![]() |
| Flávio "fugiu" para os EUA após negar intenção de deixar o Brasil (Foto: Reprodução/Redes Sociais) |
Brasil precisa de normalidade. Tranquilidade institucional é necessária. Não há quem aguente confusão dia e noite, gritaria em rede social. A eleição acabou, é hora de tocar a vida, trabalhar, estudar, torcer pro time subir ou não cair. Turbulência atrapalha a política, mas também a economia, atravanca o desenvolvimento.
A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) é ruim por vários aspectos. Aumenta a intranquilidade, é fator de desestabilização. Passa a imagem internacional do Brasil como republiqueta. Isso é obra da família.
A determinação para apreender o passaporte dele um dia após o segundo turno foi negativa nesse sentido — mas os fatos infelizmente mostraram ter sido imperativa. Insuficiente também.
Depois do primeiro turno, o filho de Jair Bolsonaro (PL) fez um discurso incendiário, irresponsável e patético. Agiu para bagunçar e disseminar crise.
Três semanas antes, ele achava que ia ser eleito e dizia: “Vou pacificar este País. Sou a única pessoa com condições para pacificar. Quando um não quer, dois não brigam”. No ano passado, em movimento para tirar o pai da prisão, propôs um “pacote da paz”. Um dos termos era o impeachment de Alexandre de Moraes. Para ele, a conciliação começa com um ataque.
Pacificar coisa nenhuma. Para os Bolsonaro, a paz só é possível quando eles ganham. Se perdem, balbúrdia. Se vencem é baderna também, não por vontade e sim por não haver outra linguagem. O método deles é o tumulto.
O
discurso de fraude ficou vazio
A revolta inicial de Flávio Bolsonaro sobre o resultado logo se mostrou estapafúrdia. O questionamento à prorrogação da votação até as 19 horas se esfarelou diante da constatação de que os sufrágios depois das 17 horas representaram menos de 10% da vantagem de Lula sobre o adversário.
Uma suposta evidência de fraude foi apontada no crescimento de 10 milhões de votos do presidente do primeiro para o segundo turno. Em 2014, Aécio Neves (PSDB) teve 16 milhões a mais em relação ao primeiro, sem a mesma mobilização para reduzir a abstenção.
Flávio achou absurdo estender o horário. Não pareceu indignado por dezenas de ônibus terem deixado de circular, fato pelo qual o secretário de uma prefeitura aliada a ele teve a prisão decretada.
A própria campanha do PL pediu a ampliação do prazo. Porém, queria apenas em alguns poucos lugares. A intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF) foi atabalhoada, mas não justifica anular a eleição.
O candidato derrotado se desmoralizou quando até o partido ao qual é filiado reconheceu a vitória de Lula.
Derrotado,
fraco e covarde
Flávio Bolsonaro esteve perto não apenas de vencer, mas de se tornar um presidente superpoderoso, com capacidade de fazer mudanças profundas na Constituição — ambição confessada por ele mesmo, num gesto de excesso de sinceridade logo abafada.
A candidatura do filho — enrolado em investigações desde antes de o pai tomar posse como presidente — mostrou-se uma anedota, mais um gesto de desrespeito de Jair Bolsonaro com o país que ele proclama amar. A empreitada quase foi bem-sucedida, alimentada pelo antipetismo e pelo fanatismo.
O primogênito de Jair recebeu o voto de uma parcela gigantesca da população brasileira. Saiu eleitoralmente relevante e poderia ser um opositor temível. Optou por um desfecho ridículo para si. Expôs o quanto é pequeno e covarde. Revelou tremenda fraqueza.
Olha
a qualidade de “superpresidente” que o Brasil quase teve.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
Leia
também:
Lula considera "vergonhosa" fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário
A Administração do Blog de Altaneira recomenda:
Leia a postagem antes de comentar;
É livre a manifestação do pensamento desde que não abuse ou desvirtuem os objetivos do Blog.