27 de julho de 2016

Governador lança plano de contingência para reduzir consumo de água

Camilo Santana e o secretário Francisco Teixeira no anúncio do plano (Foto: Fabio Lima)
A previsão para este segundo semestre e o futuro próximo, no Ceará, é de menos água. Faça chuva ou se realize a transposição do rio São Francisco (até janeiro de 2017), a convivência, daqui por diante, será com a redução do consumo e o uso racional da água. Estas são as linhas traçadas pelo Plano de Segurança Hídrica de Fortaleza e Região Metropolitana (RMF), elaborado pelo Governo do Estado e divulgado ontem (26/07).

O plano é emergencial, até a próxima quadra chuvosa, e deve ter as ações avaliadas em 90 dias. Dependendo das metas (não) alcançadas, “medidas mais drásticas” podem ser tomadas, projeta o governador Camilo Santana (PT). “Se tiver que tomar uma decisão drástica, fecho a Termelétrica (do Pecém), mas não deixo faltar água para a população”, diz. “A mudança dos hábitos é o que temos que estabelecer”, demarca.

O Estado vai passar de uma convivência com a seca para cotidianos com o uso sustentável de água. Do pequeno ao grande consumidor, todos têm que mudar hábitos porque os recursos hídricos são finitos, porque o consumo vai custar mais caro e para evitar racionamentos.

Cada um dos últimos cinco anos de seca expõe a vulnerabilidade dos recursos hídricos no semiárido. “E isso aprofunda a gestão de demanda”, relaciona João Lúcio Farias, presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). É preciso aprimorar o controle direto com o usuário, seja pequeno ou grande consumidor. “São coisas que estamos aprendendo”, diz Farias. “Pra gestão ser eficiente, a sociedade tem que contribuir. Temos que aprender a viver com menos água porque os recursos naturais têm limite. A água é um bem finito”, une o secretário dos Recursos Hídricos, Francisco Teixeira.

O plano objetiva “economizar em 20% a oferta de água do sistema integrado de abastecimento” da Capital e RM. Entre as 11 ações previstas, a ampliação da tarifa de contingência, aplicada ao consumo doméstico, representaria a maior parcela de economia de água, com custos diretos para o cidadão. Vai mudar hábitos e orçamento: com a revisão da tarifa, a redução no consumo de água passará de 10% (meta ainda não alcançada) para 20%. Quem exceder a nova meta pagará 120% sobre o excedente.

As alterações entram em vigor depois da aprovação pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (Arce) e pela Autarquia de Regulação, Fiscalização e Controle de Serviços Públicos de Saneamento Ambiental (Acfor). O governador vai apelar para campanhas educativas e deve onerar ainda mais as contas do mês para convencer cada cidadão a reduzir o consumo e utilizar a água de forma sustentável.

Outra ação do plano mira o reforço no combate às perdas — por vazamentos e ligações clandestinas. “O vazamento é inerente ao setor, devido a todas as pressões da rede, pela extensão da Cidade”, explica Neuri Freitas, presidente da Cagece.

Com informações O Povo Online