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| Samba-enredo conta a história do presidente Lula desde seu nascimento, em Garanhuns, até seus mandatos como chefe do Executivo (Foto: Ana Júlia Agra) |
O samba-enredo intitulado "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil" conta a história do presidente desde seu nascimento em Garanhuns (PE) até os seus mandatos como chefe do Executivo federal.
Lula assistiu ao desfile do camarote da prefeitura do Rio de Janeiro, ao lado do prefeito, Eduardo Paes (PSD), da primeira-dama Janja da Silva do vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Alexandre Padilha (Saúde); Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), Anielle Franco (Igualdade Racial), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Macaé Evaristo (Direitos Humanos), Camilo Santana (Educação), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (BNDES).
O desfile reúne três mil componentes, divididos em 25 alas e cinco carros alegóricos. Os personagens representados estão o próprio Lula, a mãe do Petista, Dona Lindu, a ex-presidente Dilma Rousseff, e o ex-presidente Michel Temer. O desfile começou com uma encenação do impeachment de Dilma e Bolsonaro caracterizado como Bozo.
A primeira-dama Janja da Silva desistiu de participar da apresentação. Ela desfilaria no quinto carro alegórico, que encerrou o desfile, chamado Vale uma Nação, Vale um Grande Enredo. É a primeira vez que um presidente em exercício é homenageado. O destaque do carro, que reuniu aliados de Lula, foi a cantora Fafá de Belém.
O quinto carro traz uma estátua gigante de Lula, além de símbolos da arquitetura de Brasília. Segundo documento que registra o enredo da escola de samba, Lula é "o mais importante político da história recente brasileira".
Restrições
ao desfile
O desfile ocorre em meio a críticas da oposição sobre possível propaganda eleitoral antecipada no desfile, com questionamentos, inclusive, na Justiça.
O Planalto orientou, inclusive, que os ministros e aliados com cargos públicos não desçam para a avenida nem participem do desfile nos carros alegóricos, como planejado inicialmente, justamente para evitar questionamentos na Justiça.
A proibição não valeria, porém, para a primeira-dama, que não ocupa cargo público. Ainda assim, ela optou pela cautela e não subiu no carro alegórico.
O desfile
A Comissão de Frente da Niterói retratou vários momentos da carreira política de Lula, como sua ascensão à Presidência e a passagem de poder à Dilma Rousseff (PT).
Também foi mostrado o ex-presidente Michel Temer (MDB) "roubando" a faixa presidencial de Dilma. Depois, Lula é preso, Temer passa a faixa ao palhaço Bozo — personagem famoso dos anos 1980 —, que estaria representando Jair Bolsonaro (PL).
Posteriormente, é visto o retorno de Lula ao Poder e a prisão do palhaço, ao lado do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Foram retratadas ainda alas com exaltações a programas sociais do governo petista.
O presidente foi referenciado nos carros alegóricos em vários
momentos, como, por exemplo, criança; em um robô mecanizado, por seu tempo como
metalúrgico; e já mais velho, como chefe do Executivo de fato.
Propaganda eleitoral antecipada
A principal questão na homenagem é quanto a possíveis implicações eleitorais e jurídicas, principalmente a de propaganda eleitoral antecipada. Lula é pré-candidato à reeleição.
O samba-enredo virou alvo da oposição. O Partido Novo, por
exemplo, chegou a acionar o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para pedir que a
presença de Lula fosse barrada. A legenda também pedia proibição de publicações
nas redes sociais e da entoação do samba-enredo.
A ação pede a condenação do presidente por suposta propaganda eleitoral antecipada. A controvérsia ainda ganhou novo capítulo após a divulgação de que a escola recebeu cerca de R$ 1 milhão em recursos públicos para o desfile.
Na última quinta-feira (12), o TSE decidiu que impedir previamente a realização do desfile configuraria censura prévia. Os ministros avaliaram que não podem julgar um ilícito antes de ele ocorrer. O processo, no entanto, continuará em tramitação, e Lula poderá ser punido caso a Justiça Eleitoral entenda que houve irregularidade durante o evento.
A propaganda eleitoral é caracterizada por manifestações que
buscam influenciar a vontade do eleitor e angariar votos para determinado
candidato. Pela legislação, ela só é permitida a partir de 5 de julho do ano
eleitoral.
A oposição reagiu ao desfile.
O senador Sergio Moro (União-PR) disse que "hoje o brasileiro assistirá algo inédito na Sapucaí".
"O dinheiro do contribuinte utilizado por uma escola de samba, a Acadêmicos de Niterói, para fazer propaganda eleitoral antecipada para o Lula. Coisa de caudilho populista. Caminhamos para uma democracia de fachada. Nunca antes na história do país viu-se tanta roubalheira master e desrespeito à lei", prosseguiu o ex-juiz.
O presidente do partido Novo, Eduardo Ribeiro, disse que quando Lula registrar sua candidatura ajuizará uma ação requerendo a cassação de seu registro e a inelegibilidade por causa do desfile.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) disse que "para registrar um fato histórico: quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial, não opinião".
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) declarou que "se esse desfile fosse em 2022: Bolsonaro estaria preso, busca e apreensão no PL, apreensão no barracão da escola, apreensão dos carros alegóricos e inelegibilidade vitalícia".
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), citou que
"chega a ser constrangedor e inacreditável o que foi feito no Carnaval do
Rio. Levarei esse crime para a Justiça".
Publicado
originalmente no Correio Braziliense
Leia também:
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