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| Gonzaga Mota, Juraci Magalhães e Lúcio Alcântara também reclamara de traições (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais) |
Traição é tema das eleições deste ano no Ceará, assim como foi em 2022, 2018, 2014, 2010 e 2006. Foram todas as eleições estaduais desde que estou no jornalismo. Em 2002, 1998, 1994, 1990 e 1986, houve ao menos pitadas de tais ingredientes. Já escrevi várias vezes sobre as alternâncias no Ceará ocorrerem normalmente por rupturas internas nos grupos alojados no poder. Isso explica os ressentimentos. Quando a questão envolve ex, toda disputa fica mais complicada. Neste ano, como em 2022, o enrosco é maior por envolver irmãos.
Os aliados de Ciro Gomes (PSDB) buscam colocar no irmão Cid Gomes (PSB) a pecha de traidor. Os apoiadores de Elmano de Freitas (PT) acusam o tucano de dar rasteira em Izolda Cela (PSB) em 2022. Eunício Oliveira (MDB) diz ter sido traído pelos Ferreira Gomes em 2018, assim como aponta suposto descumprimento da promessa de apoio a ele em 2014.
Em 2010, Tasso Jereissati (PSDB) rompeu com Cid por considerar não haver disposição do então governador para manter o apoio a ele. Em 2006, Lúcio Alcântara entendeu ter havido deslealdade de Tasso e Ciro.
Mais para trás, em 2002, havia mágoas acumuladas entre Sergio Machado e Tasso. Em 1998, não foi propriamente traição, mas a disputa envolveu os ex-aliados Tasso e Gonzaga Mota. Em 1994, a sucessão de Ciro teve como mais destacado opositor Juraci Magalhães, anteriormente vice do tucano na Prefeitura e também médico de Tasso. Em 1990 está a origem daquele rancor de Sergio, por Tasso ter escolhido Ciro como candidato. E, em 1986, Tasso foi o candidato de Gonzaga Mota, após o rompimento com os coronéis responsáveis por alçá-lo a governador.
Nesse enrosco de ex-aliados a se enfrentar, não admira haver tantas acusações de deslealdade e traição. Em regra, a questão está mais entre eles do que com a população.
Debate
presidencial
O debate de domingo, previsto para ser o primeiro da eleição presidencial, virou uma bagunça como eu nunca tinha visto. Os líderes em intenções de voto, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), decidiram não ir. Por isso, Romeu Zema (Novo) também não foi. Augusto Cury (Avante) chegou à emissora e ameaçou também não participar, em protesto, mas mudou de ideia.
Pela lei, parlamentares cujos partidos ou alianças tenham ao menos cinco congressistas eleitos têm participação assegurada nos debates. O convite aos demais é facultativo aos organizadores. A Band convidou aqueles obrigatórios por lei e decidiu chamar mais alguns, mas não todos. O critério não ficou claro. Considero, de fato, questionável. Ou convida conforme a lei, ou chama todos, ou, para chamar uns e não outros, define com critérios claros e transparentes. Não dá para chamar quem quer. Aliás, até dá. Mas dá direito a reclamações.
Lula discordou da definição dos participantes e faltou. Flávio Bolsonaro não foi devido à ausência de Lula. Zema ficou fora e Cury quase fez o mesmo em razão da não participação dos outros dois.
Ausência
A situação de Zema é a menos compreensível para mim. Os líderes evitarem se expor é natural, embora criticável. Mas o candidato do Novo tem 3%. Foi esse contingente que ele temeu expor?
Vale
lembrar: desde 2018, com João Amoedo, o Novo cobrou ser convidado para os
debates, nos quais não tinha presença assegurada. Fez uma campanha grande nas
redes sociais para esse fim. Porém, quando Zema chegou ao segundo turno para
governador de Minas Gerais, ele foi obviamente chamado para debate — e faltou.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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