-ministros Rui Costa (PT-BA) e Camilo Santana (PT-CE), incluído na coordenação ao lado de Edinho.
Publicado
originalmente no portal Correio Braziliense
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