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| Para o professor de relações internacionais Robson Valdez mobilização dos apoiadores de Lula no segundo turno inspirou os adversários de Trump (Foto: Minervino Júnior) |
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos ingredientes da "onda azul" nas eleições norte-americanas de meio de mandato, que representa uma grande derrota para o presidente Donald Trump. A avaliação é do professor de relações internacionais Robson Coelho Cardoch Valdez, em entrevista ao Correio, ontem, às jornalistas Mariana Niederauer e Sibele Negromonte.
Para Valdez, o resultado no pleito norte-americano está inserido num contexto político internacional. Ele considera que a reeleição de Lula teve repercussão mundial ao demonstrar que a mobilização popular e o engajamento individual podem enfrentar movimentos políticos considerados autoritários.
Valdez avalia que a vitória de Lula foi vista por setores progressistas e por grupos ligados à pauta ambiental como uma forma de resistência. A possibilidade de uma vitória de Flávio Bolsonaro, na avaliação do professor, representava um risco de retrocesso nas políticas ambientais. Nesse sentido, a preservação da Amazônia e o combate às mudanças climáticas também contribuíram para a repercussão internacional do resultado brasileiro.
"Muitas pessoas viram essa vitória do presidente Lula como uma vitória da humanidade, do ponto de vista mais amplo do que representa a Floresta Amazônica para o clima e para o equilíbrio climático do planeta. Acredito que todo esse contexto acabou contagiando, de alguma forma, esses últimos dias de campanha nos Estados Unidos", salienta.
Se a reeleição de Lula teve algum peso na derrota de Trump, os fatores definidores para o resultado das urnas, porém, foram a política imigratória, o aumento do custo de vida e a atuação do governo dos Estados Unidos nos conflitos externos — como no Irã. Na avaliação de Valdez, a política migratória do governo Trump teve repercussão negativa até mesmo entre parte dos eleitores que apoiaram o republicano.
Ele salienta que a atuação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), marcada por abordagens violentas e deportações arbitrárias, contribuiu para ampliar a insatisfação. Além disso, a política tarifária e os conflitos internacionais tiveram impactos sobre a economia norte-americana e o custo de vida da população.
O professor também entende que a retomada da maioria democrata na Câmara e no Senado deve ampliar a fiscalização sobre as decisões do presidente. Tradicionalmente, o Congresso norte-americano exerce papel importante na condução da política externa do país. Com a mudança na composição das Casas, Trump poderá encontrar mais dificuldades para administrar os conflitos nos quais os EUA estão envolvidos.
Embora não haja, até o momento, números suficientes para garantir a aprovação de um eventual processo de impeachment no Senado, Valdez considera que a abertura de investigações e a possibilidade de um procedimento dessa natureza seriam capazes de provocar desgaste político ao presidente. Segundo ele, os democratas podem utilizar esses instrumentos para enfraquecer a imagem de Trump e do Partido Republicano, de olho na disputa à Casa Branca, em 2028.
Petistas
comemoram nas redes
A "onda azul" repercutiu entre parlamentares e senadores brasileiros, sobretudo entre apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — que aproveitaram para ironizar o bolsonarismo e tripudiar sobre a derrota eleitoral de Donald Trump. Nas redes sociais, estiveram entre as mais acessadas as hashtags como EUADidTheL (EUA fizeram o L) e a TheBolsonarosEffect (Efeito dos Bolsonaros), sugerindo que a derrota dos republicanos tem a ver com a presença dos irmãos Eduardo e Flávio Bolsonaro nos EUA, que fugiram do Brasil por alegarem sofrer perseguição política.
A deputada federal Erika Hilton (PT-DF) afirmou que a derrota de Trump foi uma vitória importante para o Partido Democrata. Para ela, o resultado das eleições impacta o Brasil porque ajuda a proteger o país da interferência de Trump e das big techs, acusadas de interferir no processo eleitoral brasileiro.
O deputado federal reeleito Lindbergh Farias (PT-RJ) descreveu o resultado como uma "vitória maiúscula" e disse nas redes sociais que a derrota de Trump é um passo importante para enfraquecer a extrema-direita no mundo.
A deputada federal também reeleita Duda Salabert (PSol-MG), ao celebrar a vitória da oposição de Trump, ressaltou que as eleições de meio de mandato foram marcadas por conquistas históricas, com a primeira mulher indígena eleita para o Senado (a democrata Peggy Flanagan, de 47 anos, pelo estado de Minnesota) e a primeira governadora negra da história dos EUA (a democrata Keisha Lance Bottoms, na Geórgia). Segundo Duda, os resultados representam uma mudança na correlação de forças políticas nos EUA e uma reação àquilo que classificou de "era do retrocesso".
No Instagram, a primeira-dama Janja publicou uma imagem gerada por inteligência artificial na qual a Estátua da Liberdade, símbolo dos Estados Unidos, e o Cristo Redentor, símbolo brasileiro, "fazem o L".
O deputado federal reeleito e criador do Exército do Lula, André Janones (Rede-MG), afirmou que a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está inspirando o mundo inteiro. "A gente está mostrando para o mundo que, sim, nós podemos vencê-los de uma vez por todas!", escreveu em um "post".
A publicação de Janones foi ressaltada pelo ativista do Partido Democrata Isaiah Martin, que utilizou as redes sociais para agradecer ao Brasil por ter "mostrado o caminho" ao celebrar a vitória de aliados nas eleições de meio de mandato nos EUA. Na publicação, Martin escreveu o termo "explode", referência à exortação de Janones na disputa do segundo turno para mobilizar a militância do Exército do Lula.
Com
a confirmação da maioria democrata na Câmara e no Senado norte-americanos,
Martin manifestou o desejo de conhecer o Brasil. E reforçou a defesa, feita na
semana passada, da deportação de Flávio Bolsonaro.
Publicado
originalmente no portal Correio Braziliense
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também:
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