26 de junho de 2026

Vídeos de Michelle aprofundam racha com Flávio, PL tenta abafar crise e Girão agradece

Flávio Bolsonaro, Michele e Eduardo Girão (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

Nomes do PL atuaram nesta quinta-feira, 25, para tentar colocar panos quentes na crise instaurada pelos vídeos da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) em que, entre outros assuntos, acusou o enteado, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de "humilhá-la". A nova desavença entre os dois teve como estopim uma divergência a respeito da montagem de chapas no Ceará: enquanto uma ala do PL defende subir no palanque de Ciro Gomes (PSDB) para ajudar a tirar o PT do poder, a ex-primeira-dama queria o apoio do partido à candidatura do senador Eduardo Girão (Novo).

O embate tornou-se público no ano passado, quando Michelle criticou publicamente a direção do diretório cearense da sigla por apoiar a candidatura de Ciro. Flávio reagiu nas redes acusando a madrasta de atropelar a vontade do pai, e recebeu apoio dos irmãos Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (PL-SC).

Horas após o vídeo de Michelle, o senador publicou, ainda no final da noite da quarta-feira, 24, uma carta aberta em resposta à madrasta.  Mais cedo, durante uma live antes do início do jogo da seleção brasileira contra a Escócia, Flávio já havia declarado que "nada nem ninguém" o aborrece. No texto, o pré-candidato diz que "nunca" desrespeitou, maltratou e humilhou uma mulher na vida. "Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai".

As divergências entre ele e Michelle são parte de um processo natural, argumenta Flávio. Mas mesmo que "pessoas comprometidas com o mesmo propósito enxerguem caminhos diferentes para chegar ao melhor resultado", o "foco" é "livrar" o Brasil "de Lula e do PT".

O senador disse ainda que tentou convidar a ex-primeira-dama para participar de uma reunião com as lideranças femininas conservadoras, mas que ela nem atendeu a ligação nem respondeu a mensagem. "Fiz mais um gesto não correspondido", enfatizou.

A esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro, também foi a campo e partiu em defesa do senador. "Como esposa, eu escolho olhar para aquilo que vejo todos os dias: um homem leve, respeitoso, carinhoso, restaurado e um pai dedicado às nossas duas filhas", disse no X (antigo Twitter).

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, adotou tom apaziguador e minimizou o conflito. "Michelle e Flávio conhecem muito bem nosso presidente Bolsonaro e sabem do grande respeito que ele tem às convicções e aos pensamentos individuais, e isso se tornou um dos princípios mais valiosos do nosso partido", diz a nota de Valdemar.

Valdemar continua: "A liberdade para expressar o que se pensa, o que se sente e no que se acredita é a verdadeira essência da democracia. Divergências fazem parte de qualquer ambiente vivo, plural e comprometido com ideias. Elas não nos enfraquecem; ao contrário, nos tornam mais maduros e mais preparados para os desafios que enfrentamos".

O presidente do PL diz também que ainda não falou pessoalmente com Michelle e Flávio. "O mais importante é que, ao final de qualquer debate, permanecem intactos os valores e princípios que nos unem; a defesa da liberdade, o respeito às diferenças e a convicção de que cada pessoa deve ter o direito de ser exatamente quem é", declara.

Após os vídeos, Michelle voltou a se pronunciar ontem. Na nova publicação, Michelle diz que não tem raiva de ninguém e que "não há briga, nem competição". "Para ficar claro: eu não tenho raiva de ninguém. Apenas esclareci uma situação que estava sendo deturpada. Vamos todos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno. Não há briga nem competição. Peço apenas que não retirem trechos de contexto para gerar confusão. Uma nova história será escrita com verdade, clareza e respeito. Fiquem em paz", diz a postagem de Michelle Bolsonaro no Instagram.

Apesar da fala, internamente, integrantes da pré-campanha do senador avaliaram que a ex-primeira-dama produziu "material de campanha" para o PT, ao divulgar um vídeo criticando o enteado. E o principal receio dos aliados do senador é de que haja estragos entre o eleitorado feminino - já resistente a ele por causa da imagem do pai. Michelle, presidente nacional do PL Mulher, reclamou de ter sido desrespeitada e maltratada por Flávio.

O temor dentro da pré-campanha de Flávio é de que o conteúdo feito por Michelle seja explorado por candidatos da esquerda até o fim das eleições. Uma das pessoas do núcleo da equipe disse que o estrago nos eleitorados feminino e evangélico "vai depender da esperteza do PT em aproveitar" o episódio eleitoralmente, e que "tem muitos cortes bons" para serem usados pelo PT contra Flávio.

A fala de Michelle despertou a solidariedade inesperada de uma das maiores opositoras do bolsonarismo, a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS). Ela disse que "nenhuma mulher deve ser menosprezada". Em 2014, Bolsonaro, então deputado federal, afirmou que Maria do Rosário não mereceria ser estuprada. A declaração culminou em uma condenação do ex-presidente por danos morais.

Girão agradece apoio de Michelle

Pré-candidato a governador pelo Partido Novo, o senador Eduardo Girão agradeceu a confiança da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que voltou a defender em vídeo publicado nesta quarta-feira, 24, que o Partido Liberal apoie a candidatura dele no Ceará.

"Sou muito grato pelo apoio e confiança da Michelle, assim como de tantos brasileiros que acompanham nosso trabalho", afirmou ao O POVO.

Girão ressaltou que o Ceará merece candidaturas que não fazem "negociatas" e nem trocam "princípios por cargos".

"O Ceará é uma terra que carrega um significado especial de esperança pra muita gente e é também a terra que tenho a honra de servir, no limite de minhas forças, com honestidade, sem negociatas. Tenho Fé que os cearenses mereçam um governo que não troca princípios por cargos mas que coloca a verdade e a justiça acima de tudo", acrescentou.

Por fim, defendeu princípios conservadores, dos quais costuma acusar o também pré-candidato Ciro Gomes (PSDB), que tem hoje o apoio do PL-CE, de não seguir.

Líder do PL na Alece diz que "tempestade se abateu" e prega paciência

Líder do Partido Liberal (PL) na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), a deputada estadual Dra. Silvana Oliveira afirmou que o momento pede que o partido tenha paciência e se mantenha focado em livrar o Brasil das "amarras ideológicas do esquerdismo".

A parlamentar foi questionada pelo O POVO acerca dos vídeos publicados pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. "Lutei contra meu temperamento pra não me posicionar, mas não é justo comigo mesma. Eu não perderei o foco depois dessa tempestade que se abateu após o vídeo. Eu tenho o foco de ajudar o meu país ser livre das amarras ideológicas do esquerdismo. A onda que se abateu só será grande se nosso foco for baixo e pequeno", afirmou a parlamentar.

Silvana afirma que a sigla segue inteira e seguirá lutando, mas que o momento pede paciência.

"O PL está inteiro. O PL vai continuar lutando e vencendo. O Ceará continua firme e aguardando o momento solicitado pelo presidente Valdemar: paciência. Ter paciência é ter sabedoria. O sábio Salomão nos ensina. O PL só precisa ter paciência e vai superar o momento de pé", defendeu.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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