8 de novembro de 2026

Congresso mais hostil será o maior desafio de Lula no quarto mandato

Lula terá, a partir de 2027, em seu quarto mandato um Legislativo mais forte nas mãos da oposição e maior custo para governar (Foto: Ed Alves)

A partir de 2027, o Partido Liberal terá as maiores bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado. Além disso, ainda amplia a força da oposição no Congresso o número de parlamentares de outras siglas alinhados ao bolsonarismo. O cenário impõe dificuldades diretas à governabilidade do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no parlamento.

Especialistas ouvidos pelo Correio apontam que o novo Congresso tende a aumentar o custo político do Lula 4. Para contornar o cenário, o governo terá de ampliar alianças com o centro, priorizar pautas menos controversas e manter a militância ativa nas ruas e nas redes sociais.

"Lula sai fortalecido das urnas, porém encontrará um Congresso ainda mais resistente à sua agenda. O crescimento do PL torna o Centrão ainda mais indispensável para garantir uma governabilidade mínima no quarto mandato", avalia o cientista político Murilo Medeiros.

O Centrão é um conjunto de partidos que tendem a se aliar ao governo do momento. Em troca, assumem cargos, o controle de órgãos e a liberação de verbas. Um dos caminhos para isolar a oposição é construir alianças sólidas com essas siglas, que possibilitam a Lula ter uma frente de aliados no Congresso.

Para isso, o cientista político Carlos Eduardo Borenstein destaca a importância de o petista garantir a presença desses partidos em cargos importantes na Esplanada. "O que eu acho que é essencial para o Lula melhorar a governabilidade dele é não só atrair esses partidos, mas premiá-los com pastas que significam o controle de poder político e financeiro", explica.

Medeiros também reitera esse ponto ao defender que o novo governo terá que distribuir os espaços de decisão de forma mais equilibrada, mas também trabalhar ativamente em momentos de votações importantes, tendo de negociar e conceder demandas com mais frequência. "Lula ficará ainda mais dependente dos partidos de centro, que terão maior capacidade de impor condições ao governo", ressalta.

Porém, Lula também pode pedir fidelidade nesse cenário. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, é favorável à construção de um governo de "frente ampla", com os partidos do Centrão. Porém, defendeu fidelidade nas votações por parte desses partidos que integrarão o quarto mandato. "Não pode o partido ter três ministérios e votar sempre contra o governo. Acho isso errado", disse. "O partido pode ser independente, mas quem tiver no governo tem que votar com o governo."

Lula ainda pode contar com instrumentos externos de pressão ao Congresso. É o caso da mobilização nas ruas e nas redes sociais, assim como fez para garantir a aprovação do fim da escala de trabalho 6x1. Nesses momentos, os parlamentares tendem a se sentir pressionados e recalcular a rota de pautas. "É fundamental para Lula manter esse 'Exército do Lula', até porque, se tiver necessidade, o presidente pode convocar manifestações para as ruas", explica Borenstein.

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

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