26 de janeiro de 2026

Camilo critica Ciro por aliança com extrema-direita: "Não tem projeto"

Em entrevista ao jornal O Globo Camilo afirmou que Elmano faz um grande trabalho, mas reconheceu que Ciro é o nome mais forte da oposição (Foto: Brenno Carvalho)

O ministro da Educação e ex-governador do Ceará, Camilo Santana (PT) analisou o cenário político-eleitoral no Ceará e considerou que uma eventual candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ao governo não ameaçaria a reeleição do governador e aliado Elmano de Freitas (PT). Apesar disso, Camilo reconheceu que Ciro é o nome mais forte da oposição.

“Ninguém escolhe adversário. Vamos trabalhar para fortalecer o arco de alianças. A oposição se aliou ao bolsonarismo. Eles não têm projeto, é ódio. Não considero ameaça, mas claro que hoje o adversário mais forte contra Elmano é ele (Ciro)” disse em entrevista ao jornal O Globo, ao ser questionado sobre se Ciro seria um retrocesso e se ameaçava o PT no Ceará.

Sobre eventual saída do Ministério da Educação (MEC) para ser candidato, caso pesquisas internas sinalizem dificuldade para Elmano, Camilo negou a possibilidade. “O candidato é Elmano. A ideia é que eu possa estar mais livre, inclusive para ajudar na eleição presidencial no Nordeste, pela minha articulação com os governadores e senadores. É juntar um pouco do Ceará e da eleição nacional”, explicou.

Cenário nacional e papel de Haddad

A entrevista com o ministro petista, veiculada neste domingo, 25, também abordou questões nacionais. Camilo falou sobre o colega de Esplanada, ministro Fernando Haddad (Fazenda), e defendeu que o correligionário seja candidato ao Governo de São Paulo. Haddad já sinalizou publicamente não ter intenção de concorrer ao posto.

“Haddad cumpriu um papel importante em 2022 e representa algo muito maior. Então não pode se dar ao luxo de querer tomar uma decisão individual. Ele faz parte de um projeto de Brasil, que é liderado pelo presidente Lula. A gente precisa cumprir missões que muitas vezes, pessoalmente, não quer. É o que poderá acontecer em São Paulo. Não tenho dúvida que Haddad vai se empolgar”, projetou.

De volta ao Ceará

Questionado sobre se espera mais dificuldade em 2026, em comparação com anos recentes, e sobre a força do projeto petista no Ceará, Camilo demonstrou confiança.

“Ao contrário. Nosso projeto tem se fortalecido, tanto que Fortaleza foi a única capital onde o PT elegeu o prefeito. Elmano faz um grande trabalho e os indicadores do Ceará têm avançado. A segurança é um desafio grande, como no Brasil inteiro. Minha ideia é ajudar para que não tenhamos retrocesso. Terei mais tempo para percorrer o Estado e fazer articulação política”.

Nos bastidores, membros da oposição ao governador Elmano apontam que Camilo está de saída do MEC para ser uma opção eleitoral no Ceará. Em coletiva, na semana passada, Ciro chegou a afirmar que a saída de Camilo do MEC é para “tomar o lugar de Elmano”. Camilo já admitiu que pode deixar o cargo, mas para ajudar nas campanhas.

Localmente, os irmãos de Ciro: o ex-prefeito de Sobral Ivo Gomes (PSB); a secretária das Mulheres do Ceará, Lia Gomes (PSB); e o senador Cid Gomes (PSB) têm manifestado níveis de descontentamento com Camilo e com o PT. Ivo falou publicamente que não tem mais compromisso com Elmano, após o governador se aproximar de Moses e Oscar Rodrigues, adversários dos Ferreira Gomes em Sobral.

Lia cobrou respeito e lealdade de Camilo e do PT, afirmando que o ex-ministro tem suas “coisas boas e coisas ruins”. Já Cid, disse que a saída de Camilo do MEC seria “terrível” para Elmano, argumentando que, pelo fato de ter sido um governador bem avaliado, Camilo sempre foi uma sombra. E que com a saída do MEC, ele passaria a ser um “fantasma” para o aliado.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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