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| Não há nada revolucionário nos registros que ficaram do que aconteceu no nosso País durante mais de duas décadas a partir daquele 31 de Março de 1964 (Foto: Reprodução/Arquivo Nacional) |
Num dia como hoje, há 62 anos, entrávamos numa sombra política que se estenderia até 1985, quando o País começou a traçar a trajetória que o levaria de volta à democracia plena, devolvendo-se ao cidadão o direito de definir, pelo voto, seu próprio destino. Foram, desde então, nove eleições seguidas nas quais o brasileiro pode escolher o presidente da República, errando e acertando como é próprio de um regime democrático.
O direito ao voto não representa a certeza da melhor escolha, mas, considerada a experiência que vivemos nos 25 anos em que nos foi negado o direito de exercê-lo, muito menos demonstra-se um rumo adequado delegar a eleição do líder que conduzirá o País a um núcleo restrito e privilegiado de pessoas, colégio eleitoral ou o que valha. Sem contar que o período ficou marcado por fortes restrições às liberdades individuais.
A gente precisa relembrar o que significaram aqueles tempos para, essencialmente, não voltarmos a enfrentar dias iguais de restrição a direitos que pertencem ao cidadão no Estado Democrático de Direito. Não podemos ter mais uma geração obrigada à clandestinidade no exercício da legítima opção por se opor ao governo que estiver instalado, criticar o presidente eventualmente no poder, protestar, gritar, valendo-se de todo instrumento à sua disposição dentro dos limites de uma luta política.
O fato de haver exageros praticados por autoridades nos dias atuais, e há, não parece permitir que comparações sejam feitas entre os períodos. A liberdade de expressão é um valor que o Grupo de Comunicação O POVO defende sem meio termo, embora também se deva apontar como necessário exercê-la de maneira responsável, observando marcos que em várias situações a própria vida em sociedade delimita. É no equilíbrio entre uma coisa e outra que estará o ponto certo.
Não há nada revolucionário nos registros que ficaram do que aconteceu no nosso País durante duas décadas e meia a partir daquele 31 de Março de 1964. A verdade é que se vê muito pouco de idealismo num movimento que, como saldo principal, deixou uma lista oficial de 434 mortos e um rastro de torturas praticadas em nome do Estado que até hoje não tem uma resposta que tranquilize as famílias das vítimas, que acalme avôs, avós, mães, pais, filhos, filhas, enfim, milhares de brasileiros e brasileiras que seguem a chorar perdas pessoais que o ambiente político da época pode ajudar a explicar, mas não consegue justificar.
A defesa da democracia exige atenção permanente e, dentro disso, ter memória sobre o que representa a data de hoje é fundamental para não vivermos de novo tempos tão amargos. Nunca mais, diga-se sempre, a força deve ocupar o espaço que pertence às ideias, de maneira legítima, numa sociedade democrática
Publicado originalmente no portal O Povo +
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