15 de junho de 2026

Cid Gomes faz desabafo, rebate Ciro e relembra ruptura política da família

O senador Cid Gomes Encontro Municipal do PSB em Sobral (Foto: Wilson Gomes)

O senador Cid Gomes (PSB) fez um duro discurso e elevou o tom ao rebater declarações recentes do irmão, Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao Governo do Ceará.

No último sábado, 13, durante encontro municipal do PSB em Sobral, berço político dos Ferreira Gomes, Cid discursou, rebateu algumas falas do irmão, reiterou afirmações de Camilo Santana (PT) de que em 2022 havia um acordo para Izolda Cela (PSB) concorrer à reeleição e justificou o apoio ao governador Elmano de Freitas (PT), afirmando que nunca mudou de lado.

O encontro, que reuniu correligionários, aliados e integrantes de outras siglas, como o Podemos, acabou concentrado na figura do senador, principal liderança do PSB cearense.

Irmão do Ciro

O senador comentou a fala de Ciro de que, quando disputou a eleição para governador, era conhecido como irmão do Ciro.

“Me perdoe! Eu tenho muito orgulho (de ser irmão do Ciro), não vou negar. Agora, eu tinha sido prefeito de Sobral, durante oito anos. Durante oito anos, esse povo que faz lá esse troféu de melhor prefeito, fui primeiro lugar nos oito anos como prefeito de Sobral. O reforço aqui na educação já era conhecido internacionalmente e é referência até hoje”, relembrou Cid.

Ciro havia feito a provocação durante uma manifestação de apoio ao pré-candidato ao Senado Alcides Fernandes (PL), que foi acusado por Cid de ser conhecido apenas como pai do deputado federal André Fernandes (PL).

Incompatibilidade política

O senador Cid Gomes discursa no Encontro Municipal do PSB em Sobral (Foto: Wilson Gomes)

Cid também comentou o distanciamento político em relação a Ciro Gomes. Segundo o senador, o irmão passou a se aproximar de grupos políticos que considera incompatíveis com sua trajetória. “Ele pediu perdão ao Capitão Wagner”, relembrou.

A declaração faz referência a um momento recente em que Ciro afirmou ter exagerado em críticas feitas anteriormente ao ex-parlamentar, hoje aliado político.

Na sequência, sem citar nomes, fez referência a André Fernandes, lembrando que Ciro o chamava “daquilo que vocês sabem” e agora o chama de “rapaz muito bem educado”.

“Quem é que está mudando de lado, minha irmã, meu irmão sobralense? Sou eu? Eu estou onde eu sempre estive”, disse, em discurso semelhante ao adotado por outros integrantes da base governista, como o senador Camilo Santana.

Izolda, 2022 e a cisão

O líder do PSB relembrou a eleição de 2022, que acabou culminando em uma cisão política com o irmão Ciro, que apoiou a candidatura de Roberto Cláudio (então no PDT).

“Chegamos a acertar que a candidata era a Izolda. E depois, com a junção de um sentimento de ódio, do fígado do Ciro, com o sentimento de ambição desmedida, que é o que alimenta o Roberto Cláudio, eles entenderam de lançar uma candidatura”, afirmou.

Em maio, durante visita ao Grupo de Comunicação O POVO, Camilo afirmou que renunciou ao Governo do Ceará para disputar o Senado após um acordo segundo o qual a então vice-governadora Izolda Cela (à época no PDT) assumiria o cargo e concorreria à reeleição. Segundo o petista, a quebra do acordo fez com que Cid se isolasse na campanha por discordar da decisão.

“Qualquer pessoa de bom senso, que tivesse o mínimo de visão, ia enxergar que aquilo ali era uma candidatura para terceiro lugar. Para não brigar com Ciro eu mergulhei. Tudo que eu previa, que o Roberto Cláudio ia ser o terceiro colocado, aconteceu”, afirmou Cid.

O senador disse que deixou claro a todos que não entraria na campanha de RC em 2022.

“Essas pessoas, Roberto Cláudio, com a conivência do Ciro, ficaram calados, dizendo que eu ia entrar na campanha. Eles sabiam que eu não ia, porque eu disse para ele. Da mesma forma que eu disse para a Izolda: ‘Izolda, me perdoe. Eu não vou brigar com o Ciro’”, explicou.

Cid: "saí do PDT porque fui expulso"

Cid seguiu relembrando os acontecimentos e afirmou que, após as eleições, vencidas por Elmano de Freitas no primeiro turno, o grupo que ficou ao lado de RC e Ciro passou a criticá-lo e a chamá-lo de traidor.

“Quando é que eu fui traidor na minha vida? Tudo que eu prezo é a minha palavra, tudo que eu preservo é a minha honra. Poder, você tem uma hora e outra não tem. Eu jamais trairia alguém, não faz parte da minha natureza”, rebateu.

Na sequência, Cid afirmou que não deixou o PDT rumo ao PSB por vontade própria.

“Depois nos expulsaram do partido. Quem acompanhou de perto sabe. O nosso partido era o PDT, você acha que eu quis sair do partido? Não, eu saí porque fui expulso”, destacou.

O rompimento levou à saída do grupo liderado por Cid do PDT e, posteriormente, à filiação ao PSB, partido atual do senador.

Lia Gomes: "para mim é muito difícil"

Lia Gomes e Roger Aguiar no Encontro Municipal do PSB em Sobral (Foto: Wilson Gomes)

O evento também serviu para formalizar o apoio do grupo à pré-candidatura de Lia Gomes (PSB) à reeleição para a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) e à pré-candidatura de Roger Aguiar (PSB) à Câmara dos Deputados.

Na saída do evento, Lia disse em entrevista coletiva que seguirá Cid e pedirá votos para a reeleição de Elmano, mesmo com a possibilidade de enfrentar o irmão Ciro no próximo pleito.

Ela afirmou que, no evento, Cid explicou os motivos práticos de estar ao lado de Elmano, mas que, para ela, a situação continua sendo difícil.

“Eu torço só para que a gente consiga manter, assim, um pouco o coração de lado, vamos dizer assim, nesse momento. O Cid explicou os motivos objetivos, mas é claro que, para mim, é muito difícil”, admitiu.

Lia reiterou que não gosta de ouvir críticas ao irmão, apesar da atual divergência política entre os dois grupos.

“Eu não gosto de ver ninguém falando mal de nenhum irmão meu. É essa questão do sangue, embora a gente esteja em grupos separados, realmente para mim é uma coisa que tem sido muito difícil”, lamentou.

Chapa majoritária

Também durante coletiva com a imprensa, Cid escapou de responder se será candidato à reeleição ou se mantém o apoio à pré-candidatura do deputado federal Júnior Mano (PSB) ao Senado. Segundo ele, o mais importante é fazer o PSB crescer e ficar cada vez mais forte.

Cresce a pressão para a definição da formação da chapa majoritária do governo para as eleições de outubro. A única definição até aqui é que Elmano disputará a reeleição.

Há muita disputa para completar a chapa com a indicação de vice-governador, além das duas vagas ao Senado em disputa. Os principais postulantes são os grandes partidos da base aliada, PSB, PSD e MDB, embora haja especulações acerca da possibilidade da deputada Luizianne Lins (Rede) disputar o Senado na chapa.

Ouvidas pela reportagem, fontes ligadas ao governismo confirmam que a definição está próxima e deverá ocorrer bem antes das convenções partidárias, marcadas para julho. O discurso é consonante ao que tem dito o governador Elmano.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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