21 de março de 2026

Alguém perderá muito na briga pelo União Brasil, por Érico Firmo

O prefeito Roberto Pessoa e o ex-deputado Capitão Wagner representam alas distintas do União Brasil (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

Comparei a situação do União Brasil em 2026 com a do PDT em 2022, principalmente pela forma como se arrasta. A crise do PDT começou quatro anos atrás e até hoje não acabou. Decida o que decidir sobre o Ceará, o partido terá sequelas graves no futuro. Haverá uma ala de insatisfeitos, dissidentes ou ambos. A não ser que haja uma saída em massa de algum dos lados na próxima semana, a legenda irá para a eleição com divisões profundas.

Será ainda mais marcante caso a federação não apoie Ciro Gomes (PSDB). Trata-se da espinha dorsal da estratégia da oposição. Diante das indefinições e idas e vindas do PL, é o União Brasil que dá musculatura ao bloco.

Por outro lado, se a oposição vencer a queda de braço, imagens como a da reunião com o governador, na quinta-feira, 19, ganharão aspecto de comicidade no folclore político.

O peso do tempo

A estratégia dos governistas é adiar decisões. Isso pressiona justamente a base de Ciro. Para o governismo, o União Brasil sem aliança formal com nenhum dos lados já é uma vitória. Para a oposição, é importante que a federação esteja coligada. Pelo verbalizado hoje, tende a ter dois espaços na chapa, com candidatos a vice-governador e senador — Roberto Cláudio e Capitão Wagner, respectivamente, ao que tudo indica.

O prazo de filiação termina em 4 de abril. Sem resolução até lá, RC e Wagner seguirão filiados? Seria apostar tudo numa agremiação instável. Depositar na legenda a própria viabilidade de uma candidatura de oposição. Sair, por outro lado, é entregar as siglas de bandeja para a base. E sair para onde? Não há muitas opções com alguma relevância.

Antonio Rueda, imagino, será pressionado pela oposição a decidir logo, e de forma pública. Assim como os governistas desejam o adiamento da escolha.

O problema é: quem garante que qualquer compromisso assumido agora, mesmo publicamente, não será desfeito em agosto?

O peso do simbolismo

Como já escrevi, a chance de Ciro Gomes ser eleito passa por fazer as pessoas acreditarem na vitória dele. Não falo dos eleitores, mas do meio político. No Ceará, até hoje, ninguém venceu sem adesão significativa de prefeitos e deputados. Mesmo que não fosse maioria, precisava ser expressiva. A oposição não tem isso neste momento, porém, pode adquirir se for percebido que Ciro será eleito. Do ano passado para cá, a presença nos noticiários fez a pré-candidatura avançar casas nessa direção.

A eventual perda da federação para o governismo, ao contrário, seria uma demonstração de força palaciana e de fragilidade da articulação adversária.

O fator PL

Ciro se filiou em outubro ao PSDB — atualmente sem envergadura para, sozinho, sustentar uma candidatura majoritária competitiva. Ele depende dos apoios.

A indefinição no União Brasil lança pressão sobre o PL para assumir logo o apoio. Como diz o tucano, o partido já fez que ia e não foi algumas vezes. Se não assumir logo o compromisso, pode levar ao desmanche de toda a construção oposicionista arquitetada há mais de ano.

Todavia, tal qual o União Brasil, nada assegura que um acerto agora com o PL não será desfeito meses depois.

Prestígio

Membros do PL, desde o ano passado, comentavam reservadamente sobre a chance de o União Brasil não ficar com Ciro.

Havia até quem gostasse da ideia, pois tornaria a candidatura mais dependente do bolsonarismo.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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