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| Inventar mentiras sobre adversários sempre foi uma ferramenta política, mas a "indústria" das fake news nasceu de uma decisão financeira, não ideológica (Foto: Reprodução/Redes Sociais) |
Nas eleições norte-americanas de 2016, centenas de programadores na cidade de Veles, na Macedônia, criaram sites pró-Trump com notícias inventadas para lucrar com mídia programática. Eles pesquisaram qual grupo tinha maior tendência a acreditar em uma história sem verificar fatos.
Inventar mentiras sobre adversários sempre foi uma ferramenta política, mas a "indústria" das fake news nasceu de uma decisão financeira, não ideológica. Ou seja: audiência é igual a dinheiro e engajamento é a matéria-prima bruta das big techs. Você não precisa, efetivamente, entender de algo; só precisa falar com convicção para que alguém acredite e pague pelo seu produto.
Com o advento dos influencers, técnicas de marketing e fenômenos psicológicos foram usados para o destaque individual. Primeiro, a oferta contraintuitiva. Depois, a dissonância cognitiva. Assim, a Janela de Overton se move: o absurdo de ontem torna-se o conteúdo "autêntico" de hoje.
O "guru da masculinidade" não busca salvar homens; ele identifica um nicho de mercado carente. O hate é bem-vindo porque amplia o alcance. O objetivo final não é a verdade, é o "topo do funil". Esse modelo de "hackear" a atenção pelo conflito foi exportado com sucesso total. Do político que grava vídeos gritando no plenário vazio aos gurus de negócios que transformaram a fé em produto, a lógica é a mesma: a agressividade e o absurdo como estratégia de faturamento.
A regulação das formas de monetização digital não é apenas um debate técnico; é a condição fundamental para mitigarmos a desumanização em busca do clique.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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