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| A força política de Cid Gomes não se expressa na disputa por cargos, mas na capacidade de organizar o campo político (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom) |
O crescimento do PSB no estado indica uma inflexão relevante. Em um sistema político marcado pela fragmentação e pela volatilidade das siglas, a capacidade de estruturar uma base orgânica - ancorada em prefeitos, lideranças regionais e quadros intermediários - torna-se um diferencial competitivo. Esse tipo de expansão não opera apenas na lógica eleitoral imediata, mas na construção de densidade política, elemento central para sustentar projetos de médio prazo.
Nesse contexto, Cid Gomes atua como operador desse processo. Sua força política não se expressa prioritariamente na disputa direta por cargos, mas na capacidade de organizar o campo político, produzir convergências e antecipar movimentos.
Trata-de um padrão de liderança que desloca o foco do protagonismo individual para a engenharia das alianças - e é justamente aí que reside sua centralidade. A leitura desse movimento ganha ainda mais relevância quando se observa o precedente recente. Em 2022, a ausência de Cid no centro do processo eleitoral produziu efeitos concretos sobre a capacidade de coordenação do seu campo político.
A fragmentação, a dificuldade de construção de consensos e o tensionamento interno evidenciaram o custo de um vácuo de articulação. Em política, espaços não ocupados tendem a ser rapidamente disputados - e, naquele momento, o preço foi alto. A movimentação atual pode ser lida, portanto, como uma resposta estratégica a esse episódio e, claro, ao cenário de concorrência com outros grupos políticos.
Ao se posicionar de uma maneira enfática, retomar o protagonismo na organização de um campo político e investir na expansão do PSB, Cid sinaliza não apenas uma intenção de influência, mas uma tentativa de evitar a repetição de um cenário de dispersão. O PSB, sob a influência de Cid, passa, portanto, a ocupar um espaço híbrido e estratégico. Dialoga com o governo, mas preserva autonomia suficiente para negociar posições e influenciar o desenho eleitoral não apenas de 2026.
Essa
ambivalência, longe de ser um problema, constitui um ativo em cenários de
incerteza. E, nesse processo, Cid Gomes reafirma um tipo específico de poder:
aquele que não se limita a participar do jogo, mas que atua diretamente na
definição das regras. E, ao contrário de 2022, tudo indica que, desta vez, Cid
Gomes não pretende assistir ao jogo do lado de fora.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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