30 de agosto de 2026

O que rende meme nem sempre rende voto, por Guálter George

Elmano no Vale do Jaguaribe e Ciro no Conjunto Palmares (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

Para colocar as coisas no plano certo, não é uma boa ou uma má performance do candidato (ou candidata) num debate que, isoladamente, determinará o resultado da eleição de que participe. Há um conjunto de razões que o eleitor, quando não envolvido ideologicamente ou movido apenas por simpatias pessoais, leva em consideração para a decisão final que toma quando se encaminha para as urnas. Dizer isso, de início, ajuda a posicionar melhor a importância que têm para uma campanha eventos como esse promovido pela rádio O POVO CBN Cariri na última quinta, com envolvimento na organização de todo o Grupo de Comunicação O POVO.

Feita a ressalva inicial, evidencie-se o evento que aconteceu no Juazeiro do Norte como um dos grandes momentos, até agora, da campanha estadual cearense em 2026. A organização, puxando brasa para a nossa sardinha, fez sua parte ao acertar com as assessorias regras simples, claras e que mantiveram no limite mínimo necessário intervenções gratuitas ou desnecessárias que pudessem cortar a magia de termos um candidato colocado diante do outro, de maneira direta.

Grande parte do tempo líquido em que durou o debate efetivamente, cerca de 65 minutos, aproximadamente, esteve tomado por perguntas e respostas que partiam deles, atendendo às prioridades e aos interesses de Elmano de Freitas (PT) e Ciro Gomes (PSDB). As próprias escolhas feitas dizem muito das estratégias respectivas e para onde aponta o governo eventual de um ou de outro.

No saldo final, nos deparamos a toda hora com duas perguntas simples e básicas: quem ganhou? Quem perdeu? Claro que não há resposta objetiva para isso, na linha de simplesmente apontar "a" ou "b", porque se deve considerar um número expressivo de variáveis ao projetar os efeitos sobre o eleitor daquela troca de ideias, eufemisticamente falando, entre os principais candidatos ao governo. É difícil que o diploma do futuro governador do Ceará não esteja preenchido com um dos dois nomes.

O fato é que tivemos um equilíbrio nas posturas. De largada, portanto, pode-se cravar que tanto Ciro quanto Elmano sustentaram da maneira possível os projetos que representam, nos dois casos com muitas contradições por serem explicadas ou justificadas. Ainda mais, como acontece nessas horas, quando elas são escancaradas e amplificadas por reações de conveniência de um interlocutor cheio de interesse em fragilizar o oponente político-eleitoral.

Passados alguns dias e horas do fim do debate, a verdade é que não se consegue identificar escorregões marcantes cometidos por qualquer deles que possa gerar explorações na campanha eleitoral que segue seu rumo.

Talvez valha o registro de que Ciro Gomes fez uso de ironias e sarcasmos em vários momentos, sempre buscando aquele tom e o jeito moleque cearense, certamente com a perspectiva de gerar possibilidades dos tais cortes, memes e outros meios modernos (alguns que eu particularmente nem gosto) de se comunicar com o eleitor.

Cabe, diante disso, um aviso passado à coluna por alguém do metiê e que já viveu muitas experiências de recorrer à ciência (pesquisa) para entender o comportamento do eleitor: em geral, o caminho escolhido não parece o melhor na perspectiva de conquistar quem segue com o voto indefinido a essa altura.

As mulheres, os maridos e a política

É muito provável que a maior votação na disputa pelas 22 vagas da bancada cearense na Câmara Federal seja de uma mulher. O que seria fator de comemoração para um gênero reconhecidamente maltratado no ambiente político, que tem o machismo como marca histórica, talvez mereça mais uma reflexão sobre um aspecto que cerca o feito, caso ele se confirme.

Os dois nomes mais citados são os de Giordana Mano (PRD) e Tainah Aldigueri (PSB). A questão é que vêm a ser as mulheres, respectivamente, do deputado federal Júnior Mano e do deputado estadual Romeu Aldigueri, o primeiro agora companheiro na chapa de Cid Gomes ao Senado como 1º suplente e o segundo levado, por questões estratégicas, a mudar de planos na última hora e decidir tentar reeleição na Assembleia. Eles é que têm transferido suas forças para elas e as transformaram em favoritas para a conquista de duas das vagas em disputa.

Giordana e Tainah dispõem de talentos próprios, a mulher de Júnior Mano, inclusive, era prefeita de Nova Russas até abril e renunciou para ser candidata à Câmara Federal, fazia um gestão bem avaliada etc, mas, convenhamos, a força eleitoral que aponta agora diz mais respeito ao apoio que recebe do marido. É esperar que o futuro mude a situação, a partir da atuação efetiva que as duas tenham em Brasília, caso eleitas.

A POLÍTICA NA HORIZONTAL

1. Luisa Cela, ex-secretária estadual de Cultura e uma das apostas do PT na disputa de 2026 por vagas na Câmara Federal, mostrou força política na largada com a quantidade de gente que levou ao lançamento de sua candidatura, na semana, na sede do partido em Fortaleza. Mais do que isso, fez ir até lá o governador Elmano de Freitas, o prefeito Evandro Leitão e o senador Camilo Santana, basicamente, a linha de frente da campanha pelo lado petista. O esforço, agora que está oficialmente no corpo-a-corpo da busca pelo voto, é de fazer seu trabalho alcançar além do nicho cultural onde já se mostra forte.

2. Ciro Gomes (PSDB) quer que a justiça proíba os adversários petistas Elmano de Freitas e Camilo Santana de apontarem a relação entre sua candidatura ao governo do Ceará e a de Flávio Bolsonaro, do PL, à presidência da República. Até que conseguiu numa primeira instância, em liminar que o pleno do TRE derrubou, numa linha que me parece mais justa diante da esquisitice que representa essa busca de distanciamento da parte de um candidato que tem ao seu lado, numa aliança formal, aberta e oficial, os maiores expoentes locais do bolsonarismo. Na política, como na vida, toda opção que se faz tem ônus e bônus.

3. Luizianne Lins (Rede) pretende aproveitar a nova fase da campanha, com a programação dita gratuita no rádio e TV, para massificar seu número como candidata ao Senado. Será a primeira experiência dela nas urnas sem estar acompanhada do 13 do PT, sigla pela qual tinha disputado todas as eleições anteriores, ainda parecendo meio estranho para muita gente aquele 180 que acompanha sua imagem nos materiais visuais de agora. Haverá necessidade de um eficiente trabalho de comunicação junto aos eleitores desavisados, que existem e são muitos, acerca dessa mudança fundamental para quem sempre votou na ex-prefeita e hoje deputada federal.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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