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| O carnaval de 2026 ainda serviu para colorir o discurso vazio de polarização ao homenagear Lula (Foto: Foto: Pablo Porciuncula) |
Sim, no Brasil, o ano só começa depois do carnaval. Ótimo! Bom seria que os períodos de expectativa e realidade fossem mais equilibrados. Sorte a nossa que 2026 tem outros respiros. Já que tem São João misturado com Copa do Mundo. A verdade, porém, é que a folia deste início de ano não ficou alheia ao tema central do calendário. Em outubro, como a última tentativa de golpe não foi bem-sucedida, teremos mais uma jornada de eleições. Claro, falou-se disso no carnaval.
A festa, querendo ou sem querer, abre espaço para discussões enfrentadas em outros campos. A expansão do carnaval em diversas cidades brasileiras, como São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza, chama a atenção para os usos e a qualidade dos usos dos serviços e espaços públicos. Um bloco numa rua arborizada é um alívio dos grandes e as árvores que sombreiam a folia são as mesmas o ano inteiro, para ficar aqui num exemplo mais objetivo. O carnaval, no entanto, pauta uma infinidade de questões que podem definir a opção de voto nas urnas.
Em Olinda, além de muito frevo e brega funk, ouviu-se com uma frequência absurda o nome de Mirella Almeida, prefeita da cidade. O que corria de boca em boca e era registrado por parte da imprensa saltava aos olhos: a gestão municipal deu de ombros à tradição da festa. A cada esquina, a alegria ia cruzando com muito lixo amontoado, comércio ambulante desordenado e nenhum controle de trânsito, com caminhões dividindo espaço com os blocos.
No carnaval, os problemas cotidianos se avolumam. Não cuidar da festa é mero reflexo de não cuidar da população. Em João Pessoa, após parte da arquibancada instalada na avenida Duarte da Silveira ceder, por conta da superlotação, o tradicional desfile de agremiações foi interrompido. Lá, o carnaval oficial da cidade só se encerrou no último fim de semana, por motivos que, com mais atenção do poder público e da organização, poderiam ter sido evitados.
O carnaval de 2026 ainda serviu para colorir o discurso vazio de polarização. No Rio de Janeiro, o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Lula acabou sendo lido errado pelos dois supostos "lados" da política nacional, levantando debates que insistem em não se encerrar, como o limite e o significado de "família". Do nada, uma escola de samba que mal soma 10 anos vira assunto nacional, justificando motivos para vitórias e derrotas no próximo pleito.
Brincar
carnaval, seja em ano de eleição ou não, vai ser sempre um ato político porque
tem a ver com encontro e com a possibilidade de afirmações de corpos e temas
silenciados no restante do ano. É como diz o poeta: o que a gente pode, pode; e
o que a gente não pode, explodirá. Por isso, quanto mais purpurina, quanto mais
serpentina, melhor!
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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