6 de maio de 2016

Deputados cearenses apoiam afastamento de Cunha

Deputadas e deputados de vários estados realizaram protesto ontem no plenário da Câmara após decisão do STF que afastou Cunha (Foto: Divulgação/Psol)
“Antes tarde do que nunca”, declarou o deputado José Aírton Cirilo (PT), repetindo a reação de Dilma Rousseff à suspensão do mandato de Eduardo Cunha pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A aprovação ao resultado do processo foi partilhada por outros deputados federais cearenses. Há divergência, entretanto, quanto ao que poderia ser interferência da Suprema Corte no poder legislativo.

Para o deputado Genecias Noronha (Solidariedade), Cunha deveria ser apenas afastado do comando da Casa, o que o impediria de estar na linha sucessória da presidência, mas a privação do mandato foi um exagero. “Não precisava de tudo isso”, comentou o parlamentar, para quem a questão não deveria ser de competência do STF.

Para alguns parlamentares, porém, a ação dos ministros do Supremo era necessária. “Esperava que o STF o afastasse, já que (na Câmara) não conseguimos”, afirmou Cabo Sabino (PR). Segundo Chico Lopes (PCdoB), o acompanhamento do supremo deveria ter sido mais veloz. “O Tribunal deveria ser mais ágil com essas questões de corrupção. Não é só com ele, é com todos”. O parlamentar também questionou o trâmite do processo contra Cunha no parlamento. “Tem mais de 100 deputados sobre a liderança dele (de Cunha),” afirmou.

Tendo contribuído para eleger Cunha para o comando da Câmara, em janeiro de 2015, alguns dos parlamentares cearenses consideram que o afastamento é constrangedor para toda a Casa, mas necessário. “Votei nele pra presidência e acho que ele inclusive cumpriu o papel. Teve coragem de fazer algumas votações que tiraram a Câmara da mesmice. Mas a gente tem que reconhecer que houve atos que, se constatada a culpa, ele precisa ser punido,” ponderou Danilo Forte (PSB).

“Quando ele foi candidato, na minha opinião, era o melhor”, reconheceu o Cabo Sabino. O deputado considera também que a relação entre a Câmara e o Executivo deve ser revista. “Só espero que ele seja cassado e afastado e que o futuro presidente não seja da base do governo,” afirmou. Já o deputado Moses Rodrigues (PMDB), foi enfático ao expor sua reserva em relação à Cunha: “Não tenho corrupto de estimação”.

Com a suspensão de Eduardo Cunha, os deputados questionam a conjuntura no Legislativo, pensando, inclusive, na possibilidade de grandes rearranjos. Para o petista José Airton Cirilo, “a saída do Eduardo Cunha quebra o monopólio de um grupo muito conservador e vinculado a interesses escusos”.

Chico Lopes considera a reestruturação imprescindível. “Eu diria que a Câmara está no fundo do poço. Todos nos que fazemos esse poder estamos em uma situação difícil,” reclamou.

Com informações O Povo Online