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| O governador Elmano de Freitas e o secretário Roberto Sá apresentam dados da redução no número de homicídios no Ceará (Foto: Fábio Lima) |
Em todos os cinco meses de 2026, o Ceará teve redução no número de homicídios. Haver menos mortes é auspicioso em qualquer circunstância, por mais nuances que possa haver.
Do ponto de vista da política pública, apesar da diminuição, o Estado segue muito violento. Membros do governo reconhecem isso, o que não deixa de ser alentador. Também não é algo possível de se negar, mas tampouco seria a primeira vez na qual se brigou contra o óbvio. A redução desse indicador específico, e de outros como roubos e furtos, infelizmente não significa menos violência no cotidiano da população. A presença das facções, mais intensa na rotina do que a atuação estatal, cria formas diversas de coação, intimidação, ameaça, constrangimento, chantagem, abuso e agressão. O colega Lucas Barbosa escreveu há algum tempo sobre a necessidade de outros indicadores para metrificar as formas de crime em transformação.
Eleitoralmente, o governador Elmano de Freitas (PT) ganha argumentos a favor. Tem para mostrar não uma realidade positiva, mas indicativos de melhora. Podem sugerir, mesmo com diagnóstico discutível, que o caminho foi encontrado. A despeito das variáveis envolvidas, não há como a oposição afirmar que a queda do número de mortes não é boa.
Todavia, o argumento eleitoral é instável. Nada garante a manutenção até outubro dos cinco meses de melhora. Ainda mais quando o alicerce da violência, a presença das facções, não foi desmontado, longe disso.
Desafio
da continuidade
A sequência de redução dos homicídios é bem-vinda, mas insuficiente. Como escrevi em outras oportunidades, o Estado tem o desafio de diminuir a criminalidade de forma constante e intensa. Já houve melhora em outros momentos, mas não teve continuidade. O processo é atribulado, com altos e baixos.
Nas últimas três décadas, não houve nenhum momento no qual os homicídios no Ceará tenham caído três vezes seguidas. O máximo alcançado foi redução em 2021 e 2022, com um inusitado “empate” em 2023, quando o número foi exatamente o mesmo do ano anterior. E, se a situação nessa área permanece a mesma, significa uma derrota. É preciso melhorar muito e rapidamente.
Entretanto, antes de melhorar por anos seguidos, é preciso haver meses em sequência, como agora. Ainda não houve melhora consolidada, mas é a esperança de progresso.
Os desdobramentos irão mostrar se há resultados consistentes de uma estratégia acertada ou apenas alívio momentâneo de um problema crônico não atacado adequadamente.
Para
além da polarização
A pesquisa Quaest desta semana mostrou não haver nada próximo da viabilidade a não ser Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entre as pré-candidaturas presidenciais. Nenhum outro passa de 3%. As tentativas de alternativa aos dois estão mais frágeis em comparação a eleições anteriores, quando já se mostraram esquálidas.
Mesmo
assim, com esse punhado de intenções de voto, essas muitas candidaturas por ora
quase sem expressão são capazes de levar a disputa ao segundo turno, conforme
as pesquisas até agora.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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