10 de maio de 2016

"O que começa mal nunca consegue terminar bem" por Guálter George

Eduardo Cunha e Waldir Maranhão em sessão da Câmara (Foto: Pedro Ladeira)
O imbroglio que tem envolvido a tramitação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional encontrará justificativa, muito provavelmente, na forma atabalhoada como tudo começou, lá naquele 2 de dezembro de 2015.

É muito possível que o pedido acolhido estivesse bem lastreado nas suas fundamentações, considerado o peso jurídico das três figuras que o assinam, mas o então presidente Eduardo Cunha fez todo o possível para dar maior evidência aos motivos político-pessoais de sua decisão.

Anunciada, lembre-se, pouco mais de duas horas depois de o PT oficializar que seus três votos no Conselho de Ética seriam pela abertura de processo de cassação contra o peemedebista, hoje afastado do mandato e do cargo.

Cunha é conhecido pela frieza política, pela capacidade de escolher sempre o momento mais apropriado para agir, o que pode dar sentido à atitude de criar proximidade entre dois fatos que no mundo ideal deveriam guardar distância respeitosa entre si.

O novo capítulo da novela sem fim na qual se transformou a crise do impeachment, com a tentativa do interino Waldir Maranhão, ontem, de zerar o processo através de uma canetada, parece em consonância com o que tem acontecido desde o primeiro momento.

Lamentavelmente, o esforço brasileiro das últimas três décadas para se demonstrar ao mundo uma democracia confiável e estável, esvai-se um dia após o outro. Pior, num enredo em que não há mocinhos pelos quais possamos torcer.

Publicado originalmente no O Povo Online

Guálter George, editor-executivo de Conjuntura do Jornal O Povo