17 de maio de 2026

Calendário de Ciro, tempo do governistas, por Guálter George

Do ponto de vista oficial quer dizer que o barulho de ontem não deve condicionar qualquer decisão a ser tomada mais adiante (Foto: Fábio Lima)

Irreversível mesmo só será quando houver a convenção do PSDB e a candidatura for oficializada através dela, coisa para acontecer entre 20 de julho e 5 de agosto próximo dentro do que prevê o calendário eleitoral.

O fato, porém, é que Ciro Gomes deu mais alguns passos importantes ontem para tornar real aquilo que muitos (inclusive eu) acreditavam que não aconteceria: colocar o nome à disposição do cearense com direito a voto para escolha do governador do Ceará que toma posse em 1º de janeiro de 2027.

Pode-se dizer que o processo pré-eleitoral ganha um novo ritmo a partir de agora, com Ciro colocando seu bloco na rua, abraçado aos bolsonaristas e a um conjunto de outras lideranças que até outro dia rejeitava com toda força de sua oratória. E vice-versa.

Nesse sentido, há necessidade de entender o que farão os governistas em relação à estratégia que montaram para o desafio de tentar reeleger Elmano de Freitas (PT) tendo diante de si uma candidatura que se apresenta competitiva e, mais do que isso, lidera as pesquisas feitas agora. A pergunta que tem sido feita entre eles é: apressamos o passo para acompanhar o ritmo oposicionista ou permanecemos na toada que nos interessa?

A decisão tomada para agora foi de não mudar nada do que estava programado. Se assim for, ninguém espere da aliança que governa o Ceará hoje, e se articula para permanecer os próximos quatro anos no poder, qualquer movimento nos próximos dias que pareça uma resposta ao barulho que Ciro e seus aliados fizeram ontem na forma de lançamento de uma pré-candidatura.

Do ponto de vista oficial quer dizer que o barulho de ontem não deve condicionar qualquer decisão a ser tomada mais adiante, no prazo legal, servindo, no máximo, para induzir o ritmo.

Como disse à coluna o deputado estadual Guilherme Sampaio (PT), líder do Governo na Assembleia, "a nossa melhor campanha é governar bem, como temos feito, com o governador preocupado em fazer as entregas prometidas no programa de campanha de 2022".

Para ele, o "outro lado decidiu se valer de uma boia de sobrevida, o Ciro, porque com suas bravatas e fake news ameaça trazer de volta os retrocessos que vivemos no Ceará com o governo federal anterior (de Jair Bolsonaro)".

Esse é o discurso, mas, na prática, tem-se nos últimos dias o senador petista Camilo Santana elevando o tom de voz nas críticas e ataques ao bloco oposicionista, acusando-o de não ter proposta e, claro, explorando os eventos negativos da semana envolvendo Flávio Bolsonaro, ao qual o palanque de Ciro estará ligado, queira ele ou não.

Claro que se trata de uma mudança de postura sutil, que inclusive se vale da factualidade de um noticiário que expôs o pré-candidato do PL pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, gerando a oportunidade que não poderia ser desperdiçada pelos governistas e ainda não se pode vincular diretamente à realidade local.

É analisar os próximos dias para entender até que ponto o calendário que funciona na cabeça de Ciro e aliados exigirá dos adversários que sigam a mesma pegada. Se assim o for, definitivamente, no Ceará a campanha já está na rua e, pelo que indicam os primeiros sinais, será na base do salve-se quem puder.

O futuro do passado

É preciso reconhecer: seria impossível alguém, seis, sete meses atrás, projetar que o lançamento de uma candidatura de oposição no Ceará juntaria, no mesmo palanque, figuras como Ciro Gomes, Tasso Jereissati (com Renata), Mauro Benevides Filho, Heitor Férrer, Capitão Wagner, Roberto Cláudio, André Fernandes, Alcides Fernandes para citar apenas alguns nomes que em passado muito recente mudariam de calçada na hipótese de se cruzarem na rua.

É uma arrumação que parece já ter dado certo para campanha eleitoral, mas, em caso de vitória, acomodar todas essas diferenças para tocar um governo vai ser um desafio. Ciro, pelo menos, está consciente disso, imaginando-se que já projete bem o que enfrentará caso seja levado de volta ao Abolição pelo eleitor.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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