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| O debate foi promovido pela TV Jangadeiro em parceria com o portal de notícias UOL (Fotos: Heron Targino) |
O confronto foi promovido pela TV Jangadeiro, afiliada do SBT no Estado, em parceria com o portal de notícias UOL. Na oportunidade, os candidatos discutiram sobre recursos hídricos e levaram o tema para as relações com o presidente Lula (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ciro destacou a própria trajetória e questionou Elmano sobre o Cinturão das Águas não estar concluído após 16 anos.
"Elmano, como ministro da Integração que eu fui do presidente Lula, eu fiz o projeto, licenciei e iniciai as obras de transposição do rio São Francisco".
O atual governador dizendo que o ex-ministro "fugiu para Paris" quando Fernando Haddad (PT) foi para o segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL) em 2018.
"É que você não tem noção que em 2018, em vez de ajudar a eleger o Haddad, fugiu para Paris e deixou o Bolsonaro se eleger. E o Bolsonaro não ajudou com a obra e deixou atrasar. Eu tenho alegria de dizer ao cearense que a obra está sendo concluída", disse Elmano. O candidato da oposição não respondeu sobre o assunto.
Primeiro
bloco
Ciro iniciou citando suposto déficit orçamentário do Estado, com previsão de aumento com a atual Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO): "Isso está acontecendo gastando mais do que arrecada pela primeira vez em 32", garantiu.
"O Estado do ceará e outros seis estados são os únicos estados com a nota CAPAG A+, é a maior nota de equilibrio fiscal que um estado pode ter. Quando Ciro foi governador, Ceará nunca teve essa nota no máximo nota B. Comigo, em três anos seguidos, o Ceará é CAPAG A+", rebateu Elmano. Nesse sentido, Elmano questionou como o Estado estaria efetuando obras e antecipando salário de servidores se estivesse com tal déficit.
"Se você faz um puxadinho na sua casa e faz isso com dinheiro tomado e emprestado de um agiota, claro que o puxadinho é um investimento. Mas o agiota vai lhe matar, como hoje, associados com as facções, os agiotas estão perseguindo e matando mais da metade dos cearenses que estão com o nome sujo no SPC", sustentou Ciro. Elmano voltou a reafirmar que tem contas equilibradas e menor dívida líquida dos últimos três anos.
Violência
política de gênero
Elmano questionou a atualização do julgamento do tucano envolvendo violência de política de gênero contra a prefeita de Crateús e ex-senadora, Janaína Farías. "Nos debates anteriores, você ficou questionando que não era condenado, essa semana saiu nova decisão, confirmando sua condenação por violência política de gênero. Eu o pergunto: você vai pedir desculpa? Vai reconhecer a sua violência polítca que você sabe que foi condenado?".
Ciro, no entanto, voltou a reafirmar que o caso não está em trânsito em julgado. Candidato pelo PSDB, ele prometeu "resolver o problema das delegacias das mulheres", implementando unidades em todos os municípios cearenses. Ciro ainda reforçou "deboche e degradação" com a segurança pública, argumentando suposta falta de pessoal da polícia.
O atual governador ainda propôs como medida resolutiva o Patrulhamento Maria da Penha, para acompanhamento às vítimas que denunciarem agressão e para fiscalização do potencial agressor. Ciro, por sua vez, afirmou que não aguardará "burocracias" judiciárias, argumentando que colocaria em prática medidas considerada mais efetivas como "botão de pânico" disponibilizado para vítimas.
Serviço
de saúde
Iniciando os questionamentos novamente, Ciro indagou Elmano sobre serviços de saúde: "Por que seu governo não se tocou da existência de 150 mil famílias atípicas no Ceará [...] Só um laudo já resolveria parte do importante do problema porque a mulher, a mãe poderia receber o BPC".
Elmano, contudo, garantiu que ampliaria atenção primária de recursos para a área, inspirado na política do espaço Girassol da Prefeitura de Fortaleza.
Ciro ainda rebateu, afirmando que faria multirão de laudos e não replicaria "a experiência picareta de Evandro Leitão aqui (em Fortaleza), que é o genro dele roubando na Saúde, para fazer o que há de melhor no mundo o Iprede". "Eu vou replicar o Iprede em todas as regiões do Ceará".
"Veja quem verdadeiramente ataca o Evandro, que não está no debate, o Evandro não tem condição de falar e você sabe que o Evandro é uma pessoa séria, mas ele (Ciro) tem essa mania de atacar de todo mundo, derespeitando a honra e a moral das pessoas, por isso que tem tanto processo", disse o governador ao prometer a ampliação da rede regionalizada.
Taxa
do lixo
Elmano também relembrou que Ciro Gomes foi defensor da implementação da Taxa do Lixo em Fortaleza, por meio do aliado e ex-prefeito José Sarto (PSDB). Ciro, por sua vez, salientou a medida com base no Marco Regulatório do Saneamento Básico. Elmano argumentou que Ciro não negou que foi favorável e prometeu ainda zerar o IPVA para motoristas e entregadores de aplicativos.
Base
e oposição
Mais uma vez, na disputa entre os candidatos do Abolição, Ciro e Elmano divergiram sobre acusações de alinhamento tucano com o bolsonarismo. Elmano havia apresentado o tema de segurança hídrica e garantiu que a obra andou com ajuda do presidente Lula (PT) e criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O petista colocou Ciro como aliado de Bolsonaro. Elmano ainda argumentou que, após ser derrotado em 2018, Ciro "fugiu para Paris".
Ciro
rebateu que não teria "usurpado" a obra, bem como criticou a
nacionalização da disputa: "Eu não tirei a obra do Lula, agora todo o
processo que temos aqui, se ele conseguir falar, ele não tem jeito de não falar
de Lula e Bolsonaro, porque não tem o que dizer de ele próprio".
Segundo
Bloco
Racha
e traição política de 2022
O segundo bloco, com perguntas formuladas pelo jornalista Carlos Monteiro, o profissional questinou sobre fala do senador Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, que falou de uma suposta "traição" que o tucano o acusa de ter cometido. O jornalista ainda perguntou se Ciro perdoaria Cid eventualmente.
"Eu peço permissão para não responder qualquer tipo de pergunta sobre esse assunto", limitou-se Ciro, ao pontuar que procurou ajuda psicológica sobre o caso.
Já Elmano disse que nenhum nome da cúpula governista era traidor. "O Cid nunca traiu ninguém, o Camilo nunca traiu ninguém, a Izolda nunca traiu ninguém, eu nunca traí ninguém", afirmou sobre o racha entre o PT e PDT que marcou o pleito de 2022 no Estado.
Ciro fez uma crítica ponderada, na qual excluiu o governador das acusações: "Tirando você Elmano, que eu não tenho ouvido falar nada realmente que tenha abonado sua honra [...] ninguém é sério. O seu governo que se rendeu a essa gente é um governo completamente loteado e corrompido", mas pontuou que a ressalva não se dava por "afeto".
Datacenter
Já em relação à política de atração de datacenters no Ceará, o governador alegou aproveitar a "abundância de energia" e defendeu a reutilização de água de esgoto para funcionamento dos equipamentos.
Ciro discordou, apresentando a tese de propaganda "apressada e leviana" dos datacenters. Ciro afirmou que "tudo isso era mentira", "era lobby", "assim como a política ambiental de hidrogênio verde anterior". O petista retrucou ao mencionar a importância do Estado estar aberto para novas tecnologias.
Facções
Na pergunta do jornalista, Ciro foi questionado sobre como acabaria de forma "inédita" com a problemática das facções enfrentada em todo o País.
Ciro trouxe a apresentação da sua estratégia de Cinturão da Segurança, para acabar com os grupos criminosos por etapas até chegar no núcleo das organizações, com a ajuda das denúncias de lideranças locais, como vereadores e cidadãos comuns.
Elmano voltou a acusar que as facções começaram a existir no início do governo de Ciro no Ceará, na década de 1990. O petista pontuou que, com a possibilidade de um novo mandato, fará o Quadrante Seguro, que em tese manteria equipes no território para garantir a segurança de moradores e comerciantes.
"O caminho de matar uma serpente não é atacar o rabo, é atacar a cabeça; e a cabeça é a lavagem de dinheiro intrusa na política, ou seja, vou voltar a falar em Bebeto do Choró e o apoio do Elmano a Bebeto do Choró", acusou no bloco.
Petista ironizou: "Ele apoiava o governo Cid, tinha aumento de violência; ele apoiava o governo Camilo tinha aumento de violência, aí o problema (na época) era o (Capitão) Wagner, o problema era o motim, o problema era o candidato a senador dele".
Disputa
nacional
O jornalista Carlos Monteiro levantou ainda a dúvida sobre possível contradição em Ciro ter chapa formada por candidatos de direita, mas não declarar apoio presidencial aos candidatos à Presidência, como Lula e Flávio Bolsonaro (PL).
"Eu fui candidato a presidente do Brasil quatro vezes, duas delas disputando contra Lula e Bolsonaro [...] Tem uma coleção de críticas minhas contra um e a outro; não é porque eu seja contra um ou outro propriamente, mas é porque eu sou a favor de um outro modelo", respondeu Ciro, trazendo o foco para a disputa local e a reunião da oposição cearense.
"Você devia ter a coragem de assumir, você está de mão dadas, abraçado com o bolsonarismo, você votou no André Fernandes em Fortaleza contra o campo democrático, você traiu o campo democrático e chamou Lula de chefe de facção", disse Elmano sobre eleição para Prefeitura de Fortaleza em 2024.
Educação
Elmano afirmou que teria como meta transformar o ensino médio do Estado em profissionalizante, além da carga horária integral. A resposta de Ciro ao tema trouxe acusações de supostos "cabos eleitorais" inseridos no sistema, mas o candidato não conseguiu concluir tese devido ao esgotamento do tempo.
Terceiro Bloco
O petista iniciou os questionamentos da terceira rodada sobre qual seria a proposta na área de empregos do plano de governo do tucano. Ciro defendeu projeto de desenvolvimento regionalizado, localizando as potencialidades de profissionalização nos muncípios cearenses.
Ao responder, tucano afirmou que Ceará teria a terceira pior média de salário de carteira assinada do País, além de segunda pior renda média de todo Brasil para quem está na informalidade.
No cenário, Ciro apostou em projeto de reestruturação para redução de dívidas e do fundo rotativo para as famílias endividadas. Sob a própria gestão, Elmano negou "caos" com empregabilidade cearense e apresentou contratação de funcionários por fábricas no Interior, viabilizadas, segundo ele, pelo apoio do Governo do Ceará.
Ciro prolongou a rodada de perguntas no mesmo tema e citou que o Ceará perdeu empresas importantes, mencionando a Guararapes "que estava há 40 anos conosco", sendo sediada na Capital. "Não dá pra mentir para o nosso povo [...] que o datacenter vai empregar o cearense, são 300 pessoas [empregadas] na melhor hipótese".
Elmano reforçou que durante a gestão construiu "viabilidade" para profissionalização dos cearenses - citou a construção do novo campus do ITA no Ceará- e condenou o que chamou de "ataque irresponsável" do tucano.
Universidades
Na segunda pergunta, Elmano questionou qual seria a política de Ciro para o ensino superior. Tucano se disse pioneiro da interiorização das universidades e reafirmou a continuidade da política, caso conquiste o mandato.
O candidato petista satirizou a fala do adversário, reiterando que pelo menos 74 mil alunos da rede públicas entraram em universidades durante o governo vigente. "Ele fala que eu quero inventar a roda, e eu fico achando que o Ciro vai dizer que foi ele que fez a arca de Noé, porque tudo foi ele. Nada foi o Tasso [Jereissati], nada foi o Lula, isso tudo foi ele".
"O cara tá aí, há quase quatro anos e nem se quer restaurante universitário na maior parte existe, os estudantes universitários estão reclamando disso", disse Ciro, que ainda sustentou "choque de pedagogia nova", com segmentos de Inteligência Artificial e produção de conteúdo.
O debate de aproximadamente 1 hora e 30 minutos foi finalizado ainda com nova rodada de pergunta sobre segurança, na qual Ciro falou sobre os índices de violência e acusou existir uma proximidade do ex-prefeito foragido Bebeto do Choró com a ala governista.
A resposta do atual governador discorreu sobre o aumento da Polícia Civil e Polícia Militar. Elmano reforçou que Ciro esteve por 16 anos junto a atual cúpula governista e não desaprovava os gestores.
Considerações
finais
Já nas considerações finais, em que cada candidato recebeu dois minutos para se direcionar ao público, ambos agradeceram a oportunidade, mas também alfinetaram os projetos oponentes.
Ciro apresentou segurança, saúde e desenvolvimento como foco e declarou: "Aqui ficaram muito claras as posições: uma pessoa, que é o Elmano, quer que você mantenha tudo como está, e eu proponho que o Estado do Ceará precisa mudar. A mudança que eu proponho tem eixo".
O petista fez argumentação similar na comparação. "Essa eleição você vai escolher entre dois projetos. O candidato da oposição não reconhece nenhum avanço", disse com ênfase na rede de hospitais regionaliza. "Ele não precisa, se ele precisasse, ia entender que é um avanço".
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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