17 de setembro de 2015

Ciro se filia ao PDT e distribui críticas para governo e oposição

Ato de filiação do ex-ministro e governador Ciro Gomes na sede do PDT, em Brasília (Foto: Alan Sampaio)
Ao assinar sua ficha de filiação ao PDT nesta quarta-feira (16), o ex-ministro Ciro Gomes disse que não gostaria de enfrentar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas em 2018. No entanto, se for necessário, ele o fará pelo seu novo partido. “Já fiz isso duas vezes. Não quero isso não, mas farei se for necessário e essa for a minha tarefa”, destacou o político, arrancando aplausos dos pedetistas que lotaram a sede do partido, em Brasília, no evento montado para recebê-lo. 

Ciro aproveitou a festividade para destilar críticas à equipe do governo, a qual chamou de “organizações tabajara” e à própria presidente Dilma Rousseff, que em sua opinião “fez escolhas completamente erradas. O político também repreendeu a oposição, taxada por ele como golpista, e ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado por Ciro de representar uma “maioria de corruptos”.

“Hoje o moralismo está a serviço da mais cruel imoralidade. O presidente da Câmara dos Deputados hoje, infelizmente, representa uma maioria de corruptos e é quem tem o juízo de admissibilidade do impeachment, cuja razão seria um crime de responsabilidade. Durma-se com um barulho desses. Só que nos vamos enfrentá-los”, disse.

Procurando passar uma imagem cautelosa em relação a sua provável candidatura, até para não provocar resistências de pedetistas não simpáticos ao projeto, como o senador Cristovam Buarque (DF), Ciro, no entanto, não negou sua intenção. O ex-ministro teme que a situação política do País se deteriore de tal maneira que nem eleições ocorram.

“Eu não posso andar mentindo por aí que eu não estou querendo ser candidato, sendo que eu já fui duas vezes. Agora, não chego no PDT como candidato. Acho extemporâneo. Veja o calendário brasileiro e a própria democracia sob grave ameaça, a senhora vai assistir daqui a três meses o nível de calor que vai estar a vida brasileira”, previu.

Ciro ainda passou recados duros ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “Atenção meu querido amigo doutor Levy, o ano fiscal de 2015, com toda esta amargura, vai ser pior que o ano fiscal de 2014. No Brasil, não tem precedentes. Todo ano eleitoral é mais expansivo e todo primeiro ano de governo é um pouco mais austero. Nós vamos ter um ano de 2014 mais sadio, que não foi bom, do que o ano de 2015, com esta amargura toda, porque a principal despesa corrente no Brasil está em elevação: juro para banco”, provocou.

Além disso, cobrou uma mudança de postura de Dilma que, segundo ele, deveria se voltar para os setores que a elegeram. A presidente fez escolhas erradas, segundo Ciro, “tanto sob matéria de equipe, quanto sob matéria de rumo estratégico".

“Nós apoiamos o governo e ninguém conta conosco. O que devia ter, penso eu, é um aforamento, mediado por ela, em que estes grupos mais progressistas, mais nacionais, mais preocupados com a sorte do País tencionassem esta heterogenia aliança e esta equipe, como diria, organizações tabajara, que são por média a equipe da presidente Dilma, para o rumo correto. O rumo correto deu a ela a eleição”, lembrou Ciro, que foi um dos responsáveis pela eleição da presidente.


Com informações O Povo Online