12 de novembro de 2016

Além de Camilo, PT pode perder outras três lideranças históricas

Mal passado o impacto do fraco desempenho deste ano nas urnas, o PT pode voltar a sofrer baques no Ceará. Além da incerteza da permanência do governador Camilo Santana, outras três lideranças do petismo no Estado devem deixar o partido nos próximos meses.

Secretário do Meio Ambiente, Artur Bruno confirmou semana passada que deixará a sigla. Já o deputado estadual Manoel Santana e o deputado federal Zé Airton Cirilo já conversam nos bastidores com perspectiva de saírem do partido.

Para estes “indecisos”, questão chave em aberto é debate que ocorre hoje sobre mudanças no processo de eleição da direção nacional petista. Insatisfeitos com o modelo de escolha por eleição direta entre filiados que contribuem financeiramente ao partido, o chamado PED, Santana e Zé Airton defendem volta de antigo modelo de escolha por congressos partidários.

“A disputa como se dá hoje despolitizou o processo. Em uma eleição congressual se tem um debate muito mais profundo sobre questões ideológicas e dos problemas que o partido enfrenta”, diz Santana. Afirmando que o partido precisa “rediscutir urgentemente” suas prioridades, o deputado diz que espera definição do caso para definir seu rumo partidário.

No caso de Camilo, o que se fala no partido é que o governador dificilmente não apoiará Ciro Gomes à Presidência em 2018. O ex-ministro, no entanto, ainda tenta conquistar apoio do PT para disputa, o que evitaria saída do governador da sigla. Questionado sobre o caso, Camilo tem desconversado, dizendo apenas que “não se pode descartar nenhuma opção”.

Petista que já “bateu o martelo” sobre saída, Artur Bruno diz não se sentir mais “motivado” a continuar no PT. Sobre a tese de Santana e Zé Airton, Bruno diz não acreditar que a sigla altere o modelo de direção nacional. “Após o mensalão, nós tentamos corrigir os equívocos, mas o que houve foi o contrário”, diz, afirmando que ainda não definiu seu destino partidário.

Para o vereador de Fortaleza Ronivaldo Maia (PT), ninguém além de Bruno deve deixar o partido até 2 de dezembro. “Nessa data, vai ser definido o futuro da eleição no partido, algo que angustia ou gera discordância entre muitos companheiros”. Sobre o caso do secretário, ele minimiza: “Não dá para levar a sério o Bruno. Ele nunca foi próximo, não precisa do PT”.


Com informações O Povo Online