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| O deputado estadual cearense do PL entrou em atrito com um vigilante que cumpria seu trabalho e acionou a Polícia Militar (Foto: Reprodução/Instagram) |
O assunto mais importante do episódio acabou sendo a cena dele querendo entrar no prédio, mas se deparando com a grade fechada. Dentro, um vigilante explica de modo educado que não pode permitir o acesso, cumprindo ordens do cliente. Neste momento, o deputado poderia gravar o vídeo-denúncia da calçada, mas ele decidiu insistir. Agitado, Carmelo usa termos de baixo calão e passa a se dirigir de modo mais ríspido com o guarda, até que este fecha a porta atrás da grade.
O atrito com a porta ao ser fechada teria causado um ferimento no braço do parlamentar. Tempos depois, Carmelo exibe um papel que seria um laudo da Perícia Forense a atestar (nessa hora o take é na sede da Pefoce). Após a porta fechada, o deputado cumpre a ameaça ao segurança e aciona a PM. Um cabo e alguns soldados chegam (não, não em um transformer) e o vigilante é conduzido pelos militares ao 27o DP.
Ele
queria o papel de herói
O jovem deputado, já egresso de uma geração de políticos forjados nas redes sociais, faz dos vídeos seu principal púlpito. Para esta geração, o parlar não é tanto no plenário, onde há rituais regimentais e é preciso usar terno e gravata. O figurino preferido é um colete, tal qual fazem os gestores públicos. Buscam um ar assim operacional. A persona cênica é muito parecida em todos.
Atuam na rua, com câmera na mão. Mas esqueça as produções em plano sequência. As tomadas não costumam ser contínuas. Os cortes são rápidos. Nunca ouviram falar de Antonioni. Estão mais para Tony Scott e Guy Ritchie.
O desfecho da produção, decerto, não era o esperado pelo deputado. Aconteceu uma revitravolta. Um plot twist, como queira. De paladino, como previa o roteiro por ele escrito, Carmelo virou algoz de um trabalhador no pleno exercício de seu ofício.
Ou alguém acredita que um vigilante decide pela entrada ou não de alguém - deputado ou super-herói de capa ou colete? A resposta do Sindicato dos Vigilantes foi dura e o parlamentar deve ter perdido plateia na categoria. E não só nela.
É o tipo de vídeo que costuma tirar votos quando acontece na véspera das eleições. Carla Zambelli e Inspetor Alberto foram determinantes para as respectivas derrotas de Bolsonaro e de André Fernandes. O deputado certamente vai rever as próximas produções. Carmelo é visto como um bom menino. Até na esquerda reconhecem que é possível sim conversar. Ele costuma se agitar apenas quando se dirige e grita "ação".
E
já que estamos em dia de celebração do Oscar, caso opte pelos planos
sequências, uma boa opção é um filme dirigido por Alejandro Iñárritu, o
ganhador do Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor
Roteiro Original de 2015: Birdman (ou A Inesperada Virtude da Ignorância).
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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