6 de julho de 2016

“Abusa das selfies? Talvez não seja tão atraente como pensa” por Rui Antunes

O blogueiro Júnior Carvalho é adepto do autorretrato (Foto: Divulgação/Facebook)
Costuma tirar fotografias a si por tudo e por nada? E a seguir vai a correr publicá-las nas redes sociais? E critica as dos outros mas não consegue deixar de adorar as suas? Se for o caso modere o seu grau de narcisismo: a foto pode não ser assim tão agradável à vista nem mostrar alguém tão atraente como julga.

Esta é a principal conclusão de um estudo recente sobre a forma como as pessoas que usam e abusam das selfies nas redes sociais olham para si próprias - com uma valorização desfasada da realidade, exageradamente positiva. Narcisista.

Segundo esta pesquisa do departamento de psicologia da Universidade de Toronto, no Canadá, publicada no jornal Social Psychological and Personality Science, quem tira e partilha pelo menos um autorretrato por semana enquadra-se no grupo dos que não desperdiçam uma oportunidade para se exibirem. E esses, explica o psicólogo Daniel Re, um dos autores do estudo, "pensam que estão a fazer um bom trabalho, mas, ironicamente, podem parecer mais narcisistas e menos atraentes" aos olhos dos outros.

Os investigadores chegaram a esta conclusão com base num inquérito realizado a três grupos distintos: cerca de 100 adeptos de selfies, outros tantos convidados a experimentar o autorretrato mesmo não tendo esse hábito e um terceiro grupo independente de 200 pessoas. Além da selfie, os dois primeiros grupos deixaram-se fotografar por um fotógrafo.

Numa escala de 1 a 7 para quantificar o quão atraentes surgiam nas selfies e até que ponto elas eram agradáveis à vista, os autorretratados do primeiro grupo avaliaram as suas imagens com melhores notas do que os do segundo grupo. E bem acima da valorização que deles fez o grupo independente, quer ao nível da atratividade da pessoa fotografada, quer ao nível da agradabilidade da imagem, os dois parâmetros em análise.

As fotos que tiraram a eles próprios também mereceram uma avaliação superior àquelas cujo disparo foi realizado pelo fotógrafo, enquanto no segundo grupo as duas fotografias foram cotadas num plano similar, independentemente de quem as tirou.

Dentro dos 100 'praticantes' de selfies, um outro dado surpreendeu Daniel Re. "Eles parecem cientes de que as pessoas não gostam de ver um monte de selfies dos outros, mas quando se pergunta a quem odeia selfies como avalia as suas, dão-lhes uma nota alta – quase como se esquecessem o que tinha acabado de dizer", afirma o psicólogo ao site da Universidade de Toronto.

Publicado originalmente no portal Visão