1 de novembro de 2014

Peemedebistas resistem a fazer oposição a Camilo Santana

Deputados eleitos pelo PMDB no Ceará demonstram resistência à tese de Eunício Oliveira (PMDB) em fazer oposição a Camilo Santana (PT) no Estado. Apesar da defesa do líder peemedebista, a maioria dos parlamentares ouvidos pelo jornal O POVO defendeu que o partido não tome “decisões precipitadas” e discuta internamente a questão. Já o deputado federal Aníbal Gomes (PMDB) é mais direto, afirmando que não irá fazer oposição ao petista. 

“Eu não vou fazer oposição não, e já conversei com alguns deputados e eles não estão com disposição em fazer oposição, talvez com exceção só do Danniel Oliveira (deputado estadual, sobrinho de Eunício)”, afirma Aníbal. Ele minimiza ainda possível retaliação do PMDB no caso. “Você acha que um partido grande como o PMDB, que tomou posturas diferentes em vários estados, vai cobrar fidelidade?”, disse.

Em entrevista a uma jornal paulista na quinta-feira, no entanto, Eunício foi rígido com a posição. “Faremos oposição propositiva, e não raivosa. Oposição assina CPI, faz o que precisa ser feito. Aquele parlamentar que for cooptado e quiser fazer parte do governo, vamos brigar para que perca o mandato na Justiça”.

Deputado estadual eleito, Audic Mota (PMDB) questiona “ameaça” de retaliação feita por Eunício. “Acho essa posição muito extrema. Isso não foi feito nem durante a campanha. Quantos infiéis não estavam na campanha? Quantos têm hoje? Se fosse essa a postura, teria que ter começado ali”, avalia.

Segundo Audic, o partido deve mesmo agir contra quem desobedecer orientação da legenda. Ele defende, no entanto, que a questão seja fechada após ampla discussão. “Acho que está certo, quem está filiado tem que seguir tendência do partido. Agora, o partido tem que debater. Ele tem instâncias, não é só dizer”, diz.

Tese semelhante é defendida pelo deputado estadual Walter Cavalcante (PMDB) e pelo deputado federal Danilo Forte (PMDB). Segundo ambos, o partido precisa discutir internamente e não deverá fazer “oposição por oposição”, apoiando projetos de Camilo que sejam positivos para o Estado.

“Temos muita coisa a dialogar, mas é preciso que não tenha rancor, ódio. Tudo no diálogo”, reforça Walter. Já Danilo avalia a posição como fruto da “ressaca” da eleição. “O Eunício é um cara muito centrado, não vai ser furtar de fazer o que for bom para o Estado. Não vai fazer oposição por oposição”.

Não é a primeira vez que o PMDB promete partir para a oposição no Ceará. Em julho deste ano, o vice-prefeito Gaudêncio Lucena (PMDB) reagiu à exoneração de secretários ligados a Eunício na Prefeitura de Fortaleza com promessa de oposição a Roberto Cláudio (Pros).

Apesar de duras falas do vice à época, maioria dos vereadores do partido na Câmara Municipal manteve discurso neutro. Entre eles, estava o próprio Walter Cavalcante, que permaneceu sem grandes críticas ou embates com o prefeito até o fim das eleições.


Com informações O Povo Online