3 de novembro de 2026

Direita não quer acompanhar os Bolsonaro ao precipício, por Érico Firmo

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já demonstrou não ter intenção de dar murro em ponta de faca por Flávio, assim como Michelle Bolsonaro (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Flávio Bolsonaro (PL) fugiu com medo da prisão e, nos Estados Unidos, declarou-se “presidente eleito”, ousadia sustentada por alguns minutos. Depois, apresentou-se como “líder do Brasil”. A autoproclamação foi o ato seguinte à escapulida, numa amostra do vigor da liderança.

A direita tupiniquim, deixada para trás, ficou perplexa. Até o partido dele reconheceu o resultado. Ao campo conservador, cabe neste momento uma decisão: irá acompanhar Flávio na jornada quixotesca ou jogará conforme as regras da democracia?

Lula à parte, a oposição teve um grande triunfo nas urnas, para a Câmara, o Senado e os governos estaduais. O presidente não será mais candidato e um sucessor terá de ser construído. Até lá, a possibilidade de criar dificuldades para o Palácio do Planalto é considerável. É muito mais auspicioso para os conservadores brasileiros travar o enfrentamento institucional com Lula do que embarcar em questionamento cujos fundamentos são pífios.

Recado

A direita já se deu muito mal ao embarcar na contestação às eleições e às instituições. As prisões, julgamentos e condenações pelo 8 de janeiro não recomendam mais aventura.

Disputa por espaço

O centrão e a direita não bolsonarista tiveram lições nas urnas. Viram-se esvaziados pelo poder de atração do bolsonarismo. O PL não cresceu tomando lugar da esquerda. Avançou sobre outras forças do mesmo nicho. Muitos dos líderes perceberam o custo de seguir o comando da família. Há movimento de reaproximação com o governo Lula em busca de sobrevivência.

Possibilidades

À direita com mandato, não interessa tumulto. Nikolas Ferreira (PL), apesar de ter metido os pés pelas mãos no segundo turno, saiu como maior expoente do espectro político. André Fernandes (PL), no Nordeste, obteve também uma vitória expressiva e tem pré-candidatura a prefeito de Fortaleza com chances não desprezíveis. As perspectivas são muito promissoras para serem colocadas em risco na empreitada dos Bolsonaro.

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, também já demonstrou não ter intenção de dar murro em ponta de faca por Flávio. Assim como Michelle Bolsonaro (PL), eleita pela primeira vez. O tudo ou nada não interessa a ninguém relevante sem o sobrenome Bolsonaro e nem mesmo a alguns da família.

Tempos

Na coluna passada, tratei do reconhecimento dos resultados e da falta dele. No atual nível de incivilidade, é impensável a realidade vivida até 2014, quando Aécio Neves (PSDB), apesar do heterodoxo pedido de auditoria na sequência, telefonou para Dilma Rousseff (PT) na mesma noite e reconheceu a eleição da então presidente. É rito necessário da educação política. Em 2018, Fernando Haddad não saudou Bolsonaro, postura atribuída aos xingamentos do adversário e também ao fato de não saber como seria a reação do eleito na ocasião. No dia seguinte, pelas redes sociais, desejou sucesso. Em 2022 e 2026, o comportamento dos vencidos não foi exatamente mais elegante.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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