18 de maio de 2026

Aliados negam que apoio do PL a Ciro signifique adesão a Flávio Bolsonaro

Durante entrevista após o evento em Fortaleza, Ciro evitou falar sobre Flávio Bolsonaro (Foto: Fábio Lima)

Com a oficialização da pré-candidatura do ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará, que contou com o apoio de lideranças do PL cearense, o questionamento sobre se Ciro apoiaria o senador Flávio Bolsonaro (PL) como pré-candidato a presidente na disputa nacional surgiu em meio a manifestações de adversários da base do governo Elmano.

Durante entrevista coletiva após o evento de pré-candidatura ao Abolição, o tucano evitou responder a fundo sobre eventual ligação com Flávio Bolsonaro. "Eu não vou me distrair com isso", disse Ciro após questionamento sobre uma declaração do senador Camilo Santana (PT), que apontou que Ciro teria "acordo" com Flávio no Ceará.

Segundo o tucano, a aproximação com o PL no âmbito estadual "não é para explicar contradições de fora do contexto".

Ex-ministro da Educação, Camilo disse, nesse sábado, 16, que Ciro Gomes teria feito um "acordo" com Flávio Bolsonaro, em vídeo divulgado em suas redes sociais. Segundo o senador petista, o ex-aliado "resolveu se juntar com o bolsonarismo cearense".

Ao jornal O POVO, o presidente da federação União Progressista no Ceará, Capitão Wagner (União Brasil), avaliou que a associação de Ciro Gomes a Flávio Bolsonaro é "uma tentativa desesperada do governo de tentar colar o Ciro no Flávio, sendo que não há nenhuma sinalização nesse sentido".

Wagner, que é ex-candidato ao Governo, apontou uma inconsistência na narrativa governista. Para o dirigente, é evidente que o Governo "está perdido, tentando criar uma narrativa que não vai colar".

"O Governo tem que definir se o Ciro é adversário dos Bolsonaro ou se é aliado, porque ele próprio espalha vídeos antigos. A gente tem notícia de disparos em massa que não podem ser de outra origem que não dos adversários que estão no Governo", argumentou Wagner.

O ex-deputado federal ainda mencionou os cartazes com o rosto de Ciro e Flávio lado a lado com os dizeres "Ciro é Flávio, Flávio é Ciro. Juntos pelo Ceará", vistos em alguns locais próximos ao espaço do evento desse sábado, realizado no bairro Conjunto Ceará, na periferia de Fortaleza.

Conforme Wagner, os cartazes não foram produzidos pela equipe e aliados do pré-candidato ao Governo do Estado. "O que a gente viu ontem (no sábado) foram alguns cartazes que foram colocados de forma suspeita nas proximidades do evento, que ninguém sabe quem providenciou", disse Wagner.

O ex-secretário da Casa Civil do governador Elmano de Freitas (PT), Chagas Vieira (PDT), publicou a imagem de um dos cartazes mencionados em seu perfil na rede social X.

O colega de partido de Ciro Gomes e deputado estadual Felipe Mota (PSDB) também considera que os cartazes teriam sido "plantados". Mota esclareceu que apoia a unificação da oposição, votando em Ciro e no deputado estadual Alcides Fernandes (PL) para o Senado, mas ressalta: "Eu não voto no Flávio Bolsonaro".

O deputado tucano classificou a ênfase dada a essa relação pela base do Governo como "oportunismo" para tentar impor um candidato à presidência a Ciro antes que uma "estratégia nacional" seja definida.

"Sabe o que é que eu vejo? Um oportunismo do Governo de querer conseguir um candidato a presidente para o Ciro Gomes. Deixa que o Ciro ainda vai resolver. Ainda não tem a nossa estratégia nacional", rebateu.

Cid ironiza alianças de Ciro com bolsonaristas: "Deus tá vendo"

O senador Cid Gomes (PSB) ironizou alianças do irmão Ciro Gomes (PSDB) com lideranças do bolsonarismo no Ceará. Questionado sobre esses apoios durante agenda no interior do estado, Cid respondeu: “Deus tá vendo”.

Antes, o ex-governador exibiu cicatrizes que ficaram dos ferimentos deixados pelos disparos de arma de fogo quando avançou com um trator contra policiais amotinados.

Em ato neste sábado, 16, Ciro elogiou Alcides Fernandes, pai de André Fernandes (PL). Deputado estadual, Alcides deve ser candidato ao Senado na chapa encabeçada por Ciro.

Também hoje o PL sacramentou a coligação com o PSDB para a corrida eleitoral deste ano.

Tanto Alcides quanto Fernandes participaram do evento de apresentação de Ciro como concorrente ao Governo.

A tratativa do PL local com Ciro contraria interesses da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que mantém críticas ao ex-presidenciável por seus ataques contra Jair Bolsonaro.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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