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| Lula também alertou que as pessoas devem tomar cuidado com as mentiras espalhadas, principalmente nas redes sociais (Foto: Ricardo Stuckert) |
Pela primeira vez desde que o caso veio à tona, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um comentário público sobre a crise causada pela fraude no Banco Master. Para ele, muita gente por "falta de vergonha na cara" defende Daniel Vorcaro, dono da instituição liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central.
"Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado, enquanto um cidadão, como esse do Banco Master, deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar? São os bancos. É o Banco do Brasil, é a Caixa Econômica Federal, é o Itaú. Um cidadão que deu um desfalque de quase R$ 40 bilhões neste país", afirmou o presidente, referindo-se aos recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que serão usados para pagar os credores lesados pelos fundos de investimentos sem consistência do Master.
A crítica de Lula tem alvo: a chamada "Faria Lima", avenida em São Paulo onde se concentram as principais instituições financeiras do país, que na corrida à Presidência da República tem preferência pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) — que confirmou, ontem, apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa e assegurou que buscará a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes.
Ao citar bancos que, segundo Lula, terão prejuízos por causa da fraude no Master — sobretudo o Banco Regional de Brasília (BRB), cujo desembolso de mais de R$ 12 bilhões para a compra de fundos do banco de Vorcaro foi vetada pelo BC —, o presidente lembrou as perdas dos aplicadores, que serão ressarcidos em até R$ 250 mil pelo FGC, cujo caixa é formado por repasses dos bancos públicos e privados. Estima-se que o desembolso aos investidores será de mais de R$ 45 bilhões. Até o momento, segundo o balanço publicado ontem pelo Fundo Garantidor, foram devolvidos R$ 26 bilhões a pessoas que aportaram recursos na carteira do Master.
Comparação
Mas as críticas de Lula não se resumiram à crise provocada pelo banco de Daniel Vorcaro. Na cerimônia em Maceió em que entregou 1.337 moradias do Minha Casa Minha Vida e celebrou a marca de 2 milhões de contratações do programa desde 2023 —, Lula voltou a criticar os governos de Jair Bolsonaro e de Michel Temer ao dizer que 2026 será "ano da comparação".
"Tivemos dois anos de reconstrução, porque encontramos esse país desmantelado, porque este país era como se fosse uma casa alugada para quem não prestava. Este ano vamos fazer a comparação. Vamos comparar cada coisa que fizemos nesses três anos com o governo Temer e o Bolsonaro que, juntos, são quase oito anos de governo. Vamos comparar quem mais cuidou das estradas, quem fez mais estradas, quem mais cuidou da saúde, quem fez mais universidades, mais institutos federais, quem colocou mais estudantes nas universidades. Para vocês terem ideia, quando chegamos o (programa) Mais Médicos tinha apenas 12 mil médicos. Agora, estamos com 28 mil médicos espalhados pelos quase 5.700 municípios deste país", disse.
Para uma plateia de apoiadores, o presidente fez questão de enfatizar o desempenho da economia. "Não sei se vocês sabem que estamos terminando o terceiro ano de mandato com a menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil. Não sei se vocês sabem que estamos terminando o terceiro ano de mandato com o menor desemprego da história do Brasil", enfatizou.
Em tom de campanha à reeleição, Lula alertou que as pessoas devem tomar cuidado com as fake news espalhadas, principalmente nas redes sociais. "A gente sabe que a mentira voa e a verdade anda. Não podemos permitir que a mentira volte a governar", observou, alfinetando a extrema-direita. "Não passem mentira para frente, aprendam a distinguir o que é verdade e o que é mentira. Este país precisa acabar com o ódio e a gente precisa voltar a ter mais fraternidade, amor, a ser mais amigo dos nossos amigos", completou.
No evento em Maceió, o presidente estava acompanhado de outros possíveis candidatos a cargos eletivos, como os ministros Renan Filho (dos Transportes e provável candidato ao governo de Alagoas), Jader Filho (Cidades e que pretende disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo Pará), e Rui Costa (Casa Civil e possível candidato ao Senado pela Bahia).
Publicado
originalmente no Correio Braziliense
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