23 de agosto de 2026

Um balanço da primeira semana de campanha, por Henrique Araújo

Elmano e Ciro nos primeiros atos de campanha (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

Houve de tudo na primeira semana da disputa pelo Governo do Estado. A temporada já começou assanhada, com o candidato Ciro Gomes (PSDB) e o senador Camilo Santana (PT) se acusando de "neocoronelismo", e terminou com Cid Gomes (PSB) abençoando casamento de pato com marreco - ou de galinha com ganso e por aí vai. Nesse poliamor eleitoral, o pessebista tentou justificar todo tipo de arranjo político em busca do voto proporcional, principalmente na base governista.

O liberalismo de costumes de Cid, no entanto, é prerrogativa apenas de candidatos a deputado. Se o assunto é eleição majoritária, o ex-governador é monogâmico, ou seja, para ele o mantra que vale é "quem vota em um tem que votar no outro", de máxima fidelidade. Nada de "trairagem", um espectro que assombra o pleito desde abril, quando os casórios para consumação das chapas ainda estavam sendo arrematados, e continua agora.

Um exemplo recente foi o vídeo compartilhado por Eunício Oliveira (MDB) do qual Cid, presente na versão original (com Lula pedindo votos para Elmano de Freitas e Luizianne Lins), foi cortado. Para uma campanha que deu a partida fazendo o sinal da cruz diante de igrejas e estátuas de santo, a coisa degenerou rapidamente para a mundanidade, com piadas de duplo sentido e anedotas de bastidores, que guardo para outro dia.

O ponto alto dessa largada, no entanto, foi mesmo o embate de cirismo e camilismo, que dedicaram muita energia a réplicas e tréplicas, numa prova de que, embora não seja candidato, o petista é personagem importante de uma refrega na qual há muito ressentimento no ar. Mas, além dessa rinha verbal que ganhou contornos com as modalidades de voto casado e desquitado, o eleitorado esteve às voltas com os primeiros jingles - para sua infelicidade.

Produzidos por IA e quase todos simulando batidões, alguns caíram no gosto do povo, especialmente o funk e o "forronejo", com voz metalizada, melodias sem direitos autorais e acordes manufaturados pela máquina (saudades do tempo em que as músicas eram até ruins, mas pelo menos eram feitas por seres humanos).

Publicado originalmente no portal O Povo +

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