31 de agosto de 2025

Cientista política avalia avalia que "pressão de Trump não vai intimidar STF no julgamento de Bolsonaro"

Na tentativa de influenciar no julgamento Donald Trump impôs sanções econômicas contra o Brasil e o cancelamento de vistos dos ministros (Foto: Kent Nishi)

Depois de perder os direitos políticos até 2030, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enfrenta agora o risco de ser condenado criminalmente e acabar na prisão. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa na próxima semana a julgar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) que atribui ao ex-presidente o papel de líder de uma organização criminosa armada de civis e militares que queria dar um golpe de Estado em 2022. É a primeira vez que o STF analisa uma denúncia dessa natureza.

Para a cientista política Maria Tereza Sadek, uma das mais renomadas pesquisadoras de Judiciário do Brasil, o julgamento é histórico e há provas suficientes para condenar o ex-presidente. Em sua defesa, Bolsonaro alegou que todos os instrumentos cogitados após a derrota nas eleições de 2022 estão previstos na Constituição.

O julgamento vai ocorrer em um contexto de pressão internacional, com medidas de retaliação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre os ministros, especialmente o relator do processo, Alexandre de Moraes, e seus familiares, como sanções econômicas e o cancelamento de vistos.

Na leitura de Maria Tereza, as ameaças do governo americano não intimidaram o STF e não devem interferir no julgamento.

"A reação do Supremo tem sido uma reação institucional, corporativa. Então eu acho que é uma pressão, sem dúvida nenhuma, mas é uma pressão que não está surtindo os efeitos almejados", avalia. "Ao contrário: ao invés de intimidar está fortalecendo a instituição, o espírito de corpo."

O desfecho mais provável para o ex-presidente é a condenação. O STF acelerou procedimentos para concluir o julgamento das lideranças da trama golpista ainda em 2025, em uma tentativa de evitar a contaminação do calendário eleitoral, mas para professora a tendência é que o resultado embaralhe o tabuleiro político em 2026.

"Não é só a direita que vai sofrer, acho que a esquerda também, porque esses lados políticos existem em uma relação de simbiose", avalia Maria Tereza Sadek.

A cientista política considera que principal a lição deste julgamento é que as instituições precisam ser firmes ao perceber riscos antidemocráticos.

"Havia sinais de que isso poderia acontecer muito antes do 8 de Janeiro", defende. "O plano de golpe chegou longe demais."

Clique aqui e leia a entrevista completa com a professora e cientista política Maria Tereza Sadek

Publicado originalmente no Correio Braziliense

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