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| Lula comemora resultado ao lado do vice Geraldo Alckmin (Foto: Ricardo Stuckert) |
As urnas confirmaram, ontem (25/10), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente da República pela quarta vez na história do Brasil. Com 64,2 milhões de votos válidos, o petista derrotou Flávio Bolsonaro (PL), que recebeu 59,8 milhões. A disputa acirrada e a polarização política ficaram evidentes no resultado final: Lula venceu com 51,79% dos votos, contra 48,21% do adversário. A vantagem também se repetiu no exterior, onde o presidente eleito obteve 53,86% dos votos, enquanto Flávio alcançou 46,14%.
Lula protagonizou uma virada histórica ao reverter a desvantagem do primeiro turno e conquistar a vitória na etapa decisiva da eleição. Pela primeira vez, na historia do Brasil, um candidato à Presidência da República chega ao quarto mandato. Em 4 de outubro, o petista havia encerrado a primeira etapa da disputa atrás do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O resultado impulsionou uma reorganização da campanha e das estratégias de mobilização da militância, principalmente na internet. A reação teve como foco a presença nas ruas, a participação de estudantes e a ampliação da atuação nas redes sociais.
Em comparação com o primeiro turno, Lula conquistou cerca de 10,3 milhões de votos a mais. A campanha contou com a atuação do deputado federal André Janones (Rede), responsável pela criação do canal no WhatsApp chamado "Exército do Lula", que reúne mais de 10 milhões de seguidores. A mobilização virtual buscou, entre outros objetivos, reduzir a abstenção eleitoral, que havia chegado a aproximadamente 21% no primeiro turno. No segundo turno, o índice caiu para 19,22%, movimento que ampliou a participação dos eleitores e contribuiu para o resultado final.
No mapa eleitoral, Lula venceu em 13 estados, enquanto Flávio Bolsonaro conquistou a maioria dos votos em outros 13 estados e no Distrito Federal. O petista venceu em todas as unidades da Federação do Nordeste e na maior parte do Norte. Já no Centro-Oeste e no Sul, Flávio ganhou em todos os estados. Nas últimas eleições, essas regiões se consolidaram como redutos bolsonaristas, com vitórias de Jair Bolsonaro em 2022 e de seu filho em 2026.
No Sudeste, apesar das derrotas em São Paulo e no Rio de Janeiro, dois dos principais colégios eleitorais do país, Lula conseguiu vencer em Minas Gerais. O resultado reforçou a importância estratégica do estado nas disputas presidenciais, embora a máxima de que quem vence em território mineiro também conquista a eleição nacional não seja uma garantia matemática. A vitória petista foi apertada: a diferença entre os candidatos ficou em cerca de 100 mil votos. No primeiro turno, os mineiros haviam dado a vitória a Flávio. Na etapa decisiva, porém, Lula obteve 50,43% dos votos, contra 49,57% do adversário.
O cenário eleitoral nos estados manteve semelhanças com o registrado em 2022, quando Lula derrotou Jair Bolsonaro. Apenas Amapá e Tocantins apresentaram mudanças em relação ao resultado da disputa anterior. No Amapá, onde Lula venceu no primeiro turno de 2022, mas perdeu no segundo para Jair Bolsonaro, o petista garantiu a vitória nas duas etapas da eleição deste ano. No Tocantins, por outro lado, o cenário de 2022, quando Lula havia vencido os dois turnos, foi revertido: em 2026, Flávio Bolsonaro conquistou a maioria dos votos no estado.
Apuração
A apuração dos votos começou com Lula na liderança, mas o cenário mudou ao longo da contabilização. Quando cerca de 14% das urnas haviam sido apuradas, Flávio assumiu a dianteira e chegou a liderar a disputa. Próximo da metade da apuração, entretanto, o petista ultrapassou o adversário e retomou a primeira posição. A partir daí, Lula manteve a liderança até o encerramento da contagem, confirmando a virada que garantiu sua eleição para um novo mandato presidencial.
As maiores votações de Lula foram registradas na Bahia, onde obteve 71,32% dos votos, seguida por Sergipe (69,53%), Maranhão (69,52%), Pernambuco (69,21%) e Ceará (68,93%). Os piores resultados do petista ocorreram em Roraima (27,54%), Rondônia (30,39%) e no Acre (33,43%). O desempenho nos estados nordestinos confirmou a força eleitoral do presidente na região, enquanto os resultados do Norte evidenciaram as diferenças de comportamento do eleitorado entre as unidades da Federação.
Com 64,2 milhões de votos, Lula alcançou a maior votação de sua trajetória eleitoral, superando o próprio resultado de 2022, quando recebeu 60,3 milhões de votos. A sequência de vitórias também evidencia a longevidade de sua trajetória política. Em 2002, quando foi eleito presidente pela primeira vez, o petista recebeu cerca de 53 milhões de votos. Quatro anos depois, conquistou a reeleição com 58,1 milhões.
Embora não tenha conquistado a Presidência, Flávio Bolsonaro também registrou uma votação expressiva. O senador recebeu 59,8 milhões de votos no segundo turno, número superior aos 58,2 milhões obtidos por seu pai, Jair Bolsonaro, na disputa presidencial de 2022. Na comparação com 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito pela primeira vez, a votação de Flávio em 2026 também superou a do pai em cerca de 10,5 milhões de votos.
Flávio teve desempenho expressivo em alguns dos principais colégios eleitorais do país, especialmente no Sudeste e no Sul. Em São Paulo, venceu com 53,85% dos votos, enquanto Lula obteve 46,15%. O resultado foi semelhante no Rio de Janeiro, onde o senador alcançou 53,10%, contra 46,90% do petista. No Paraná, a vantagem foi ainda maior: Flávio recebeu 62,58% dos votos, enquanto Lula ficou com 37,48%. Os números reforçam a concentração do apoio ao candidato do PL em estados importantes para o resultado nacional e ajudam a dimensionar a força eleitoral mantida pelo bolsonarismo.
Exterior
No exterior, Lula também terminou a votação à frente, com 53,83% dos votos, contra 46,14% de Flávio Bolsonaro (PL). O petista recebeu mais votos em países como Portugal, Reino Unido, Alemanha, França e Itália. Já o senador teve desempenho superior no Japão, nos Emirados Árabes Unidos e em Hong Kong, entre outros locais.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 916.683 brasileiros estavam aptos a votar no exterior, distribuídos por 186 cidades. As regras são as mesmas aplicadas aos eleitores residentes no Brasil: o voto é obrigatório para brasileiros alfabetizados com idade entre 18 e 70 anos.
Publicado
originalmente no portal Correio Braziliense
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