11 de outubro de 2026

Lula cobra explicação de Flávio Bolsonaro sobre o "tesouraço"

Ao lado de Cadu, Lula participou de ato de campanha em Natal (Foto: Ricardo Stuckert)

No penúltimo fim de semana antes do segundo turno das eleições presidenciais, que será realizado no dia 25, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de uma passeata com aliados, em Natal, e fez duras críticas ao adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vinculando as medidas de cortes de gastos ao fim de programas e benefícios.

O petista atribuiu ao filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) o risco de cortes de programas de benefícios sociais e do fim de investimentos na região. "Se essa gente ganhar a eleição, tudo aquilo que foi construído no Nordeste será destruído. Será o fim do Farmácia Popular, dos institutos federais, do financiamento das bolsas, do Minha Casa Minha Vida. Será o fim do desenvolvimento do Nordeste", afirmou Lula durante a passeata. Ele também buscou vincular a Flávio o fim dos programas Bolsa Família e Pé-de-Meia.

O mesmo foi reiterado pelo aliado de Lula que disputa o segundo turno pelo governo do Rio Grande do Norte, Cadu de Lula (PT). "O Nordeste está dizendo ao Brasil que não vamos retroceder. O Nordeste vai continuar sendo prioridade no Brasil", disse o petista. Em uma disputa acirrada de primeiro turno potiguar, Cadu alcançou 36,16% dos votos, contra 36,94% de Alysson Bezerra (União).

O presidente afirmou que o adversário ainda precisará explicar como conseguirá cortar R$ 250 bilhões do Orçamento. Ele vinculou à ideia do "tesouraço" prometido pelo senador à redução dos direitos dos mais vulneráveis economicamente. "É preciso que a sociedade comece a se perguntar onde é que vai ser esse corte, porque não conheço ninguém da elite brasileira que governou esse país e que teve coragem de cortar dos ricos, banqueiros, empresários, sistema financeiro, fazendeiros e empresários. Sempre corta do pobre", afirmou.

O petista relembrou as pautas de governo citando o fim da escala de trabalho 6x1 e a proibição das bets, além da defesa da soberania brasileira e da proteção das riquezas naturais. Lula também tentou mobilizar os eleitores contra a abstenção e pediu que aliados convençam seus parentes idosos a irem votar no dia 25 de outubro.

"É importante convencer as pessoas que não foram votar a votar. Tem muita gente com mais de 70 anos que acha que não pode mais votar porque tem 70 anos. Tem que dizer a eles que, se o Lula tem 80 e é candidato, por que você tem 70 e não pode mais votar?", afirmou. "Tem que levantar do sofá pensando no seu filho, neto e ir votar para compensar a luta que você fez para conquistar a democracia nesse país."

O evento contou com a presença de aliados de Lula do Nordeste, como os governadores reeleitos da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP); do Piauí, Rafael Fonteles (PT); da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT); e do Ceará, Elmano de Freitas (PT).

Após o encerramento da passeata, Lula retornou a Brasília para descansar e não teve agenda pública. O presidente deve reunir-se, hoje, com integrantes da equipe econômica e aliados para tratar de um pacote de medidas para o trabalhador autônomo. "Decidir algumas coisas para ajudar pequenos e médios empresários, pessoal do Super Simples e do MEI. Vamos anunciar algumas medidas importantes", adiantou o petista.

Este domingo será marcado pela mobilização nacional descentralizada do "Bora Lula" em diversas cidades. E o presidente também estará em São Paulo, hoje. Ele participa de manifestação na Avenida Paulista, a partir das 10h.

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

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