17 de julho de 2026

Ministro Mauro Vieira afirma: "O que incomoda os EUA é o Brasil não ter se curvado"

O chanceler Mauro Vieira também reiterou o esforço do governo brasileiro em negociar com a Casa Branca (Foto: Luis Nova)

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, atribuiu o tarifaço de 25% a alguns produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos à ideia de que o Planalto não cedeu a interesses do presidente norte-americano Donald Trump.

“Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações”, afirmou Vieira, nesta quinta-feira (16/7), durante leitura de uma carta da diplomacia brasileira, em resposta à sobretaxa anunciada pelo governo dos EUA.

As justificativas dos Estados Unidos para aplicar a tarifa de 25% às exportações brasileiras abrangem a suposta adoção pelo Brasil de práticas prejudiciais ao mercado norte-americano. Entre os principais argumentos está o Pix, citado como sistema de pagamento "desleal".

Na carta, Mauro Vieira destacou que as alegações das autoridades dos EUA são “descabidas”. “O Pix é uma infraestrutura pública de pagamentos criada pelo Banto Central e está disponível a todas as instituições que atuam no Brasil. Não é sério falar em competição desleal gerada pelo Pix”, reforçou.

O chanceler também reiterou o esforço do governo brasileiro em negociar com a Casa Branca. Segundo Mauro Vieira, desde abril do ano passado, houve mais de 30 reuniões entre representantes do governo Lula e do governo norte-americano.

“Somente com Jamieson Greer (secretário de Comércio dos EUA) e Marco Rubio (secretário de Estado dos EUA), foram realizados 11 contatos, incluindo as reuniões entre os presidentes (Lula e Trump)”, relatou o ministro das Relações Exteriores do Brasil.

Vieira eleva tom contra Rubio e diz que declarações são "inaceitáveis"

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, elevou o tom contra o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao classificar como "inaceitáveis" e "ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro" as declarações feitas pelo norte-americano sobre o Brasil em meio à crise diplomática desencadeada pelo tarifaço de 50% anunciado pelo presidente Donald Trump. Segundo o chanceler, Rubio também atacou "de forma grosseira e arrogante o chefe de Estado de um país amigo".

Durante pronunciamento, Vieira voltou a associar as tarifas à tentativa de interferência dos Estados Unidos em assuntos internos do Brasil. O ministro lembrou que a carta enviada por Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condicionava a retirada da sobretaxa à interrupção da ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Foi justamente nessa carta em que o presidente Trump ameaçou o Brasil com tarifas de 50% caso o processo contra o ex-presidente da República não fosse imediatamente interrompido. "O chanceler afirmou que, desde o início da crise, Lula adotou uma postura de diálogo e demonstrou disposição para negociar os temas levantados por Washington. Ainda assim, criticou duramente a manifestação de Rubio publicada nas redes sociais.

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

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