30 de setembro de 2026

Lula e Flávio levam disputa sobre Nossa Senhora para a campanha

Lula e Flávio Bolsonaro exibiram imagens da Padroeira do Brasil em atos de campanha (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

O caso que envolve Nossa Senhora Aparecida dominou mais um dia de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos ao Palácio do Planalto. Enquanto o parlamentar voltou a enfatizar — desta vez em nota — que respeita "todas as religiões e formas de expressão da fé", o petista voltou a dar estocadas no rival, acusado de planejar tirar da santa o título de padroeira do Brasil.

"Nesta semana, saíram boatos de que vão querer desfazer a ideia de que Nossa Senhora Aparecida não seja mais padroeira do Brasil. Respeito todas as religiões, a católica, a evangélica, as religiões de matrizes africanas e até os ateus. Agora, na minha presidência, Nossa Senhora Aparecida continuará como padroeira do Brasil. Quem não quiser, que mude de país, porque o Brasil vai continuar cuidando corretamente da fé das pessoas", disse Lula, em discurso em Fortaleza, ao lado do governador do Ceará e candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT).

Considerado estratégico para o PT, o Ceará foi visitado por Lula duas vezes neste mês. A cinco dias das eleições, o presidente encontrou um cenário de disputa acirrada entre Elmano e seu principal opositor, Ciro Gomes (PSDB), na corrida pelo governo do estado.

Além de Fortaleza, Lula esteve em Salvador, para participar de uma caminhada em apoio ao governador da Bahia e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT). No ato, o chefe do Executivo ergueu uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.

As manifestações de Lula e da campanha de Flávio ocorreram dias após a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, motivada por uma desinformação que associou o presidenciável do PL a um projeto de lei, arquivado há quase 20 anos, que teria o objetivo de retirar da santa o título de padroeira do Brasil.

No domingo, Flávio acusou o PT de ter produzido e disseminado a informação, com suposta ajuda de integrantes da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em reação, a entidade repudiou as declarações do candidato do PL. "Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral", afirmou. "A mentira não se combate com outra mentira", acrescentou.

A associação de Flávio com a proposta de tirar o título da santa teria começado após uma declaração do presidenciável, feita no fim de agosto, sobre decretar que "o Brasil é do Senhor Jesus Cristo". A campanha sustenta que o candidato se referiu a uma oração que fará na posse caso seja eleito. O gesto seria uma forma de agradecimento ao povo.

Na nota dessa terça-feira, a campanha do postulante do PL ressaltou que ele "sempre defendeu o total respeito a todas as religiões e formas de expressão da fé". "Flávio fará uma oração antes de ler o termo de posse, quando assumir a Presidência da República, entregando o Brasil a Jesus Cristo, numa ação simbólica de agradecimento e também como um pedido de proteção e bênção para todos os brasileiros", disse o comunicado.

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

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