15 de novembro de 2016

Os 30 anos da eleição que transformou o Ceará

Há exatamente 30 anos, o jovem empresário Tasso Jereissati, na época no PMDB, depositava na urna uma cédula que, unida a quase um milhão e meio de outras, o levaria ao Governo do Ceará pela primeira vez.

O momento, lembrado por historiadores como marcante por tirar os coronéis do poder, também representou o nascimento de um dos principais líderes políticos do Estado.

Vencendo o coronel Adauto Bezerra, filiado ao PFL, Tasso teve outros dois mandatos à frente do Executivo estadual. De lá para cá, trocou de partido, deixando o PMDB e rompeu com aliados importantes, como os ex-governadores Gonzaga Mota, Lúcio Alcântara e Ciro Gomes.

Valmir Lopes, cientista político da Universidade Federal do Ceará (UFC), afirma que sua força política era inquestionável e perdura até hoje no modelo de gestão do Estado. “Todos os políticos que surgiram depois de alguma forma são devedores da política criada por ele”.

O governo, centrado no enxugamento da máquina pública e modernização do Ceará, porém, não era tão novo assim, segundo o historiador Airton de Farias. “Era algo diferente, mas ao mesmo tempo o governo do Tasso tem algo não tão novo assim. Esse modelo desenvolvimentista era algo que o Virgílio Távora fez nos anos 60 e que continua até hoje”, explica.

Para o historiador, “no que toca ao modelo fiscal e tributário, o Tasso é inovador”, mas ele não teria representado uma “nova política” durante toda sua trajetória. “Na primeira gestão, sim, mas nenhum poder governa sozinho e ele começa a ter que compor com certos grupos”, afirma.

Valmir discorda. Para ele, “numa situação de ruptura você dificilmente vence sem um apoio das forças tradicionais, mas o apoio dele por essas forças foi pequeno”, o que perduraria até hoje.

Segundo o cientista político, as mudanças que ele trouxe persistem e influenciaram cenário nacional. “Nenhum candidato até hoje teve condição de voltar a períodos tradicionais, nesse sentido ele marcou. A ideia de que era possível reduzir o clientelismo, a máquina estatal, isso persiste”, avalia Valmir.

Com informações O Povo Online