10 de julho de 2016

Os cuidados que faltam na hora de escolher o vice

Urna eletrônica usada nas eleições no Brasil (Foto: Divulgação)
O jornalista Carlos Mazza em artigo publicada na edição de hoje (10/07) do jornal O Povo lembra que tanto a nível nacional, estadual ou municipal a crônica do poder é rica em grandes adversários que surgiram de um vice. Em ano de eleição, o caso de Dilma e Temer é alerta para os cuidados (que deveriam existir) na hora de se arranjar colega de chapa.

Para Carlos Mazza princípio vivo do imaginário popular, a máxima de que “não existe inimigo mais temível que um ex-amigo” encontra paralelo fiel na política brasileira e cita o cientista político Felipe Albuquerque, pesquisador da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) que  afirma “O vice (no Brasil) normalmente acaba tendo papel figurativo. Serve só para amarrar alianças para as eleições”. Ele aponta que, com o vínculo frágil e a aproximação do vice ao poder, é natural o surgimento de rusgas por espaços entre aliados.

Carlos lembra também que em Fortaleza, a teoria já virou tradição. Desde 1986, quase todos os prefeitos romperam politicamente com os vices. Situação do atual vice-prefeito da Capital, Gaudêncio Lucena (PMDB).

Eleitos em 2012 em clima de amizade inabalável, a “lua de mel” entre o peemedebista e o prefeito Roberto Cláudio (PDT) durou só até a eleição seguinte. Em 2014, o vice rompeu com o gestor para apoiar Eunício Oliveira (PMDB) ao governo, contrariando promessa de quebrar o histórico de rompimentos feita na campanha.

Já em Altaneira apesar de desentendimentos eventuais não existe históricos de rompimentos de vices no mandato, ao contrário, nas primeiras eleições os vices sucederam os titulares na eleição seguinte, foram os casos de Assis Baião, Oliveira Rufino e Seu Quido e João Ivan.

O atual vice-prefeito, Dedé Pio, mantem-se fiel ao prefeito Delvamberto Soares eleitos no PSB, apesar de não ser lembrado para compor PDT, filiou-se ao PRB, mas pouco tempo depois recompôs com o chefe e também se filiou ao PDT.

Carlos também cita a avaliação da cientista política Nayara Macedo, doutoranda pela Universidade de Brasília “O conflito é tão comum pela própria política de alianças feitas no Brasil. Alianças não ocorrem por convicções ideológicas, mas por interesses pragmáticos”. Ela afirma que o conflito poderia ser evitado com um vínculo político maior na coalizão.

Parece ser o caso dos prováveis vices anunciados pelos partidos para o pleito local.