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| O senador Camilo Santana passou a desempenhar função de principal interlocutor do presidente (Foto: Ricardo Stuckert) |
Na semana que se seguiu à votação no domingo, 4, Camilo passou a desempenhar função de principal interlocutor do presidente, a quem o mandatário consulta para definir estratégias no segundo turno.
A principal delas é a de maximizar a exposição dos programas da gestão de Lula cuja continuidade estaria em risco, na retórica do petismo, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, a exemplo do Bolsa Família e do "Gás do Povo".
O senador cearense também vem concedendo entrevistas e encabeçando coletivas de imprensa a partir de Brasília, assumindo o figurino de rosto público da campanha lulista neste momento da briga.
Ao O POVO, o ministro José Guimarães reconhece que o aliado vem tendo papel de proeminência, mas numa posição que já lhe cabia desde o começo da corrida e que apenas hoje Camilo de fato pode desempenhar plenamente, uma vez que antes estava dedicado ao pleito de governador.
Agora, com a recondução de Elmano de Freitas após ter derrotado Ciro Gomes (PSDB) em 4 de outubro, Camilo está se voltando integralmente à tentativa de permanência de Lula por mais quatro anos no Executivo.
No entorno do presidente, contudo, há quem veja uma reacomodação interna nas forças políticas que orbitam o petista, sobretudo por causa do resultado apertado do primeiro turno (47% a 45% para Flávio ante Lula), contrariando expectativas.
Até então principal nome à frente da tática eleitoral do governo, Edinho Silva cedeu espaço para outros colegas de partido, a exemplo de Camilo, Elmano e do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles - dos quatro, o gestor é o mais jovem, com 41 anos.
A entrada em cena da ala do Nordeste já produziu efeitos. Na prática, a campanha se reorganizou em torno de três eixos: mobilização de rua e agenda intensa nos maiores colégios eleitorais do país (São Paulo, Minas e Rio de Janeiro); aumento da votação no Nordeste; e guerra aberta no ambiente digital, com adesão massiva de influenciadores e outras figuras públicas (artistas, intelectuais etc.).
Para Guimarães, as visitas de Lula, a menos de 15 dias da votação, devem se concentrar nesses locais, mas aliados do presidente vão se encarregar de tentar ampliar votos para o petista em estados como o Ceará, onde o chefe do Executivo obteve 63% contra 31% de Flávio.
A intenção, ele conta, é se aproximar do patamar dos 70%, de modo a compensar eventuais perdas em regiões mais inclinadas ao adversário no segundo turno, como Sul e Sudeste.
Pesquisa
Datafolha de quinta, 8, mostrou o candidato do PL com 52% e Lula com 48% dos
votos válidos (excluídos os nulos, brancos e indecisos). Em votos totais, Lula
tem 45% e Flávio, 49%. Uma virada do petista dependeria ainda da redução da
abstenção, que chegou a 21% no primeiro turno.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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