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| Cid se mantém irredutível quanto a concorrer, a pressão palaciana vai persistir, sobretudo por meio da bancada do PSB (Foto: Ana Volpe) |
A interlocutores, o ex-governador fez saber que quer evitar ao máximo situações de confronto aberto com o irmão Ciro Gomes (PSDB), que deve disputar o Governo do Estado. Daí que Cid tenha se comprometido com a recondução do chefe do Abolição, e apenas com ele, mas descartado postular mandato, ou seja, não pretende figurar pessoalmente na chapa.
Dentro do bloco aliado, há quem interprete esse movimento do Ferreira Gomes como uma tentativa de deixar a porta entreaberta caso a campanha pelo Abolição se acirre num eventual 2º turno entre PT e PSDB. Por ora, mesmo com Cid se mantendo irredutível quanto a concorrer, a pressão palaciana vai persistir, sobretudo por meio da bancada do PSB (Romeu Aldigueri), que vocaliza as demandas governistas.
As
estratégias
Essa cautela de Cid em se vincular formalmente à chapa do petismo se explica tanto pela via familiar - o desejo de preservar o laço que resta com o irmão mais velho - quanto pela estratégia político-eleitoral. Embora não se mostre interessado em mais oito anos como senador, o ex-governador não pendurou as chuteiras. Pelo contrário, Cid, em nova conversa com o correspondente do O POVO João Paulo Biage, admitiu que pensa no PSB como uma máquina partidária com a mesma estatura do antigo PDT pré-rompimento, isto é, quando a legenda era uma força hegemônica no Estado.
E não apenas porque é um homem dedicado ao coletivo, mas porque uma tal musculatura lhe permitiria sair de debaixo das "asas" do ministro Camilo Santana (Educação), hoje a liderança mais forte do Ceará. Sob esse ponto de vista, é compreensível que ele esteja alinhado com a reeleição de Elmano, já que as condições políticas de um "voo solo" não estariam postas neste momento - como poderão estar até 2030.
O
papel de Mano
É nesse ponto do enredo que o deputado federal Júnior Mano (PSB) passa a ter função importante para Cid. Influente, o jovem parlamentar orgulha-se de seu exército de prefeitos e lideranças que o seguem aonde vá. Exemplo disso é a migração da esposa Giordanna Mano, gestora de Nova Russas, para o PRD, que deve se federar com o Solidariedade, deixando nas mãos do casal Mano uma parcela do PSB e uma sigla com potencial para eleger deputados (até dois na Câmara).
O gesto de JM é estudado: o PRD é um plano B para Mano na hipótese de o grupo de Camilo rifá-lo para o Senado. Nesse caso, o ainda pessebista juntaria seu capital de votos no Interior cearense e o realocaria no partido sob presidência da esposa.
É o que Cid vem tentando evitar, por um motivo: os 350 mil votos que Mano alega ter espalhados em alguns municípios já estão sendo contados hoje para ajudar a eleger deputados do PSB. Logo, deputados ligados a Cid Ferreira Gomes.
União
Brasil/PP
O início da janela partidária tende a ampliar as tensões no quadro local. Na federação União Brasil/PP, as incertezas recaem sobre o futuro dos mandatários governistas, a saber, Fernanda Pessoa (União), Moses Rodrigues (União) e AJ Albuquerque (PP). Dos três, apenas o último já havia manifestado que deve continuar no grupo, a despeito de a federação estar na oposição a Elmano.
Em
reunião na terça, 3, porém, quando consultado sobre o assunto, Ciro Gomes
concordou com a permanência dos parlamentares na federação, assegurando que
poderiam até votar no candidato petista, embora não possam fazer campanha
abertamente por Elmano na disputa eleitoral de outubro.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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