29 de junho de 2013

Artesãos cearenses investem na fabricação de artigos com fibras vegetais

Samuel Costa trabalha com artesanato em palha desde 1998, agora pretende ampliar atuação para o comércio eletrônico - Tatiana Fortes

Matéria-prima abundante e de renovação natural. Esses são os principais atrativos para aqueles que decidem ingressar na confecção e comércio dos produtos à base de palha como baús, caixas, chapéus, bolsas e outros itens. A artesã Raimunda Lúcia de Oliveira, que trabalha com a confecção de bolsas, cestas e arranjos para cozinha usando a fibra da carnaúba é um exemplo de quem decidiu viver exclusivamente da atividade com as palhas.
Ela começou como integrante da Associação Comunitária das Mulheres Artesãs do município de Itaiçaba, em 1998. Cinco anos depois, com a experiência que adquiriu na associação, resolveu criar uma empresa de mesmo segmento de mercado,. “Nossa produção é destinada a diversos estados. Já vendemos para São Paulo, Paraíba e Rio Grande do Norte”, afirma. Atualmente a fábrica de Lúcia emprega cerca de 60 artesãs.

Segundo ela, parte das peças está sendo direcionada para o período do Natal e festas de final de ano. “Estamos trabalhando desde abril para dar conta dos pedidos”, garante. De acordo com a artesã, os produtos devem abastecer o mercado consumidor do estado de São Paulo.

Para Maria Alves de Souza, de Caririaçu, que tem como principal matéria-prima a palha do milho e fabrica bolsas e chapéus, há expansão do comércio dos itens no Ceará durante o segundo semestre. No entanto, ela diz que a produção depende da sazonalidade da palha. “Alguns vendedores chegam a comercializar a matéria até 50% acima do valor original”, diz. Mas ela não desanima: “esperamos vender bem no final do ano”. Segundo ela, de acordo com a demanda, os pedidos levam em média de 30 a 40 dias para serem confeccionados.

Para a gerente de produção artesanal do Centro de Artesanato do Ceará (Ceart), Lúcia Sá, a confecção de materiais com fibras vegetais de baixo custo contribui para a penetração dos itens no mercado. “Os itens chegam a ser baratos por conta da disponibilidade das palhas no estado”.

Contudo, a principal barreira para que os produtos com base nas fibras vegetais ganhe o comércio internacional está na forte concorrência com os “similares” chineses. “Temos dificuldades de entrar em mercados do exterior por causa do produto chinês”. Ela fala que a fibra fabricada no país asiático desfavorece a concorrência frente aos produtos cearenses.

Antes de o artesão começar a vender as peças, Lúcia Sá destaca que os profissionais devem conhecer as técnicas de beneficiamento da palha – com o objetivo de melhorar a qualidade da fibra e agregar mais valor ao produto. “Os artesãos precisam saber qual o tipo material que vão trabalhar, devem fazer cursos de capacitação e só depois desenvolver a produção”.

Os interessados em conhecer o artesanato de palha cearense podem conferir uma gama de produtos confeccionados com fibras de bananeira, milho, buriti, carnaúba no Showroom Brasil Original que acontece na Loja Ceart (anexo ao edifício-sede do Sebrae) até o dia 31/07. No total, 48 grupos de artesãos do Ceará participam do projeto. A feira é aberta ao público das 9 às 21h, de segunda a sábado.

Com informações O Povo Online

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