14 de abril de 2017

Açudes do Ceará têm recuperação, mas situação ainda é preocupante

Faltando mais de um mês para o fim da quadra chuvosa, o Ceará já conseguiu recuperar parte do volume dos reservatórios e chegou à mesma quantidade de água armazenada no fim do período de chuvas do ano passado. Em 2016, a situação tinha sido inversa. Em vez de receber aporte, os reservatórios reduziram a água armazenada no período de chuvas. Agora, a situação é mais favorável, mas não coloca o Estado em condição de conforto.

As precipitações continuam irregulares, se concentrando ao norte do Estado, e os grandes reservatórios cearenses (Órós, Banabuiú e Castanhão) ainda não atingiram níveis satisfatórios. Com isso, o Estado segue com municípios em situação de contingência. De acordo com a Cagece, são 18 cidades nessa situação. Nesses locais, são adotadas medidas como rodízio de abastecimento e oferta de carros-pipas para preservar os recursos hídricos

Desde dezembro de 2015, o Estado vem mantendo tarifa de contingência aplicada na conta de água. No último mês de setembro, passou a ser cobrado 120% sobre o excedente, para quem não economiza 20% do consumo médio.

“As chuvas estão se concentrando na parte mais ao norte do Estado. Isso é bom porque cidades como Sobral (que nos preocupava) hoje conseguiram pegar muita água, mas ainda existem regiões que preocupam, como o Sertão de Crateús que não recuperou quase nada”, explica João Lúcio Farias, presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).

De acordo com ele, a expectativa é que, até o fim de maio, as chuvas tragam novos aportes. “A nossa expectativa é de que as chuvas deste ano tragam alguma reação nos açudes médios, mas a situação dos grandes reservatórios ainda é preocupante. Por isso, temos que continuar o controle do abastecimento”, diz Farias.

Karlos Welby, vice-presidente do Comitê da Bacia do Baixo Jaguaribe, reforça que esse cuidado com o abastecimento deve continuar. A região do Vale do Jaguaribe é uma das que menos conseguiram recuperar o volume dos açudes, principalmente por ser abastecida por grandes reservatórios, como o Orós e o Castanhão, que ainda não evoluíram bem.

“A nossa preocupação primeira é o consumo humano. As sedes dos municípios têm água garantida pela instalação das adutoras, mas ao longo da bacia o abastecimento ainda tem sido um problema”, afirma. Atualmente, o Castanhão, que abastece Fortaleza e a Região Metropolitana, está com 5,8% da capacidade. O Orós, um os maiores do Estado, atua com 10,8% do volume total.

Os municípios que permanecem com medidas de contingência são: Apuiarés, Araripe, Baixio, Boa Viagem, Campos Sales, Catarina, Deputado Irapuan Pinheiro, Granjeiro, Ipaumirim, Iracema, Mombaça, Mulungu, Pedra Branca, Pereiro, Piquet Carneiro, Potiretama, Salitre e Umari.

O Estado entrou na quadra chuvosa deste ano com 6,3% do volume total dos reservatórios monitorados. Em 2012, no início do período de seca, o Ceará tinha 66% da capacidade total.

Com informações O Povo Online