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| A deputada Priscila Costa foi pivô da crise nacional entre Michelle e Flávio Bolsonaro (Foto: Érika Fonseca) |
Vice-presidente do PL Mulher, a ex-vereadora Priscila Costa (PL), será candidata a deputada federal após ser oficializada na convenção do partido realizada nesta quarta-feira, 22. Após um impasse interno pela vaga no Senado, a assessoria da parlamentar informou que a decisão ocorre após Priscila ter sido "impedida" de disputar à Casa Alta.
"Estão divulgando que Priscila desistiu, mas não procede. Ela foi impedida de ser candidata", disse a assessoria. "Com isso, ela irá para a reeleição de deputada federal", completou.
Parlamentar que foi pivô da crise nacional entre Michelle Bolsonaro (PL) e Flávio Bolsonaro (PL), em conflito sobre as alianças do PL Ceará, também alegou ter sido retirada da secretaria-geral do partido no Estado.
Conforme a equipe da parlamentar, o posto foi ocupado por um aliado de André Fernandes, o vereador Julierme Sena (PL). "Inclusive, o último ato do partido foi retirá-la da secretaria-geral, substituindo-a por um aliado do presidente André Fernandes", afirmou a assessoria, acrescentando que a medida acabou "impedindo a Priscila, inclusive, de participar das deliberações do PL".
A parlamentar marcou presença na convenção estadual do PL nesta quarta-feira, 22, mas não comentou nada sobre o tema quando questionada em conversa com a imprensa. No evento, foi confirmado o apoio a Ciro Gomes (PSDB) e a candidatura de Alcides Fernandes a senador.
Ao chegar quase no fim da convenção André Fernandes, presidente estadual do PL, deputado federal e filho de Alcides, negou qualquer afastamento de Priscila Costa. Ele argumentou que a candidatura de Alcides foi construída em consenso com líderes máximos do partido, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, na última visita ao Ceará.
"Foi construído ao longo de muito tempo, com todo o time do PL Ceará. Todas as reuniões em que participávamos, sempre falávamos que há uma unanimidade. Foi um grande acerto, uma escolha entre todos os parlamentares, inclusive entre os mandatários do PL. Então, se foi feito assim, obviamente, após a indicação de Jair Bolsonaro em março de 2025, que bom que chegamos aqui nesse momento com um grupo coeso, forte, fortalecido para enfrentar o PT nas eleições que se avizinham", afirmou em entrevista coletiva.
Questionado sobre o afastamento de Priscila, ele comentou: "Priscila sempre foi do PL, é próxima ao PL. Com certeza, ela tem um grande espaço e uma grande importância dentro do Partido Liberal. E eu tenho certeza de que também é uma das pessoas que está disputando uma cadeira na Câmara dos Deputados. Então, não tem esse afastamento, nunca houve", alegou André.
Ele responsabilizou a imprensa pela situação. "Na verdade, boa parte da imprensa sempre tentou plantar essa briga e dizer que, enfim, havia divergência, mas quando perguntava para qualquer um do grupo, todo mundo dizia: 'Não, não tem divergência', na verdade, tem comum acordo", disse o dirigente.
O PL Ceará se tornou estopim de uma crise nacional do bolsonarismo após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), aliada de Michelle, publicar um vídeo no qual critica a aliança do partido com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) e a falta de apoio à candidatura de Priscila ao Senado.
Comandado por André Fernandes, o partido optou por lançar Alcides Fernandes para uma das cadeiras de senador na chapa de Ciro. Aliados argumentam que Alcides conquistou apoio da maioria, enquanto Priscila cita a existência de consenso sobre as duas candidaturas meses antes da aliança com o tucano.
“Eu (Priscila) e o André Fernandes nos reunimos em Brasília, em março. Ele não era presidente do partido e, ali conversando, ele me perguntou, inclusive, se eu tinha algum interesse pelo Senado, porque já estavam começando a aparecer pesquisas e meu nome pontuava, mesmo eu nunca tendo me apresentado”, disse a parlamentar em entrevista ao podcast IronTalks, em julho.
“Disse para ele que sim, que eu ia colocar o meu nome para o Senado. Ele ali compartilhou também do desejo de colocar o nome do pai dele (Alcides) para o Senado. Vimos que aquilo tudo se harmonizava, porque o partido poderia lançar dois nomes”, continuou a fala.
Priscila e André não se encontraram na convenção. A vereadora chegou pouco depois de 15 horas e passou pouco tempo. O deputado chegou após 16 horas.
A líder do PL na Assembleia Legislativa do Ceará, deputada Dra. Silvana, considera que Priscila não reuniu apoio da cúpula do PL. "Eu não gosto de falar sobre outras pessoas. Na verdade, a Priscila, ela não conquistou dentro do grupo. Isso aqui é um fato. Ainda somou-se essa inconveniência da Michelle Bolsonaro insistindo em utilizar o Estado do Ceará para uma causa dela, pessoal, isso foi horrível. O nosso Estado não merece", defendeu Silvana durante a convenção.
A parlamentar utilizou a ocasião para rebater indiretamente um comentário da ex-primeira-dama Michelle, em que alegou que "a direita do Ceará está vendida".
"Eu não aceito dizer que eu me vendi", rebateu Silvana. "As minhas posições dentro da política serão sempre muito firmes, serão sempre concretas, sempre terão base. Eu quero libertar o Estado do Ceará do PT. Não foi o Ciro que veio atrás do casal Jaziel (deputado e marido da parlamentar estadual) e Silvana. Nós que aceitamos o nome do Ciro como a alternativa viável".
Priscila Costa foi cotada para ser vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Sobre o assunto, comentou: "Vice, a gente já sabe que é uma decisão da Nacional". E completou: "Eu sempre fico muito feliz quando aparece o meu nome. O Flávio fala sobre o meu nome, eu fico muito feliz. Mas o que eu torço é para que o Flávio faça a escolha da vitória, porque eu quero a vitória do Flávio. Então vamos torcer para isso. Foco nisso"
PL
confirma apoio a Ciro
De 8 às 17 horas, a sede da sigla, no bairro Edson Queiroz, em Fortaleza, registrou movimentação intensa. Pré-candidatos e pré-candidatas formaram filas para assinar a documentação de registro do pleito.
A dinâmica seguiu um rito quase padronizado: na sala de homologação, os pré-candidatos assinavam a homologação, posavam com os documentos para fotos e gravavam vídeos divulgando a confirmação das candidaturas nas redes sociais.
Entre os políticos, filiados novatos e veteranos no partido compareceram. No fim da tarde, o deputado federal André Fernandes (PL), presidente da sigla no Ceará, oficializou sua candidatura para reeleição à Câmara.
Ele reafirmou que o PL estará coligado com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará e que a palavra dele sobre esse apoio é única. “A gente vai apresentar aí essa chapa completa, se Deus quiser, a chapa campeã que vai derrotar o PT e, com apoio e auxílio, com toda certeza estaremos coligados. Sempre falei isso. Não voltei em nenhum momento atrás da minha palavra. Minha palavra é uma só”, afirmou.
Em julho do ano passado, quando as conversas sobre aliança estavam no começo, ele chegou a anunciar que o PL teria candidato próprio a governador, depois de críticas de Ciro a Jair Bolsonaro (PL). Em dezembro, após as primeiras críticas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro à aliança, André anunciou a suspensão das negociações, por decisão do partido.
As manifestações de Michelle, em junho, voltaram a provocar uma crise no PL. . Na segunda-feira, 20, Michelle voltou a criticar a aliança entre o PL e Ciro Gomes no Ceará.
André Fernandes afirma que o PL Ceará apoia Flávio nacionalmente e ressalta que o acordo com Ciro é estritamente local para derrotar o governo estadual atual.
“Nunca teve esse acordo dele votar em Flávio Bolsonaro, nunca teve. Sempre expliquei para todo mundo. O nosso acordo é aqui no Ceará. Vocês por acaso viram alguma vez Flávio Bolsonaro chegando aqui dizendo que apoia o Ciro? Do mesmo jeito, o Ciro disse que não apoia o Flávio”, retrucou o deputado.
Apoiador da aliança do PL com Ciro Gomes, o deputado estadual e candidato a deputado federal Lucinildo Frota (PL) afirmou que a parceria de Ciro com o PL no Ceará foi avaliada pelo senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), em prol de um objetivo político maior.
“Eu ouvi do senador Flávio no Ceará: ‘Nós temos algumas diferenças com o Ciro Gomes, mas quem não as tem? Nós vamos nos unir para um bem maior, que é salvar e libertar o Ceará desse grupo do PT. Nós iremos fazer essa parceria’”, relatou o candidato à Câmara.
O vereador PP Cell também oficializou sua candidatura a deputado federal. Ele foi expulso do PDT em março deste ano por estar "desalinhado" com o partido e se filiou ao PL em seguida.
Segundo o candidato, o PL cearense apoia Ciro no Estado, mas reconhece que Ciro tem autonomia para não apoiar Flávio nacionalmente. “O Flávio é do PL. É uma opção do PL cearense apoiar a candidatura do Ciro, porém vai ficar a critério do Ciro se apoiar a candidatura ou não. Ele mesmo já falou várias vezes que não está apoiando. Então, quem sou eu aqui para dizer alguma coisa”, disse PP Cell, que acrescentou: "Essa coisa de se Ciro vai apoiar Flávio ou não, isso é lá em cima, é com eles”.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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