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| Lula e a jornalista Renata Lo Prete durante a entrevista (Foto: Reprodução/Tv Globo) |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu na noite de ontem quinta-feira (15/10) entrevista exclusiva à TV Globo. Conduzida pela jornalista Renata Lo Prete a entrevista abordou várias ações do Governo e sobre as polêmicas e propostas da campanha. Confira os principais pontos levantados pelo Correio Braziliense.
Reajuste do Bolsa Família
Ao ser questionado sobre o anúncio da correção ter ocorrido apenas 17 dias antes do primeiro turno das eleições, Lula afirmou que não sabia que o Bolsa Família não seria reajustado e disse ter determinado o aumento do benefício após questionar seus ministros..
“Eu não sabia, porque é inexplicável, Renata, é inexplicável que no governo do Lula alguém pense não reajustar, sabe, a inflação no salário das pessoas. É impensável. Mas aconteceu”, declarou o presidente, em resposta à jornalista.
Lula afirmou ainda que tomou a decisão depois de descobrir que o benefício não havia sido corrigido. Segundo ele, havia espaço fiscal para autorizar o aumento. “Se tem espaço fiscal para aumentar, por que não aumentaram? Aí tomei a decisão de mandar aumentar o Bolsa Família”, disse.
Durante a entrevista, o presidente também foi questionado sobre o projeto de Orçamento de 2027, enviado pelo governo ao Congresso em 31 de agosto, que também não previa a correção do programa. Lula reiterou que só decidiu pelo reajuste depois de tomar conhecimento da ausência de previsão.
A discussão sobre o reajuste do Bolsa Família ocorre em meio ao debate sobre a capacidade do governo de ampliar gastos sociais sem comprometer as metas fiscais. Lula, por sua vez, sustentou que havia recursos disponíveis para a correção do benefício.
Reforma do Judiciário
Lula da Silva defendeu a discussão de uma nova reforma do Poder Judiciário diante das suspeitas
envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao Jornal
Nacional, da TV Globo, o petista foi questionado sobre a demora em se
manifestar com mais clareza sobre as suspeitas que atingem integrantes da Corte
e sobre o possível impacto da crise no desempenho eleitoral do primeiro turno.
Lula afirmou não ter uma avaliação sobre a influência do caso no resultado das urnas. “Eu não tenho uma avaliação disso, Renata, sinceramente eu não tenho. Obviamente que a extrema direita tenta jogar a Suprema Corte nas minhas costas, porque eles querem caçar o Alexandre de Moraes. Não é por conta do Banco Master apenas; eles querem caçar o Alexandre de Moraes porque o Alexandre de Moraes prendeu o pai do Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Durante a entrevista, Lula foi questionado sobre a atuação do ministro Flávio Dino, indicado por ele ao STF, após um pedido de vista que interrompeu a análise de uma questão relacionada à apuração da conduta de Alexandre de Moraes. A pergunta também mencionou as suspeitas envolvendo o ministro e Daniel Vorcaro.
Ao responder, o presidente afirmou que as suspeitas não se restringiriam a Moraes e citou outros integrantes da Corte. “Era o mais implicado (Moraes). O Toffoli também está implicado, o André Mendonça também está implicado, e o Kássio está implicado. Agora está todo mundo implicado”, declarou.
Ao abordar as consequências do caso, o presidente afirmou que será necessário discutir mudanças no funcionamento do Poder Judiciário. “A partir do que aconteceu, a gente vai ter que discutir a necessidade de uma reforma do Poder Judiciário — que, aliás, a primeira fui eu que fiz com o Jobim, quando era presidente da Suprema Corte, e o Márcio Thomaz Bastos, meu ministro da Justiça. Nós fizemos a primeira reforma e agora vai ter que fazer uma outra”, afirmou.
Relação
com os EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que os Estados Unidos precisam mais do Brasil do que o país norte-americano é necessário para os brasileiros e defendeu a continuidade das negociações comerciais com o governo de Donald Trump e disse acreditar na possibilidade de um acordo entre os dois países.
“Nós temos coisas que eles precisam mais do que coisas que eu preciso deles”, declarou Lula ao comentar a relação comercial com os Estados Unidos.
O presidente avaliou que sua relação com Trump passou por um início de tensão, mas afirmou que os dois conseguiram estabelecer um diálogo. Segundo Lula, a relação entre eles foi “a mais civilizada que ele já teve com outro presidente da República”.
O petista acrescentou que representantes dos dois governos continuam negociando e citou encontros realizados nesta semana entre ministros brasileiros e autoridades dos Estados Unidos. “Essa semana mesmo, o meu ministro da Indústria e Comércio e o meu ministro das Relações Exteriores estiveram negociando com os Estados Unidos. Eu acho que nós vamos chegar num acordo”, declarou.
Para sustentar a avaliação de que o Brasil tem alternativas comerciais, o presidente mencionou o crescimento das relações com outros parceiros internacionais. “Embora a gente tenha perdido 9% na relação comercial com os Estados Unidos, nós crescemos 20% com a China, crescemos 15% com a Indonésia, 16% com a Alemanha, 13% com o Vietnã”, afirmou.
Lula acrescentou que o Brasil também registrou crescimento médio de 10,5% nas relações comerciais com 50 países visitados e voltou a alcançar recordes de superávit comercial. Para o presidente, esses resultados dão margem para que o país mantenha as negociações com Washington sem depender exclusivamente do mercado norte-americano.
“Portanto, quem deve estar preocupado conosco nesse momento são os Estados Unidos”, disse.
Apesar de defender uma solução negociada, Lula afirmou que o Brasil poderá adotar medidas de reciprocidade caso as conversas não avancem. O presidente disse que não deseja recorrer a esse instrumento, mas ressaltou que a possibilidade permanece aberta.
Redução da maioridade penal para 16 anos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na noite desta quinta-feira (15/10) ser favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. Em entrevista à TV Globo, o petista, no entanto, defendeu que a proposta não seja incluída na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que está em discussão no Senado.
“Eu estou favorável a reduzir para 16, mas não discutindo nessa PEC”, declarou Lula, ao ser questionado sobre a proposta apresentada pelo senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação.
O presidente afirmou que a prioridade deve ser aprovar a PEC antes de abrir a discussão sobre a redução da maioridade penal. “Primeiro você discuta a PEC, aprova a PEC, e aí você pode discutir a maioridade penal ou não”, disse.
A discussão ganhou espaço durante a tramitação da PEC de segurança pública no Senado. Segundo a entrevista, uma iniciativa da bancada do PL para reduzir a maioridade penal para 14 anos foi seguida por uma proposta de Camilo Santana para estabelecer o limite em 16 anos nos casos de crimes hediondos.
Historicamente, o PT se posicionou contra a redução da maioridade penal. Durante a entrevista, Lula distinguiu sua posição pessoal da discussão sobre o conteúdo da PEC, ao defender que o tema seja tratado separadamente.
Combate
ao crime organizado
Durante a entrevista, Lula também defendeu ampliar a participação do governo federal na segurança pública. O presidente afirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública e anunciou que a União pretende financiar 138 presídios em todo o país, com unidades de segurança máxima para impedir que lideranças criminosas continuem comandando atividades ilegais de dentro das cadeias. “Eu quero participar da segurança pública com muita força”, afirmou.
O presidente também voltou a defender o combate financeiro às facções criminosas e a retomada de territórios controlados por esses grupos. “O que nós queremos é asfixiar o crime organizado e libertar os territórios”, disse.
PCC
e Comando Vermelho
Questionado sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas, Lula afirmou que a medida não corresponde à concepção brasileira de terrorismo.
O presidente disse que o governo apresentou ao presidente norte-americano, Donald Trump, uma proposta de cooperação no combate ao crime organizado e ao narcotráfico. Para Lula, embora as facções aterrorizem comunidades brasileiras, a classificação norte-americana envolve um entendimento diferente sobre terrorismo.
“Quando os Estados Unidos falam em terrorismo, eles falam em terrorismo de Estado”, declarou. Lula afirmou que o objetivo do governo brasileiro é combater as organizações criminosas por meio da cooperação policial e do enfraquecimento financeiro das facções.
Publicado originalmente no portal Correio Braziliense
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