3 de abril de 2015

Altaneirense percorre Caminho de Santiago de Compostela

A Quaresma é período que antecedem a principal celebração do cristianismo a páscoa, entre a quarta-feira de cinzas e o sábado de aleluia. Durante quarenta dias os cristãos dedicam-se à reflexão, a conversão espiritual e se recolhem em oração e penitência para lembrar os 40 dias passados por Jesus no deserto e os sofrimentos que ele suportou na cruz.

A empresária altaneirense Dheva Caldas Lacalle, atualmente residindo na Espanha, decidiu percorrer um dos caminhos de Santiago de Compostela, itinerário espiritual e cultural europeu, que é percorrido, por centenas de milhares de pessoas todos os anos. 

“Aproveitei ao máximo o meu Caminho, ele foi construído a cada momento, sem pressa alguma. Cheguei a compreender que assim como na vida o Caminho era meu, e eu podia fazer como quisesse, começar também onde quisesse”, especialmente para o Blog de Altaneira.

Os caminhos espalham-se por toda a Europa e vão entroncar nos caminhos espanhóis. O Caminho é geralmente feito a pé, mas também pode ser feito de bicicleta, a cavalo, ou até de burro.

Dheva fez o Caminho Mozárabe, segundo ela porque a própria vida a levou até ele. O Caminho Mozárabe e um Caminho bem primitivo, uma das rotas mais antigas, que era feito pelos Cristãos que viviam nos reinos Árabes. Eles seguiam essa rota até Galícia onde fica o sepulcro do Apóstolo Thiago um dos doze Apóstolos de Jesus Cristo.

É uma rota Andaluz, sai do Sul ao Norte da Espanha. Segue de Granada até Finisterre (Conhecido como o fim do mundo). Este caminho não é comum para os brasileiros que geralmente preferem o Caminho Francês.

“Concordo com os que dizem que o objetivo maior do Caminho talvez não seja a chegada, a visita a tumba ou receber a  Compostela, mas o próprio caminhar. Fui acolhida por pessoas, famílias, estranhos, albergues bancos e praças. Aprendi que entre chãos e humanos, ambos podem ser igualmente frios ou restauradores...” escreveu Dheva

A empresária cita que viveu experiências além da sua imaginação e conheceu outras versões da saudade. “Como nós, ela pode ser dura, mas juro que tem suas fraquezas”.

Dheva disse ainda que a princípio acreditava não precisava de um cajado, que era apenas um dos símbolos do caminho, que era bobagem de peregrino e se enganou totalmente, percebeu que o cajado lhe fez falta, pois os pedaços de paus que encontrava ao longo do caminho machucavam suas mãos e não lhe dava apoio suficiente.

A altaneirense relata que não conseguiu acompanhar o seu grupo, pois eles estavam bem mais preparados fisicamente, mas não desistiu seguiu seu próprio ritmo, enfrentou o medo e a solidão por quase dois dias.

“Chorei, meditei, orei, rezei tudo o que eu não tinha rezado até hoje e me perguntava o que eu estava fazendo ali e que deveria mesmo era ter ido conhecer uma das Sete Maravilhas do mundo. Infinitas pessoas foram aparecendo e aos poucos tudo foi mudando ao longo do caminho e compreendendo muitas coisas sobre mim. E sei que cada vez eu cada vez mais acreditava mais em mim, entendi o que é que é fazer das fraquezas a força...”

Para Dheva depois de Santiago, Finisterre representava não somente o fim de uma jornada, mas também o início de outra: a volta, o reinício, o recomeço, e ela se sentia mais forte.

Dos 17 dias no caminho, Dheva só lamenta a chegada em Santiago, pois era tarde da noite e chovia, daí as fotos não ficaram boas.

“Os rituais não poderiam ser mais significativos: depois de ir até o fim da terra eu desci até o mar onde devolvi ao Oceano a Concha que carregava no pescoço queimei minhas roupas de Peregrino, mergulhei numa água gelada e vi o Sol se pôr (ou morrer) no Mar. E então, voltei pra casa me sentindo renascida” concluiu Dheva.

Confira outras imagens da peregrinação de Dheva Caldas: