15 de julho de 2016

Cunha sofre três derrotas em um dia

Ex-presidente da Câmara acompanha processo de cassação na CCJ (Foto: Lula Marques)
Ainda no início da madrugada de ontem (14/07), veio a primeira derrota. Aliado do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Rogério Rosso (PSD-DF) perdeu a eleição para a presidência da Câmara. Garantir a vitória de Rosso era um dos últimos trunfos de Cunha para atrasar ou tentar reverter a situação do processo de cassação de seu mandato.

Mais tarde, no mesmo dia, o peemedebista sofreria mais duas derrotas na Comissão de Constituição Justiça e Cidadania (CCJC). O recurso que pedia retorno do processo ao Conselho de Ética foi negado. Em seguida, novo relatório foi votado para que o processo seguisse para plenário.

Nas duas votações na CCJC, Cunha teve poucos a seu favor, contrastando com os meses em que comandou na Câmara. Um dos mais fiéis aliados de Cunha, Paulinho da Força (SD-SP), faltou à sessão.

“A marcação pra hoje (ontem), no dia seguinte da votação do presidente [da Câmara], tirou alguns parlamentares que estavam favoráveis ao meu recurso que não puderam comparecer aqui, pelo menos uns cinco ou seis”, argumentou Cunha, que acompanhou a sessão.

Por 48 votos a 12, a CCJC rejeitou recurso de Cunha, cujo processo agora vai a plenário, possivelmente em agosto, na volta do recesso parlamentar. As chances de que o deputado perca o mandato são grandes.

Cunha prometeu recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Preferiram a solução que fosse mais rápida e não a correta. Evidentemente que vou arguir a nulidade disso no Supremo, evidentemente que estão me dando cada vez razões maiores para isso”, afirmou em sua defesa.

Foi por decisão de um dos ministros da Suprema Corte que ele foi suspenso de suas funções parlamentares em 5 de maio. Desde então, Cunha tenta articular ações com a finalidade de protelar o trâmite do seu processo na Casa.

Deputados favoráveis e contrários a Cunha avaliam que será muito difícil reverter a cassação no plenário, uma vez que o voto será aberto.

Para a cientista política Paula Vieira, da Universidade Federal do Ceará (UFC), o mau momento de Cunha significa que a pressão da opinião pública está afetando as decisões dos parlamentares.

“Por mais que ele ainda tenha grande influência, ele não está podendo exercer porque os parlamentares estão muito expostos. Se negar a fazer o procedimento pode prejudicá-los publicamente”, avalia. “Lembrando que é ano de eleição e a maioria tem influência regional.”

Com informações O Povo Online