22 de agosto de 2026

Lula e Trump reabrem diálogo para negociar tarifas sobre o Brasil

A conversa foi considerada longa para os padrões de chamadas entre chefes de Estado (Foto: Reprodução/AFP)

O telefonema de uma hora e vinte minutos entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, nessa sexta-feira, reabriu um canal direto de diálogo, em meio à mais grave crise entre Brasil e Estados Unidos, deflagrada por sobretaxas americanas a produtos brasileiros. Nos bastidores do governo, a avaliação é de que a conversa deu um novo impulso às tratativas comerciais, embora ainda não haja expectativa de uma reversão imediata das tarifas impostas a itens nacionais.

A ligação ocorreu em meio à tensão provocada pelas medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos contra as exportações brasileiras. Segundo nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Lula contestou os argumentos usados para justificar as restrições e afirmou que as acusações relacionadas a desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, corrupção, Pix, etanol e trabalho forçado são infundadas.

Ao tratar do tema, Lula argumentou que a manutenção das barreiras prejudica as duas economias. Também sustentou que Brasil e Estados Unidos deveriam preservar os canais de negociação. Trump concordou com a importância da relação comercial entre os dois países e sinalizou que as equipes deveriam voltar a conversar.

Um interlocutor ligado ao governo avaliou que esse foi o principal resultado prático do telefonema: a reabertura da mesa de negociações. De acordo com ele, o objetivo era obter dele um aval para retomar as conversas.

No início da noite dessa sexta-feira, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) confirmou que o titular da pasta, Márcio Elias Rosa, deve se reunir com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, na semana que vem. A conversa representa a retomada das negociações entre os dois países após a aprovação de novas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros e a resposta do governo Lula, que mencionou utilizar a Lei de Reciprocidade Econômica sobre produtos norte-americanos.

Expectativa

A data da reunião entre Elias Rosa e Jamieson Greer ainda vai ser definida pelas equipes dos dois países. "A ligação do presidente Lula e a sinalização do presidente Donald Trump para a retomada das conversas abrem um novo canal de diálogo e reforçam a perspectiva de uma solução negociada, como sempre foi buscado pelo governo brasileiro", destaca, em nota, o Mdic.

Em maio, representantes dos dois países haviam avançado na criação de um grupo de trabalho para discutir a relação comercial, o que não impediu novas investigações e manutenção das tarifas.

A conversa dessa sexta-feira, considerada longa para os padrões de chamadas entre chefes de Estado, terminou com uma sinalização de que os dois poderiam se encontrar diretamente quando necessário. Segundo o interlocutor do governo, Trump deixou claro que os dois têm um canal aberto de comunicação e que não precisam depender exclusivamente das estruturas burocráticas para estabelecer contato.

De qualquer forma, o governo ainda vê com cautela a atuação de outros setores da administração americana. A análise é de que será necessário observar se a nova aproximação produzirá efeitos nos escalões responsáveis pela implementação das decisões.

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

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