8 de julho de 2026

Governo acusa Flávio Bolsonaro de legitimar tarifaço dos EUA contra o Brasil

O senador Flávio Bolsonaro participou de uma audiência pública com o objetivo de debater as novas taxas impostas pelo governo norte-americano ao Brasil. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O governo brasileiro se manifestou oficialmente após a participação do senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em uma audiência pública realizada nos Estados Unidos (EUA) com o objetivo de debater as novas taxas impostas pelo governo norte-americano ao Brasil. Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social repudiou a fala de Flávio e acusou o parlamentar de “legitimar os resultados de uma investigação injusta”.

A audiência aconteceu nesta terça-feira (07/7). Ao todo, 78 entidades e pessoas físicas se inscreveram para argumentar acerca do “tarifaço”, 63 falaram contra a medida e 15 a favor. Entidades e personalidades norte-americanas também se pronunciaram, 30 das 44 falas de representantes dos EUA foram contra às tarifas, 14 a favor.

Entre os brasileiros presentes no evento, Flávio Bolsonaro foi o único que não se mostrou avesso à decisão imposta pelo governo norte-americano, que optou por propor um adiamento. “Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”, diz a nota do Planalto.

O senador discursou durante 5 minutos em sua participação na audiência e argumentou que o momento não é o ideal para a implementação das novas tarifas, já que esta ação poderia favorecer a reeleição do presidente Lula: “Peço respeitosamente apenas uma coisa: não imponham tarifas ao Brasil. Preservem o sucesso dessa reconciliação e permitam-nos negociá-la”, disse Flávio, ao sugerir o adiamento.

O Pix também foi tema de debate. Além do anúncio das novas tarifas, o governo de Donald Trump também alegou que o sistema brasileiro de pagamentos automáticos configura prática de concorrência desleal contra meios de pagamento como cartões de crédito. De acordo com a assessoria do senador, Flávio usou de seu tempo de fala para defender o Pix: "O Pix não é um problema a ser corrigido. É uma solução. Ele ampliou a inclusão financeira ao trazer milhões de brasileiros, especialmente os mais pobres, para a economia formal".

Para o governo, a atitude do parlamentar se tratou apenas de uma tentativa de se apropriar do Pix, em um movimento eleitoreiro. “Ao contrário do que o senador Flávio Bolsonaro e sua família defenderam ao longo do último ano, ele agora tenta mudar o discurso e passar a imagem de que defende o PIX. Mesmo assim, propõe subordinar o PIX aos interesses norte-americanos”, acrescenta a nota.

O filho de Jair Bolsonaro ainda fez críticas ao governo petista, citando os escândalos de corrupção envolvendo o Caso Master. Por meio da nota da Secretaria de Comunicação Social, o governo rebateu o parlamentar e pontuou que a relação de Flávio com Daniel Vorcaro não foi mencionada, tampouco os desvios no Instituto Nacional do Seguro Social que prejudicaram aposentados e pensionistas.

“Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio  país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, finaliza o Planalto.

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

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