8 de maio de 2016

Ceará se prepara para novo cenário politico nacional

O clima é de expectativa, e agitação nos bastidores, entre políticos e empresários cearenses. Em todos os setores instalou-se um debate intenso sobre o processo de reacomodação de forças, com a troca de posição entre governistas e oposicionistas diante do provável afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) e sua substituição pelo vice Michel Temer (PMDB). O governador Camilo Santana, aliado de Dilma, acredita na institucionalidade, enquanto seu principal adversário, o senador Eunicio Oliveira, ex-aliado de Dilma e atualmente próximo de Temer, já adianta que “ninguém conte com ele” para qualquer ação que possa prejudicar o Estado.


Na Economia, setores se mobilizam para apresentar suas demandas para Michel Temer. A expectativa é de que as propostas sejam incorporadas à agenda do possível novo governo. Entre as pautas quase unânimes do Ceará, estão condições especiais para o Nordeste, meio para reduzir as desigualdades regionais.

No cenário político a transformação será intensa: o governador do Estado, Camilo Santana (PT), passa a compor a oposição do governo de Michel Temer (PMDB); e o adversário por ele derrotado, senador Eunício Oliveira (PMDB), se torna um dos principais interlocutores do Ceará frente ao Governo Federal.

A três dias da primeira votação do plenário do Senado, marcada para o dia 11, que pode afastar temporariamente Dilma Rousseff (PT) do cargo, o líder do PMDB no Senado e aliado íntimo de Temer já veste a camisa de interlocutor.

“Se eu tiver alguma ponta de prestígio (no novo governo), ninguém pode contar comigo para ajudar a atrasar o Ceará, eu não vou fazer disputa política com os interesses da minha população, eu espero contribuir”, afirmou. “Eu posso não ter prestígio, mas intimidade (com Temer) eu terei para trazer benefícios”, completou, afirmando que o vice-presidente pediu a indicação dele para compor três ministérios de um eventual governo.

Em contrapartida, questionado sobre possível enfraquecimento seu e do seu grupo político, ligado aos ex-ministros Cid e Ciro Gomes (ambos do PDT), Camilo rebate: “Eu não tenho interesse em nada, não tenho sequer um cargo indicado no Governo Federal, minha preocupação é com o povo cearense”.

Também ligado aos ex-governadores, defensores do governo de Dilma, o deputado federal Leônidas Cristino (PDT) nega enfraquecimento do grupo. “Não vamos perder nada em relação a cargos, a maioria deles já está com o Eunício”.

Além de Eunício, quem também se fortalece com a possível troca de governo é o senador Tasso Jereissati (PSDB). Autor de carta de princípios enviada a Temer para que sua legenda o apoiasse, ele tem se aproximado da bancada cearense do PMDB e está cotado, inclusive, para compor quadro de ministros.

Em entrevista, Eunício disse que está trabalhando junto com o tucano para garantir que o Estado seja beneficiado com a troca. “Você acha que o senador Tasso vai trabalhar contra o Ceará? Possibilidade zero”, disse.


Com informações O Povo Online