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Na tentativa de influenciar no julgamento Donald Trump impôs sanções econômicas contra o Brasil e o cancelamento de vistos dos ministros (Foto: Kent Nishi) |
Para a cientista política Maria Tereza Sadek, uma das mais renomadas pesquisadoras de Judiciário do Brasil, o julgamento é histórico e há provas suficientes para condenar o ex-presidente. Em sua defesa, Bolsonaro alegou que todos os instrumentos cogitados após a derrota nas eleições de 2022 estão previstos na Constituição.
O julgamento vai ocorrer em um contexto de pressão internacional, com medidas de retaliação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre os ministros, especialmente o relator do processo, Alexandre de Moraes, e seus familiares, como sanções econômicas e o cancelamento de vistos.
Na leitura de Maria Tereza, as ameaças do governo americano não intimidaram o STF e não devem interferir no julgamento.
"A reação do Supremo tem sido uma reação institucional, corporativa. Então eu acho que é uma pressão, sem dúvida nenhuma, mas é uma pressão que não está surtindo os efeitos almejados", avalia. "Ao contrário: ao invés de intimidar está fortalecendo a instituição, o espírito de corpo."
O desfecho mais provável para o ex-presidente é a condenação. O STF acelerou procedimentos para concluir o julgamento das lideranças da trama golpista ainda em 2025, em uma tentativa de evitar a contaminação do calendário eleitoral, mas para professora a tendência é que o resultado embaralhe o tabuleiro político em 2026.
"Não é só a direita que vai sofrer, acho que a esquerda também, porque esses lados políticos existem em uma relação de simbiose", avalia Maria Tereza Sadek.
A cientista política considera que principal a lição deste julgamento é que as instituições precisam ser firmes ao perceber riscos antidemocráticos.
"Havia sinais de que isso poderia acontecer muito antes do 8 de Janeiro", defende. "O plano de golpe chegou longe demais."
Clique aqui e leia a entrevista completa com a professora e cientista política Maria Tereza Sadek
Publicado
originalmente no Correio Braziliense
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